CBF (Confederação Brasileira de Futebol) registra queda de receita e fecha 2025 com déficit de R$ 182 milhões.
Entidade teve retração de 8,4% no faturamento anual, aumento de 110,5% nos custos operacionais e impacto direto da nova estrutura de comercialização do Campeonato Brasileiro da Série A e Campeonato Brasileiro da Série B.
A CBF registrou queda de 8,4% na receita bruta e encerrou 2025 com déficit de R$ 182,48 milhões após mudanças na comercialização dos direitos do Campeonato Brasileiro.
Os custos operacionais e administrativos da entidade cresceram 110,5%, enquanto as receitas com direitos de transmissão recuaram 12% no período.
Mesmo com resultado negativo, a confederação manteve R$ 1,99 bilhão em caixa e ampliou os investimentos no futebol para R$ 1,18 bilhão em 2025.
A CBF encerrou 2025 com retração em suas principais receitas e resultado financeiro negativo, em um cenário diretamente impactado pela reformulação do modelo de comercialização dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.
A receita bruta da entidade caiu de R$ 1,302 bilhão em 2024 para R$ 1,193 bilhão em 2025, redução de 8,4% em relação ao exercício anterior.
O movimento acompanha a implementação do novo ciclo de mídia do futebol brasileiro, no qual Libra e Futebol Forte União (FFU) passaram a negociar de forma independente os direitos do Campeonato Brasileiro da Série A e Campeonato Brasileiro da Série B.
Com isso, receitas historicamente administradas pela CBF passaram a ser negociadas diretamente pelos blocos de clubes, deixando de integrar a estrutura comercial da entidade.
O relatório financeiro da confederação evidencia essa transição ao não incluir do Campeonato Brasileiro da Série A e Campeonato Brasileiro da Série B entre os ativos relacionados à arrecadação de direitos de transmissão.
Os contratos passaram a ser negociados diretamente pelos blocos de clubes com empresas como Globo, Prime Video, Record e CazéTV.
A própria entidade reconhece o impacto da mudança no documento de apresentação das demonstrações financeiras.
Segundo a CBF, a variação nas receitas das competições nacionais está ligada à migração dos clubes para a gestão direta de seus ativos comerciais e audiovisuais.
Mesmo com a retração nas receitas, os investimentos da entidade no futebol seguiram em expansão.
O aporte total atingiu R$ 1,18 bilhão em 2025, crescimento de 9% em relação ao ano anterior.
Apenas as seleções brasileiras consumiram R$ 420 milhões, sendo R$ 281 milhões destinados à equipe principal masculina.
O futebol feminino recebeu R$ 94,251 milhões, enquanto as categorias de base tiveram investimento de R$ 44,709 milhões.
Os repasses às 27 federações estaduais cresceram 32%, totalizando R$ 80 milhões voltados ao desenvolvimento regional, modernização de infraestrutura e organização de competições locais.
Já os custos com torneios nacionais somaram R$ 477,2 milhões, abrangendo despesas operacionais como logística, arbitragem e controle antidoping.
O resultado financeiro consolidado do exercício foi deficitário em R$ 182,48 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,657 milhões registrado em 2024.
Além da queda nas receitas, o cenário foi pressionado pelo forte crescimento das despesas operacionais e administrativas, que saltaram de R$ 208,291 milhões para R$ 438,354 milhões, avanço de 110,5%.
A principal linha de arrecadação da entidade, ligada a direitos de transmissão e propriedades comerciais, totalizou R$ 637,903 milhões em 2025, queda de 12% em comparação aos R$ 723,900 milhões registrados no exercício anterior.
O montante engloba ativos como Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro da Série C e Campeonato Brasileiro da Série D, competições femininas e torneios de base.
As receitas de patrocínio também apresentaram leve retração.
O total arrecadado foi de R$ 437,931 milhões, redução de 3% em relação a 2024.
Apesar do déficit, a entidade encerrou o período com ampla disponibilidade financeira.
O ativo circulante da CBF soma R$ 2,41 bilhões, enquanto a reserva financeira da confederação encerrou o período em R$ 1,99 bilhão, com recursos majoritariamente alocados em fundos conservadores.
O balanço patrimonial ainda aponta passivo total de R$ 2,131 bilhões, impulsionado principalmente por provisões para contingências tributárias, cíveis e trabalhistas, além de receitas antecipadas.
Apenas a provisão para contingências encerrou o ano em R$ 671,6 milhões, concentrada principalmente em disputas fiscais ligadas à cobrança de Cofins.
Reportagem: Mktesportivo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro