segunda-feira, 19 de junho de 2023

Cuca também enfrenta dificuldade no Furacão?!?!

Torcidas femininas protestam após especulação de Cuca no Athletico: "Não nos calaremos".

Furacão tem treinador bem referenciado, mas não abre negociação no momento após saída conturbada do Corinthians. 

Grupos lembram da condenação do técnico na Suíça, em 1989.

Torcidas femininas e alguns movimentos de torcedores protestaram em redes sociais após a especulação do interesse do Athletico no técnico Cuca. 

O treinador tem uma condenação na Suíça, em 1989, por ato sexual com menor e coação.

O Furacão adota um tom de tranquilidade na busca por um novo comandante, mas o nome de Cuca passou a ser ventilado desde a demissão de Paulo Turra, na sexta-feira (16). 

A cúpula atleticana, que tem ele bem referenciado, descartou inicialmente e avalia que técnico precisaria primeiro resolver essas questões particulares para iniciar uma negociação.

Mesmo sem sinais concretos de tratativas, esses grupos atleticanos se uniram para repudiar uma possível vinda de Cuca. 

Ele é torcedor do clube e frequentava a Arena da Baixada em jogos até que o caso tivesse desdobramentos há dois meses.

"A integridade e a ética são valores irrenunciáveis. Atleticanissimas, Athletico Y Nada Más, Capeanos, Furacão LGBTQ, Los de Siempre, Resistência Atleticana e diversos torcedores ligados a coletivos vêm a público para manifestarem-se absolutamente contra a contratação do treinador Cuca. Não aceitaremos. Não nos calaremos. #CUCANÃO", diz o texto.

Depois da saída do Corinthians, em abril, com grande pressão da torcida, o técnico contratou um escritório de advocacia para reabrir o processo em que foi condenado. 

O treinador alega inocência e tem a expectativa de ter nas próximas semanas uma resposta sobre um pedido feito junto à Justiça na Suíça.

O Globo Esporte entrou em contato com advogados que representam Cuca, mas não quiseram abrir quais são os novos passos que serão tomados. 

O escritório também fala em sigilo total sobre o assunto. Já o técnico Cuca preferiu não se manifestar.

Nas redes sociais vem sendo espalhado um áudio de Cuca, que foi confirmado pelo ge como do próprio treinador. 

Nele, Cuca destaca que só aceitará assumir o Athletico ou algum time após uma possível solução com a Justiça na Suíça.

"Desde que eu sai do Corinthians, eu tomei uma decisão forte que é de reabrir aquele processo meu e fazer um julgamento com defesa, que eu não tive. Está muito próximo de acontecer isso, provavelmente aconteça nessa semana. Eu absolvido, aí vou trabalhar. Antes disso eu não vou. Depende, se eles esperarem um pouco mais, a gente vai. Se não, não dá. A prioridade minha é isso aí", disse Cuca, no áudio.

O nome de Cuca vem gerando manifestações pró e contra entre os torcedores do Athletico nas redes sociais. 

Entre as manifestações, a torcida Atleticaníssimas tem se posicionado contrária ao nome do treinador em postagens.

Wesley Carvalho como interino: Enquanto isso, o Athletico quer dar confiança para Wesley Carvalho trabalhar como técnico interino. 

Ele faz parte da comissão técnica permanente do clube. 

A saída repentina de Felipão como diretor para ser técnico do Atlético-MG e a consequente demissão de Paulo Turra deixaram um sinal de alerta nos bastidores. 

Com isso, o clube não quer cometer erros e vai procurar um nome com calma no mercado.

Carvalho está no Athletico desde 2022 e comandou o Furacão como interino somente uma vez: na vitória por 1 a 0 diante do Ceará, pelo Campeonato Brasileiro de 2022, entre a saída de Fábio Carille e a chegada de Felipão.

O auxiliar de 49 anos está no clube desde o ano passado e chegou com influência direta de Mattos. 

Wesley Carvalho estava acertado com a base do Santos e voltou atrás após o convite do dirigente - eles trabalharam juntos no Palmeiras.

A comissão atual é formada pelo interino Wesley Carvalho e o auxiliar Juca Antonello, que é o treinador do sub-20.

Em campo, o Athletico está classificado às oitavas de final da Taça Libertadores da América com uma rodada de antecipação. 

Na Copa do Brasil, o Furacão vai encarar o Flamengo, nas quartas de final. 

Já no Campeonato Brasileiro, o time é o sétimo, com 16 pontos.

O caso teve início em 1987, quando o Grêmio fazia uma excursão pela Europa. 

Cuca e os jogadores Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi foram detidos com a alegação de terem tido relações sexuais com a garota sem consentimento.

Segundo a investigação da polícia local, a jovem se dirigiu com amigos ao quarto dos jogadores do Grêmio. 

Os atletas, então, a puxaram para dentro e a abusaram.

Após quase um mês detidos em Berna, os quatro jogadores foram liberados. 

Dois anos depois, Cuca, Eduardo e Henrique foram condenados a 15 meses de prisão por atentado ao pudor com uso de violência. 

Fernando foi absolvido da acusação de atentado ao pudor e condenado por estar envolvido no ato de violência. 

Como o Brasil não extradita seus cidadãos, eles nunca cumpriram a pena.

O processo que resultou na condenação de Cuca e de outros três ex-jogadores do Grêmio em agosto de 1989 está guardado no Arquivo do Estado do Cantão de Berna, capital da Suíça, e está sob sigilo de 110 anos, ou seja, só poderá ser acessado a partir do ano 2099.

O processo de Cuca está na caixa C-2580 e tem 1.023 páginas. 

O Globo Esporte pôde fazer imagens da página 915 deste processo, em que começa a sentença proferida pelo juiz do caso no dia 15 de agosto de 1989.

O nome da vítima e de cinco testemunhas foi preservado, mas estão lá os nomes dos quatro homens que foram condenados, Alexi Stival (Cuca), Henrique Etges, Eduardo Hamester e Fernando Castoldi, e as acusações contra eles: ato sexual com menores e coação.

Barbara Studer, diretora do Arquivo do Estado do Cantão de Berna, atendeu o Globo Esporte e leu o processo. 

Com o cuidado de não quebrar o sigilo de justiça, confirmou que são verdadeiras as informações já publicadas sobre o caso por jornais suíços que acompanharam o caso na época.

Ela não revelou nenhuma informação inédita. 

Mas confirmou que, segundo o processo, o sêmen de Cuca estava no corpo da vítima, e que ela reconheceu o hoje técnico de futebol como um de seus agressores. 

Barbara contou que no processo também está registrado que a vítima tentou se suicidar depois do crime e que ela ainda sofreu outros traumas psicológicos.

Cuca, Henrique e Eduardo foram condenados a 15 meses de prisão por ato sexual com menores e coação. 

Fernando foi condenado a três meses de prisão por coação. 

Eles não estavam presentes ao julgamento.

Os quatro receberam uma pena condicional, que faz parte da legislação da Suíça. 

Neste caso, o condenado só vai para a cadeia caso cometa algum outro tipo de delito durante um prazo determinado pelo juiz. 

E este prazo prescreveu para Cuca e os demais.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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