sábado, 17 de dezembro de 2022

Buscando um recorde

Deschamps aposta no grupo para entrar em seleta lista de técnicos bicampeões.

Apenas italiano Vittorio Pozzo conseguiu a façanha na história das Copas do Mundo. 

Treinador francês é reconhecido como grande motivador, direto com os jogadores e preocupado com lado humano.

Apenas um homem na história foi bicampeão mundial de futebol como treinador principal na história do futebol: o italiano Vittorio Pozzo, que comandou a Itália bicampeã de 1934 e 1938. 

O francês Didier Deschamps tem a chance de se juntar a ele no seleto grupo neste domingo (18), quando comanda a França contra a Argentina na final da Copa do Mundo do Catar.

Muita gente não acreditava que Didier teria essa oportunidade, inclusive muitos franceses. 

Os dez anos de comando do treinador na seleção tiveram muitos momentos de dúvida e turbulência, inclusive após a conquista da Copa de 2018, segundo título mundial da França, no primeiro, em 1998, Deschamps era o capitão da equipe. 

Mas a confiança, seriedade e determinação do técnico o mantiveram na função e trouxeram uma estabilidade à seleção que a conduziu à final novamente, mesmo em meio a tantas dificuldades no caminho.

A força de Deschamps foi bem descrita pelo meia-atacante Mathieu Valbuena, que foi parte da seleção sob seu comando entre 2012 e 2015 e também foi treinado por ele no Olympique de Marselha. 

O jogador lembra da partida decisiva das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, contra a Ucrânia. 

A França terminou o primeiro tempo atrás por 2 a 0, mas virou o placar para 3 a 2 e garantiu a vaga no torneio disputado no Brasil. 

O sermão do técnico no intervalo mudou o semblante do time para buscar a virada na segunda etapa.

"Quando saí de lá (do vestiário), eu era um animal, queria quebrar tudo. Deu muita força e determinação para todo o grupo. Ele sempre soube insuflar isso em suas equipes. Deschamps, em suas palestras, ele vai falar um pouco de tática, mas não vai se alongar no assunto, vai falar principalmente sobre famílias, pessoas, vai compartilhar conosco suas experiências como jogador e treinador. Ele te dá calafrios. Quando você sai desse papo, diz a si mesmo, "Uau", contou Valbuena em entrevista ao site "RMC Sport".

Valbuena foi o pivô de um escândalo que resultou no "exílio" de Karim Benzema da seleção francesa entre 2016 e 2021. 

O atacante do Real Madri foi acusado de ser cúmplice numa tentativa de chantagem a Valbuena, e a federação o baniu da seleção. 

Quando não foi chamado para a Eurocopa de 2016, Benzema acusou Deschamps de se deixar levar pela pressão "de uma parte racista" do país, e as críticas da imprensa recaíram sobre o treinador quando a França perdeu a final do torneio em casa para Portugal.

Porém, de cada dificuldade, Deschamps parece retornar mais forte. 

Dois anos depois da decepção na Euro, comandou a França, novamente sem Benzema, ao bicampeonato mundial. 

Depois, vieram mais quatro anos difíceis. 

A seleção foi campeã da Liga das Nações em 2021, mas foi mal na Eurocopa do mesmo ano, já com Benzema de volta à equipe, e na Liga das Nações deste ano.

O contrato de Deschamps se encerra no fim de 2022 e, antes da Copa do Mundo, especulava-se que já havia um pré-acordo com Zinedine Zidane para substituí-lo em 2023. 

O desempenho no Catar, porém, trouxe apoio até do presidente da França, Emmanuel Macron, para que o técnico continue no comando pelo menos até a Eurocopa de 2024.

O segredo do sucesso e da regularidade da seleção francesa em Copas é, segundo o próprio Deschamps, um canal aberto e direto com os jogadores, sem segredos.

"Passo bastante tempo com a minha comissão, então eu converso com os meus jogadores coletivamente e individualmente. Para mim, o mais importante é manter todo mundo dentro dessa dinâmica e passar bastante tempo com os jogadores que não atuam. Às vezes conversamos, outras vezes fazemos reuniões. Também temos conversas durante o dia. Eu não tenho um escritório onde possa recebê-los um a um, então temos uma relação alicerçada na confiança, que é importante existir entre os jogadores e eu", afirmou o técnico numa coletiva de imprensa no Catar.

Presente nas três Copas em que Deschamps foi treinador da França, o zagueiro Raphael Varane já teve suas mágoas com o comandante: foi cortado às vésperas da Eurocopa de 2016 por uma lesão (situação parecida com a vivida por Benzema este ano no Catar). 

Porém, se entendeu com ele logo em seguida à competição e se tornou seu fiel escudeiro na seleção.

"Para mim, a maior qualidade do Didier como técnico é a capacidade de formar um grupo, de usar as qualidades de todos em prol de uma meta coletiva, além de colocar o time acima de tudo e usar as suas qualidades rumo à meta coletiva", explicou Varane.

O zagueiro Jules Koundé, que vem atuando na lateral direita e se saindo bem sob o comando de Deschamps, corrobora as palavras do companheiro de zaga.

"Falando de maneira geral, eu acho que ele é um treinador que faz de tudo para que os jogadores se sintam à vontade. Quanto à sua abordagem, ele é claro quanto ao que espera de cada jogador. Isso permite que os jogadores se sintam integrados, seja jogando muito ou pouco. Temos especialmente uma ideia clara do que o treinador espera de nós, então eu acho que esse é um dos seus pontos fortes".

Deschamps e a França enfrentam a Argentina na final da Copa do Mundo neste domingo (18), no estádio Lusail, às 12 horas (horário de Brasília), com transmissão da TV Globo, Sportv, Globoplay e Globo Esporte.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário