Presidente interino do Corinthians cita caixa vazio: "Onde está o dinheiro? Não tem".
Osmar Stábile assume o comando do clube até que sócios votem pelo impeachment de Augusto Melo.
Dirigente revela que Timão corre o risco de perder os benefícios do Profut por dívida.
Em sua primeira entrevista como presidente interino do Corinthians, Osmar Stábile afirmou nesta terça-feira (27) que encontrou o clube com caixas vazios após o afastamento de Augusto Melo, que teve o impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo do clube na noite da última segunda.
Stábile, que era vice-presidente, comandará o Corinthians até que uma assembleia de sócios decida o futuro de Augusto Melo, o que precisa ocorrer em até 60 dias.
O interino afirmou que, apesar de estar na gestão, não participava das decisões do clube e falou sobre o que encontrou na administração alvinegra.
"Nós, os vice-presidentes, estávamos afastados da gestão. O presidente entendia que a gente não participasse da gestão. Não fomos chamados para nada. Não tivemos a oportunidade de conhecer a situação do Corinthians", disse ele.
"Primeiro a gente começa pela questão financeira, o jurídico e a administração. Terra arrasada é porque temos que pagar alguma coisa e não tem dinheiro. Onde está o dinheiro? Não tem. Temos que correr atrás para conseguir".
Presente na entrevista, o vice-presidente Armando Mendonça citou o risco de o Corinthians perder os benefícios do Profut, programa do Governo Federal para regularizar débitos.
"Foram informadas questões que nosso caixa estava em ordem, com dinheiro, tudo sob controle, e isso não é verdade. Nossa situação financeira é delicada, temos compromissos enormes para serem cumpridos. Uma situação grave que precisam saber é que nós corremos o risco de sair do Profut, isso é uma preocupação. Não sabíamos, tivemos conhecimento hoje pela manhã. Ninguém sabia dessa questão".
"Não podemos ficar com três parcelas atrasadas (do Profut). Vence uma parcela de R$ 3 milhões que temos que pagar. Fomos no caixa e não tinha", complementou Stabile.
Segundo informações da gestão Augusto Melo, o caixa do clube possui R$ 5 milhões destinados ao pagamento da parcela atrasada do Profut.
Stábile garantiu a permanência do executivo de futebol Fabinho Soldado e pediu união entre as diversas correntes políticas o Corinthians.
Nos próximos dias, ele vai anunciar mudanças em alguns cargos na diretoria.
"Gostaria de pedir uma trégua política para as linhas do clube, que entendam que o momento é de ajuda. Não é momento de buscar críticas, querendo mudar a situação. É momento de uma trégua".
Veja outros trechos da coletiva de Osmar Stabile no Corinthians:
Nova gestão:
"Corinthians é mais importante de ser pensado daqui para a frente. O que aconteceu no Conselho Deliberativo, todos tomaram conhecimento. Nós estamos aqui para dar sequência ao trabalho, alguns bem e outros não. Vamos trabalhar para pensar sempre no Corinthians. Quero deixar claro que se a gente não se empenhar de resolver os problemas olhando para frente, ficaremos reféns do passado. O passado é importante para entender o presente. Vamos realizar a gestão transparente, que vai trazer benefícios. Tudo o que for bom, estaremos juntos. Caso a caso, função a função, mudar a sistemática. Queremos fazer gestão à vista dos trabalhos, com planejamento e dedicação".
Categorias de base:
"Pedimos uma análise profunda de todos os jogadores. Aqueles que têm tempo de jogo e ver quem pode e quem não pode ficar. Temos que fazer uma análise crítica. Não tenho hoje as informações necessárias. Vamos tomar ações imediatas para que possamos ver se podem dar resultado. Vamos caso a caso. Ainda não conversei com o Alex Brasil, mas tenho reunião agora de tarde".
"Usamos termos benéfico para o Corinthians. O que for, vai continuar. Sobre a amizade, o Corinthians fica acima disso. Amizade é lá fora. Não sei com quem tenho amizade da base. Temos amizades em diversas correntes políticas. Não dá para conhecer por nomes todos. Queremos mostrar que se a função é benéfica, as pessoas vão continuar. Não tem como continuar, caíram na base (Claudinei Alves)".
Situação financeira: O que fizemos agora é saber: você tem o fluxo de caixa.
O fluxo é esse?
Tem que pagar, mas não tem dinheiro.
Tem que saber o planejamento, que dia cai o dinheiro, que horas cai o dinheiro, se não tenho que correr para pegar o dinheiro lá fora.
Preciso entender o que temos de planejamento para o futuro.
Temos que correr na frente, essa é a filosofia.
É chegar e ver que precisa pagar R$ 3 milhões, mas não tem dinheiro.
Sai todo mundo maluco, e isso não é jeito de administrar.
Precisamos buscar uma condição melhor para fazer esse planejamento.
Relação política no Corinthians:
"Queremos cumprir o estatuto. Quando não cumpre, aí os órgãos brigam. Sem as informações, não tem como tomar as ações. O meu relacionamento com presidente do Conselho, do Cori, do Fiscal, é ótimo. Estão pensando no Corinthians. Vou procurar cumprir da melhor forma possível e doa a quem doer. É o nosso trabalho. Temos que passar o Corinthians a limpo. Esse é o momento. Não dá para ficar do passado".
Mudanças na diretoria:
"Diretoria acaba caindo, temos que organizar. Tivemos algumas reuniões para saber quem poderíamos trazer pessoas. Ainda é cedo para falar sobre isso, mas em breve marco uma outra reunião para informar quais são os diretores de cada área".
Financiamento dos vídeos sobre a Ditadura de 1964:
"Meu nome é Osmar Stabile. Sou empresário da área metalúrgica. Sou especializado em gestão. Sou formado em gestão esportiva e administração. Já pedi as desculpas necessárias, nem gostaria de falar desse assunto, pois não podemos falar de política e religião. Todos que pensam de outra forma, é corintiano e está conosco. Pedi desculpas aos que se sentiram prejudicados, errei, digo que errei, e estou aqui para falar: o presidente é o Luiz Inácio Lula da Silva e torço para ele dar certo. Dou empregos, tenho empresas, e quero que o Brasil dê certo. E já votei algumas vezes nele".
Candidatura à presidência:
"Não passou pela minha cabeça, não é momento de falar de política nesse momento. Não temos que falar quem é candidato ou que não é. Precisamos tirar o Corinthians disso. Não vou falar sobre essa situação e gostaria que ninguém falasse sobre isso nesse momento. Que deixem para falar de política no momento que tem que ser. É hora de baixar a cabeça e se dedicar que temos que resolver".
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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