domingo, 18 de dezembro de 2022

Aumento de vagas para a África

África defende aumento de vagas na Copa por desenvolvimento do futebol do continente.

África têm apenas cinco vagas atualmente e deve ter aumento para nove na Copa do Mundo de 2026.

"Não podemos ter cinco países africanos participando com o número de países que temos", diz Regragui

A despedida da África da última Copa do Mundo, na Rússia, aconteceu com todas as cinco seleções eliminadas na fase de grupos. 

Quatro anos e cinco meses depois, deixa o Mundial do Catar com o Marrocos como quarto colocado e registrando a melhor campanha da história do continente. 

Trata-se de um cenário inédito e que trabalham para tentar repetir ao longo das próximas edições.

Sem continuidade na Copa do Mundo, lideranças africanas defendem e agora buscam no aumento de vagas uma possibilidade de espaço para desenvolvimento do futebol do continente.

Na visão do técnico do Marrocos, Walid Regragui, o problema está na falta de continuidade. 

A África conta com cinco vagas na Copa do Mundo, mesmo tendo 55 países filiados, o que representa apenas 9% do continente. 

Agora, com a perspectiva de aumento para 48 seleções disputando o Mundial de 2026, os africanos devem ter nove equipes, além de uma décima seleção na repescagem.

"O problema da África, sem críticas, é que não podemos ter cinco países africanos participando com o número de países que temos e, por exemplo, quando vemos que o Egito não participou, Nigéria, temos a África do Sul, temos Mali, e lutar para voltar é complicado para nós agora".

"Acho que teremos nove participantes, isso vai nos permitir aprender. Daqui a 15 ou 20 anos, estou convencido de que uma seleção africana vai ganhar a Copa, porque vamos voltar e teremos aprendido."

A questão do número de vagas ao continente africano havia sido tema de uma entrevista coletiva de Otto Oddo, técnico de Gana, eliminada ainda na fase de grupos. 

Na ocasião, foi perguntado sobre a possibilidade de nenhuma seleção da África avançar ao mata-mata, repetindo o cenário de 2018.

"A África tem 55 países e acho que merece mais vagas. É muito difícil com cinco vagas evoluir. Se você tem 12 ou 15 vagas, não lembro quantas são na Europa, você tem a probabilidade de crescer mais rápido. Fazer esse tipo de pergunta para mim é injusto. Vamos tentar melhorar", disse na ocasião.

Somente há 52 anos, por exemplo, uma seleção africana conquistou algum ponto pela primeira vez na Copa do Mundo, sendo Marrocos a pioneira, em 1970. 

Somente há 36, uma seleção africana se classificou ao mata-mata eliminatório pela primeira vez, também o Marrocos, em 1986. 

E somente agora, em 2022, uma seleção africana chegou às semifinais da Copa pela primeira vez.

Em relação ao número de participações, ao longo deste século houve seis edições de Copas do Mundo, entre 2002 e 2022, e nenhuma seleção africana conseguiu participar de forma contínua em todas elas. 

As donas do maior número de aparições foram Gana, Camarões, Nigéria e Tunísia, com quatro cada.

Copa do Mundo de 2022: Senegal, Tunísia, Marrocos, Camarões e Gana.

Copa do Mundo de 2018: Egito, Marrocos, Nigéria, Tunísia e Senegal.

Copa do Mundo de 2014: Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Nigéria e Gana.

Copa do Mundo de 2010: África do Sul, Nigéria, Gana, Camarões e Costa do Marfim.

Copa do Mundo de 2006: Costa do Marfim, Angola, Gana, Togo e Tunísia.

Copa do Mundo de 2002: Senegal, África do Sul, Camarões, Nigéria e Tunísia.

A esperança, contudo, está no fato de que esta virada de chave não está longe de acontecer. 

Afinal, começou no Catar, com o próprio Marrocos, há mais de 10 anos investindo no desenvolvimento e captação de atletas. 

Agora, a primeira africana em semifinal de Copa teve também o primeiro técnico africano nesta etapa e apenas duas derrotas, para a França e Croácia. 

Na base do ineditismo, muda a imagem do futebol africano em 2022.

"Temos um continente futebolístico, os africanos adoram futebol, e acho que Marrocos mostrou que somos capazes e não estamos longe, porque perdemos nos detalhes. Isso significa que a diferença entre países europeus e africanos é bem menor", finaliza o treinador.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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