O que restou do Olímpico: antigo estádio do Grêmio recebe cinzas de gremistas e treinos de tiro.
Desativado desde 2014, o Estádio Olímpico Monumental virou cenário de treinamentos policiais, homenagens póstumas e ponto turístico para torcedores e curiosos.
Quem passa pelo bairro Azenha, em Porto Alegre, cruza com uma construção que ocupa quarteirões, com muros pichados, em processo de demolição e com mato, que dão a impressão de um lugar já não mais habitado.
Mas ali já foi a casa do Grêmio, palco de glórias, vivo no imaginário de milhões de amantes do futebol.
Desocupado desde 2014, o Estádio Olímpico Monumental aparenta estar abandonado, mas ainda abriga vida.
Apesar de não receber mais jogos desde a inauguração da Arena do Grêmio, o "Velho Casarão" segue sob responsabilidade do clube e conta com vigilância terceirizada 24 horas por dia.
O que acontece dentro dos portões, no entanto, vai além da segurança patrimonial.
O espaço passou a ser utilizado para atividades que, embora incomuns para um estádio de futebol, mantêm o local em funcionamento.
Em outros momentos, o estádio já serviu como garagem de ônibus para a Carris (operadora de transporte coletivo de Porto Alegre) e ponto de coleta de doações para vítimas das enchentes no estado.
Ano passado, o estádio foi reaberto para a festa de aniversário de 121 anos do clube.
Este ano, recebeu gremistas que buscaram as pistas para encontrar as novas camisas, lançadas pela New Balance.
Centro de treinamento: Uma das movimentações mais curiosas é a presença de forças de segurança pública.
Com a vegetação alta e a ausência de circulação de pessoas, o terreno oferece condições ideais para simulações de ambientes hostis.
Por isso, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil utilizam o espaço para treinamentos de tiro.
Os disparos, autorizados pelo Grêmio, podem ser ouvidos por moradores da região, mas não representam risco à comunidade.
Pátio do estádio é local para homenagens póstumas: O Olímpico também se tornou um local de despedidas.
O Globo Esporte apurou que o clube é procurado por familiares de torcedores falecidos que desejam espalhar as cinzas no terreno.
Os pedidos são analisados individualmente, e em alguns casos, autorizados.
Quando aprovadas, as cerimônias são discretas: um parente ou amigo entra no pátio do estádio e larga as cinzas próximo a uma árvore, ao lado de onde ficava o antigo campo suplementar.
O espaço passou a receber cinzas de apaixonados que queriam uma despedida relacionada ao clube do coração.
Segundo o ge apurou, as homenagens ocorreram com frequência nos últimos anos no Olímpico.
Torcedores e turistas visitam o Olímpico em busca de lembranças: O saudosismo é outro elemento que mantém o Olímpico vivo.
Torcedores tentam acessar o local para registrar imagens ou levar uma lembrança.
A entrada no estádio é geralmente vetada por questões de segurança.
Mas o ge ouviu que houve casos de pessoas que conseguiram acesso, como um turista de Senegal que pediu aos seguranças para entrar.
O Globo Esporte apurou que, em uma das situações, uma idosa chegou ao estádio com auxílio de um cilindro de oxigênio e pediu aos seguranças para levar um pedaço do estádio para casa.
Casos como esse se repetem, com visitantes de diferentes partes do Brasil e até do exterior, que chegam ao bairro Azenha movidos pela curiosidade.
Mesmo sem jogos, o Olímpico Monumental continua sendo um ponto de encontro entre memória e realidade.
O que antes era palco de grandes conquistas, hoje abriga histórias silenciosas, que mantêm viva a relação entre o torcedor e o clube, mesmo que em ruínas.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro