Ministério do Esporte prevê ações para implantar estratégia nacional para o futebol feminino.
Plano foi instituído por decreto e visa ampliar a participação, capacitar mulheres para cargos de liderança e melhorar a estrutura do esporte no Brasil.
Após a realização de um diagnóstico da situação do futebol feminino no Brasil, o Ministério do Esporte lança no fim do mês a Estratégia Nacional para o Futebol Feminino, um plano de ações para o desenvolvimento do esporte no país.
A estratégia foi definida por decreto publicado em março, que deu 120 dias para que o ministério realizasse pesquisas e planejasse ações até 2025.
O plano prevê a criação de programas de capacitação para ampliar a participação de mulheres em cargos de gestão, criar incentivos para investimento privado no esporte, desde a base, e apoiar a melhoria da estrutura e a criação de novas competições em parcerias com entes governamentais e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
A estratégia tem sido definida a partir de um diagnóstico feito pela pasta em pesquisas internas e externas.
Um questionário foi respondido por 1.090 mulheres ligadas ao esporte, entre atletas de base e adultas e profissionais.
Ele apontou que cerca de 70% das participantes precisam de outra ocupação para complementar a renda, 48% das adultas não são remuneradas e que cerca de 20% têm vínculo profissional.
Um levantamento interno também mostra que de quase 95 mil pessoas atendidas por ações do ministério, apenas 17,6 mil são mulheres.
"O esporte é muito masculino, de maneira geral. O futebol é ao extremo. Nossa maior cultura e ela é majoritariamente masculina", diz a Ministra do Esporte, Ana Moser.
Ela diz que quer aproveitar o momento de crescimento do futebol feminino, com a Copa do Mundo sendo disputada pela primeira vez com 32 equipes, para usar o poder público para impulsionar esse desenvolvimento no Brasil.
"É um cenário novo que futebol feminino está vivendo no mundo. Também é função do poder público empurrar, provocar, induzir a sociedade a ir em determinadas direções".
Entre as ações previstas, está a criação de um projeto de lei para fixar parâmetros para o futebol profissional, como prazo mínimo de contrato, calendário de competições e critérios mínimos de estrutura para disputa de torneios.
Ana Moser conta que tem mantido conversas com a CBF para a implementação da estratégia nacional e que conversou com o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, durante a Copa do Mundo feminina, que está sendo disputada na Austrália e na Nova Zelândia.
"Foi importante estar lá com o presidente Ednaldo. A Austrália está vivendo essa explosão do futebol feminino, que não é só dentro de campo, é também na sociedade. Não é só no alto rendimento, mas na base. É o espaço para as meninas fazerem o esporte, o vestiário adequado para elas, a presença de mulheres na gestão, como técnicas, em posição de poder", afirma.
"O governo induz, mas o futebol é gerido pela CBF, pelas federações e pelos clubes. Então é preciso trabalhar conjuntamente".
Nessa parceria, o ministério tem apoiado a candidatura da CBF à sede da Copa do Mundo feminina de 2027.
A FIFA (Federação Internacional de Futebol) escolherá a proposta vencedora em maio de 2024 e são mais três projetos sendo avaliados: um da África do Sul, outro de Estados Unidos e México e um de Bélgica, Holanda e Alemanha.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:
Postar um comentário