A posição pública da dupla Botafogo e Vasco mostra um alinhamento que se estreita nos bastidores nas últimas semanas.
As lideranças das duas SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol) cariocas, descontentes com a FFERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e o próximo Estadual, perceberam interesses parecidos e entrosaram discursos de oposição à atual divisão dos direitos de transmissão.
Ficou evidente a união de forças nos últimos dias, quando a dupla divulgou notas oficias parecidas com críticas à federação e à empresa responsável por negociar os direitos.
A discordância está na proposta para o rival Flamengo, que receberia o dobro em comparação com cada um dos outros três grandes do estado.
Na última sexta, ao confirmar a informação de que o Flamengo receberia R$ 18 milhões pelos direitos de transmissão, o Vasco mudou o tom em relação ao Carioca e comunicou que não assinaria o acordo nos termos da entidade. O clube fez duras críticas à direção do Flamengo.
Em nota, afirmou que o adversário "parece ainda não ter entendido que futebol não se joga sozinho".
No mesmo dia executivos da 777 entraram em contato com John Textor, alinharam uma postura nos bastidores e partiram para o ataque.
No sábado (3), o Botafogo comunicou que também não assinaria os termos.
O Fluminense engrossou o coro em seguida, embora o Vasco acredite que o clube das Laranjeiras não queira entrar na briga com o Flamengo, por conta da parceria na administração do Maracanã, mas trate como positiva a adesão da diretoria tricolor.
No primeiro encontro em arbitral, no início de novembro, quando a FFERJ apresentou a proposta de comercialização dos direitos do Carioca, Flamengo e Fluminense não enviaram representantes.
Os rubro-negros ainda não se manifestaram sobre o assunto.
Opção por pré-temporada: A afinidade vinha de antes do desconforto com as propostas.
Tanto Botafogo quanto Vasco deram pouca importância ao início do Estadual no planejamento da próxima temporada.
Prova disso é que ambos os clubes viajarão para os Estados Unidos em janeiro de 2023, com o torneio em andamento.
É provável, aliás, que John Textor e os cabeças da 777 se encontrem para debater possíveis parcerias.
Há debate embrionário sobre amistoso entre os clubes na América do Norte.
A partida poderia servir até para disputar a terceira rodada do Carioca, o que dependeria de aval da FFERJ.
O Botafogo não divulgou oficialmente a agenda, mas organiza um período de até duas semanas para a excursão.
O clube conversa com equipes dos Estados Unidos e, no momento, avalia os estados da Florida ou do Arizona como possíveis bases.
Já o Vasco desembarcará em solo americano com o elenco principal em 14 de janeiro e ficará uma semana na Flórida.
Neste período disputará amistosos contra River Plate (17/01/2023) e Inter de Miami (21/01/2023). Consequentemente, jogará as três primeiras rodadas do Carioca, inclusive o clássico contra o Botafogo, no dia 21 de janeiro de 2023, com uma equipe alternativa.
Ameaça comercial ignorada: Tanto Botafogo quanto Vasco devem jogar o Estadual com as equipes principais em algum momento, mas sem abrir mão de uma preparação adequada.
E, ao nem sequer assinar o acordo, a dupla ignora a principal represália da federação: a perda do valor dos direitos a quem não escalasse o time titular a partir da terceira rodada.
Pelo lado do Botafogo, a decisão, em parte, cumpre uma promessa feita por Textor na última edição do Carioca.
O empresário afirmou que disputaria a competição com o time B no calor da eliminação para o Fluminense, quando os alvinegros reclamaram da arbitragem.
Nova rodada de negociações: O Vasco, por sua vez, ainda busca um alinhamento com a FFERJ e aguarda a entidade para uma nova rodada de negociações.
O clube não vai aceitar que o Flamengo receba o dobro, por entender que seria uma "involução", em um momento em que os grandes clubes do futebol brasileiro trabalham para criar uma liga.
Além disso, o Vasco entende que, tradicionalmente, os direitos de transmissão do Campeonato Carioca sempre foram divididos igualmente entre os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, que ficavam com 60% do valor comercializado pelos direitos.
O restante era divido pelos clubes de menor investimento.
Em nota neste domingo (4), a FFERJ se defendeu das críticas, atacou a postura do Botafogo e garantiu que a negociação entre clubes e a empresa responsável pela comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Carioca ainda está em andamento.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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