sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Pela história do Vasco

Payet diz que luta do Vasco contra o racismo pesou na escolha: "Clube lendário".

Meia francês define como "responsabilidade enorme" receber a camisa 10 de Roberto Dinamite.

O Vasco apresentou o meia Dimitri Payet nesta sexta-feira (18), no Salão de Beneméritos de São Januário. 

Das mãos de Lúcio Barbosa, CEO do clube, e Paulo Bracks, diretor executivo, o jogador recebeu a camisa 10 e disse que a história vascaína pesou na hora da decisão de escolher o clube.

Payet explica motivo de ter escolhido o Vasco: "Eu sei que é um time gigante, conhecido no mundo todo. Também o escolhi pela luta contra o racismo"

"Por que escolhi o Vasco? Porque sei que é um gigante e não só no Brasil, mas muito conhecido na França. É um clube lendário e histórico. Conhecemos a história de Romário, Edmundo, Juninho Pernambucano, Dinamite e tem uma questão além, da luta do Vasco contra o racismo. É uma escolha que vai nesse sentido", afirmou Payet.

Apresentado em São Januário, Payet disse que quando começaram as negociações, logo foi ver como era o estádio do Vasco e entender sobre a história do local.

"Primeira coisa que fiz quando começaram as conversas foi buscar na internet como é o ambiente do estádio. E vi que é excepcional. Quando cheguei ao aeroporto, entendi porque é excepcional. Estádio mítico e gigantesco, construído pelos torcedores há quase 100 anos. É um estádio difícil para os adversários ganharem", disse o meia.

Ao ser perguntado sobre o apelo pela volta da torcida à São Januário, o meia disse que não sabia sobre a interdição do estádio, mas entoou o pedido para que o Vasco possa jogar novamente com o público em casa.

"A segurança é muito importante para jogadores, torcedores e clube de forma geral. Defendo melhor segurança para todos, mas estádio vazio não dá sensação de futebol. Sem torcedores, cantos e bandeiras, não dá a sensação de esporte. Espero que justiça, clube e federação possam se reunir para definir isso o quanto antes".

Além da história do clube, Payet afirmou que os torcedores do Vasco também foram um diferencial na escolha. 

Fanática, como a do Olympique de Marselha, a torcida vascaína já tem música para o meia, que disse ainda não entender a letra, mas que espera aprender português para poder cantar.

"O Marselha e o Vasco são times que enchem o estádio, é raro ver vazio. Essa emoção e peso da torcida fazem a diferença. Em relação à música, meu português ainda não permite entender, mas percebi que falavam meu nome, gostei e espero poder cantar com vocês em breve".

O meia disse que foi apresentado à história de Roberto Dinamite, maior ídolo do Vasco, que eternizou a camisa 10 do clube. 

Payet afirmou que é de uma responsabilidade enorme vestir esta camisa.

"Na minha chegada ao Brasil, já senti muito amor e confiança depositada em mim. No dia de ontem, pude saber um pouco da história de Roberto Dinamite, e como é emblemática e mítica essa camisa 10. É uma responsabilidade enorme, darei tudo de mim com muita garra e força para honrar a camisa 10 de Roberto Dinamite. Muito obrigado".

"Vai ser um grande desafio, com certeza. Sei a pressão e dificuldade. De alguma forma o time do Vasco lembra o Olympique que é um time guerreiro e não está no lugar certo. É uma equipe inteira que dará renovação e esperança".

Ao ser perguntado sobre a expectativa da torcida em ver o francês vestir a camisa do Vasco, Payet disse saber bem lidar com a pressão e afirmou que está preparado para este desafio.

"Sou jogador que gosta exatamente disso, desafios e responsabilidade. Tive a oportunidade de, durante 10 anos, ser o capitão do Olympique de Marselha. Conheço pressão, sei da responsabilidade e estou aqui para cumprir com tudo isso".

Sobre o estilo de jogo, Payet se definiu como um camisa 10 à moda antiga, como um meia ofensivo, clássico, mas se colocou à disposição das táticas do treinador Ramón Diaz.

"Gosto de jogar com a camisa 10 à moda antiga, aquele meio-campista mais ofensivo, que ajuda, colabora e vai pra frente. Claro que vai depender da comissão e dos treinamentos, mas gosto dessa camisa 10 à moda antiga", afirmou Payet.

Lúcio Barbosa, CEO do clube, agradeceu a Payet pela chegada ao Vasco e saudou a torcida, que fez grande festa para receber o novo reforço da equipe para a temporada. 

Lúcio destacou que 2023 é um ano especial para o clube e desejou boa sorte ao jogador.

"Ano que eternizamos o Dinamite e nosso eterno 10; Gostaria de agradecer todo o esforço da 777 e do Vasco para trazer um reforço à altura do Vasco. Gostaria de desejar boa sorte a Payet e vamos virar esse jogo. Bem-vindo", disse Lúcio Barbosa, CEO do clube.

Todo o Salão de Beneméritos de São Januário estava decorado com as cores da França e em referência a Payet. 

A comunicação do clube distribuiu uma revista especial aos jornalistas com materiais sobre o jogador e outros atletas europeus que já vestiram a camisa do Vasco.

"A busca pelo craque e camisa 10 foi incessante dentro da janela de contratação e não seria qualquer um que poderia vestir essa camisa 10. A camisa 10 imortalizada pelo maior ídolo do Vasco, Roberto Dinamite, que nos deixou esse ano, Roberto Dinamite. Camisa de Roberto, Edmundo, Juninho Paulista, Ramon, Bismarck, Nenê....Obrigado por ter dito sim ao Vasco e à torcida. A torcida do Vasco merece. Seja bem-vindo", disse Paulo Bracks.

Também havia convidados: alguns sócios-torcedores, representantes do clube associativo e convidados do Payet. 

A coletiva do jogador atrasou em 30 minutos porque Payet treinou nesta manhã no Centro de Treinamento Moacyr Barbosa e foi direto para São Januário ser apresentado.

Nos arredores da Barreira do Vasco, uma faixa de boas-vindas a Payet foi estendida. 

O clima foi de festa na região desde a manhã desta sexta-feira (18). 

Também havia filas em São Januário para a compra de ingressos para partida de domingo (20), contra o Atlético-MG, no Maracanã.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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