Empresário que conduziu negociação com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anota novo pedido de Ancelotti: "Quer sambar".
Assessor financeiro de mais de 100 jogadores, Diego Fernandes se torna onipresente ao lado do italiano em processo que durou 3 meses.
Houve quem comentasse que a foto de Carlo Ancelotti a bordo de um jatinho a caminho do Rio de Janeiro no domingo (25), abraçado a um homem de cabelos longos e camisa retrô da Seleção, havia saído de ferramenta de inteligência artificial.
Mas a imagem era real. Diego Fernandes é o empresário que acompanhou toda a negociação pela CBF com o Real Madrid.
Mesmo sem um cargo na entidade, ele não pode ser chamado exatamente de estranho no ninho.
Na segunda-feira (26), o empresário se emocionou ao recordar que ficou 3 meses longe dos 2 filhos.
Em processo que contou com altos e baixos, o final feliz se materializou com a apresentação de Ancelotti à Seleção.
A negociação, que era complicada desde o início, ainda contou com o obstáculo de um presidente a ponto de cair na CBF.
Com sapatos pretos mocassim, blazer e calça cinzas e camisa clara aberta, Diego, de 39 anos, concilia o mercado financeiro e o glamour no mundo do esporte, mas não só do esporte, antes de voltar ao Brasil, marcou presença no festival de cinema de Cannes, na França.
Com experiência anterior na bolsa de valores de São Paulo, hoje ele é CEO da O8 Partners, uma empresa que fundou e tem mais de 100 clientes e ex-atletas de futebol.
Ele conheceu a maioria fazendo câmbio de moedas estrangeiras para os atletas e assessoria de investimentos.
Assim, passou a ser figurinha carimbada em grandes eventos esportivos.
"Tenho uma relação com jogadores que eu conheço já há bastante tempo. O Neymar é um deles. Conheço o pai, conheço o pai de vários outros jogadores de futebol, conheço dos estádios que frequento e acabei criando vínculo com familiares", conta Diego.
Na primeira fileira da entrevista coletiva do treinador italiano na segunda-feira (26), Diego estava acompanhado de equipe de filmagem para captar os melhores ângulos do destaque que teve em toda a participação da contratação do treinador.
Garante que vai voltar à arquibancada como torcedor da Seleção, mas antes vai aproveitar para cumprir mais alguns pedidos do técnico.
Pedidos especiais.
"Ele está louco para conhecer o Corcovado. Carlo quer viver o Rio intensamente, quer viver o Brasil, os brasileiros. Pediu para ir a uma escola de samba, ele quer sambar. Ele vai ser muito bem recebido por todos os brasileiros, ele e a esposa dele, a Mariana", contou Diego, entusiasmado.
Confiança: Com amizade antiga com a família Assis, dos irmãos Ronaldinho e Assis, Diego é um apaixonado por futebol.
As relações com a CBF foram abertas tanto no convívio com jogadores quanto com patrocinadores.
Passou a frequentar hotéis e jogos da Seleção pelo mundo.
No início da negociação com Ancelotti, o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, escolheu o empresário por ser um nome desconhecido no meio esportivo.
A “identidade secreta” foi descoberta no jogo entre Real Madrid e Arsenal no Santiago Bernabéu, quando a imprensa espanhola relatou que ele estava no estádio para negociar a ida do treinador para a Seleção.
Na ocasião, a CBF negou relação com Diego.
Apesar da dificuldade da negociação, a instabilidade política da CBF era um dos principais fatores, Diego Fernandes diz que sempre esteve confiante no acerto.
Tratou, por exemplo, como especulação a insatisfação do presidente do Real Madrid, Florentino Peréz, nas últimas semanas antes do anúncio.
Afirma que nunca houve portas fechadas pelo dirigente espanhol em todo o processo.
"Normalmente, no mercado financeiro você é mais frio. Porque faz parte uma negociação dar certo, dar errado. Essa envolvia paixão, envolvia o amor de um apaixonado pelo futebol. Então era uma pressão realmente maior. Existia dificuldade porque o Carlo tinha contrato com o Real Madrid. Mas eu tenho que agradecer ao Florentino, ao Sánchez (diretor-geral do clube), eles foram incríveis. Foram muito especiais".
Pelo trabalho de intermediação, Diego vai receber comissão da CBF.
De volta a São Paulo na tarde de segunda-feir (26), ele vai retornar ao Rio para encontrar novamente Carleto e fazer as vezes de guia turístico do novo amigo.
Aliás, a camisa retrô que usava no avião que o trouxe ao Brasil era uma réplica de 1962, mais particularmente de Mané Garrincha, ídolo brasileiro. Mais um pedido do técnico italiano.
"Ele achou linda a camisa. Vamos providenciar uma para ele".
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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