quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Reviravolta no caso

STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) aceita recurso do Brusque em caso de racismo e determina devolução de três pontos na Série B.

Equipe catarinense passa a ter 44 pontos na tabela e se afasta da zona de rebaixamento.

O STJD devolveu ao Brusque os 3 pontos na tabela da Série B do Brasileiro. 

O clube teve o recurso julgado em videoconferência, nesta quinta-feira (18), a respeito do caso de racismo por parte de um dirigente contra o jogador Celsinho, do Londrina. 

A decisão foi por maioria dos votos dos auditores.

Com a recuperação dos pontos, o Quadricolor passa a ter 44 pontos, sobe para a décima quarta colocação e aumenta as chances de permanência na competição nacional.

Presidente da sessão, José Perdiz foi o último a votar. 

Ele adiantou o voto contra a perda de pontos, mas determinou a perda de um mando de campo, a ser cumprido em campeonato nacional.

Entenda o caso: Na partida entre as duas equipes na Série B, em 28 de agosto, Celsinho afirmou que foi chamado de "macaco" por Júlio Antônio Petermann, presidente do Conselho Deliberativo do Brusque. 

Na súmula, o árbitro Fábio Augusto Santos Sá relatou que o meia ouviu a frase "vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha".

Após o acontecido, o Londrina divulgou um vídeo nas redes sociais em que é possível ouvir um grito de "macaco". 

A postagem do Tubarão foi uma resposta ao clube catarinense que, em um primeiro momento, falou que Celsinho estava sendo "oportunista" ao denunciar o racismo.

Depois, o Brusque se desculpou e adotou duas medidas sobre o caso: afastamento de Júlio Antônio Petermann e instalação de câmeras para captar o áudio das arquibancadas. 

Por causa do episódio, perdeu um patrocinador.

O Brusque e o conselheiro foram enquadrados no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e responderam por "ato discriminatório" no julgamento realizado em 24 de setembro. 

A punição ao Quadricolor foi a perda de três pontos, além de multa de R$ 60 mil. 

Júlio Antônio Petermann foi suspenso por 360 dias e multado em R$ 30 mil.

Um mês depois, atletas e funcionários do Brusque divulgaram uma nota em protesto contra a decisão e pedindo que a entidade reconsiderasse o resultado. 

No documento, lido pelo atacante Edu, os jogadores disseram que o grupo é composto em sua maioria por afrodescendentes e que a decisão não penalizava o responsável pelo ato.

Não foi a primeira vez que Celsinho sofreu com o racismo na Série B. 

O meia do Londrina também ouviu ofensas nas partidas contra o Goiás e o Remo, radialista disse que o cabelo do atleta era "ninho de cupim", ambas em julho.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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