A Argentina salva o continente e impede segunda semifinal seguida sem representante da América do Sul.
Com classificação argentina, semifinal que poderia ser toda europeia terá Messi e honra sul-americana.
A eliminação do Brasil deixou escancarada a chance de, pela primeira vez, duas Copas do Mundo consecutivas terem semifinais apenas com europeus.
Isso aconteceu em 1934, 1966, 1982, 2006 e 2018.
Jamais por duas Copas consecutivas sem nenhum representante da América do Sul.
O Marrocos também tem chance de evitar outro europeu.
Messi não deixou.
Num jogo de xadrez, em que a disputa da posse de bola se dava nos primeiros trinta minutos, a partida começou a mudar com Messi atraindo a marcação do zagueiro Aié até o meio-de-campo.
Virou um jogo de espaços, como o que os holandeses adoravam.
A Holanda jogava contra Cruyff. Ou pelo menos contra um gênio na descoberta de espaços pelos campos que ninguém percebe.
Van Dijk já tinha avisado que teme Messi, quando ele parece escondido.
Pois foi às escondidas, que pegou uma bola no espaço vazio no meio-de-campo, conduziu e serviu Molina como numa tacada de sinuca.
O lateral tocou no canto de Noppert.
O segundo tempo teve posse de bola holandesa, sem conseguir invadir a área argentina.
As raras chances eram da Argentina.
Uma falta cobrada por Messi, um pênalti tolo cometido por Dumfries.
Messi converteu.
Tornou-se o maior goleador da história de seu país em Copas, empatado com Batistuta.
Van Gaal mudou.
Decidiu apostar no ataque aéreo.
Colocou Gakpo na lateral, para os cruzamentos, Weghorst e Luuk De Jong para o cabeceio.
Weghorst marcou de cabeça.
A pressão ficou para a Argentina, como nos minutos finais contra a Austrália.
Mas a vitória veio e foi merecida.
A Argentina impede a segunda semifinal seguida só entre europeus.
Não exclui que nós, sul-americanos, façamos a reflexão sobre por qual razão o jogo anda tão desigual para nós e se é possível mudar essa dura realidade.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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