Recorde de artilheiro, WO e média de gols alta...
Histórias da decisão do terceiro lugar nas Copas do Mundo.
Visto por muitos como o jogo mais desinteressante da competição, a disputa do terceiro lugar também reserva boas histórias nos Mundiais.
Inglaterra e França decidem o "bronze" neste sábado (18).
Apesar de ser uma tradição que ocorre desde a segunda edição, em 1934, a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo muitas vezes é vista como a partida mais desinteressante da competição.
Afinal, reúne os dois perdedores das semifinais, que estiveram perto de decidir o título, mas que precisam "juntar os cacos" para entrarem em campo mais uma vez.
Missão que dessa vez cabe a França e Inglaterra.
Mas ao longo dos Mundiais, a decisão do terceiro lugar já reservou boas histórias.
Como o gol mais rápido das Copas do Mundo, o recorde de gols de um jogador em uma única edição, além de representar, em alguns casos, a melhor colocação de um país na competição.
O Globo Esporte levantou algumas dessas curiosidades:
Vitória por WO: Na primeira edição da Copa do Mundo não havia previsão de uma disputa de terceiro lugar entre os derrotados das semifinais.
No entanto, durante a competição, a ideia foi sugerida pelo comitê organizador.
Mas, inconformada com a atuação do árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rêgo na semifinal contra o Uruguai, a Iugoslávia se recusou a disputar a partida.
Com isso, os Estados Unidos terminaram "herdando" a terceira posição, melhor colocação do país até hoje na história.
Decisão "indireta" pelo terceiro lugar: Outra Copa do Mundo que não previa uma decisão de terceiro lugar foi a de 1950, no Brasil.
Até porque ela sequer previa uma final.
Pelo regulamento, único na história dos Mundiais, o título seria decidido em um quadrangular.
Mas quis o destino que na última rodada apenas Brasil e Uruguai chegassem com chance de título e se enfrentassem no Maracanã, com os brasileiros jogando pelo empate (a derrota virou o Maracanazo).
Assim, Espanha e Suécia, já sem chances, jogaram paralelamente, no mesmo dia e horário, no Pacaembu, valendo o terceiro lugar.
Os suecos venceram os espanhóis (que jogavam pelo empate) por 3 a 1, em uma partida com a presença de pouco mais de 11 mil torcedores, e ficou com o terceiro lugar.
Quadra de Fontaine: Até hoje, o maior artilheiro da história das Copas do Mundo em uma única edição é o francês Just Fontaine, com 13 gols em 1958, na Suécia.
Marca alcançada graças à decisão do terceiro lugar, quando a França venceu a Alemanha por 6 a 3, com quatro gols de Fontaine.
Se não fosse isso, o atacante ainda seria o artilheiro daquela edição, mas com 9 gols, mesmo número do brasileiro Ademir de Menezes, artilheiro da Copa do Mundo de 1950, e do português Eusébio, em 1966.
Fontaine também ficaria atrás do húngaro Sándor Kocsis, goleador do Mundial de 1954, com 11 gols, e do alemão Gerd Müller, que fez 10 gols em 1970.
Orgulho de ser terceiro: Se para França e Inglaterra, ambas campeãs mundiais, disputar o terceiro lugar não significa muita coisa, para outros países esse jogo representou a melhor campanha em Copas do Mundo, como a Áustria, terceiro lugar em 1954, o Chile, em 1962, Portugal, em 1966, Polônia, em 1974 e 1982, Turquia, em 2002, e a Bélgica, em 2018.
Além disso, outras seleções que viriam a ter melhores colocações no futuro, tiveram na disputa do terceiro lugar seus primeiros grandes feitos em Copas do Mundo.
É o caso do Brasil, terceiro lugar em 1938, com o artilheiro Leônidas da Silva, da Alemanha, terceira em 1934, da França, terceira em 1958 e 1986, e da Croácia, que antes de ser vice em 2018, foi terceiro lugar na Copa de 1998, a primeira que disputou.
Gol mais rápido das Copas do Mundo: A disputa do terceiro lugar também possui um recorde.
Afinal, o gol mais rápido da história dos Mundiais saiu na decisão do bronze da edição de 2002, quando o turco Sükür precisou de apenas 11 segundos para balançar as redes da Coreia do Sul.
Os turcos venceram por 3 a 2.
Países que mais disputaram o terceiro lugar: Seleção com mais presença em finais de Copa do Mundo, com 8 vezes, a Alemanha também é a que mais vezes decidiu o terceiro lugar.
Foram 5 vezes, com 4 vitórias e 1 derrota.
Com a decisão deste ano, a França igualou o Brasil na segunda posição, com 4 disputas.
Os brasileiros venceram a Suécia, em 1938, e a Itália, em 1978, e foram derrotados pela Polônia, em 1974, e pela Holanda em 2014 por 3 a 0, 4 dias depois do histórico 7 a 1 para a Alemanha.
Média de gols igual a das finais: Curiosamente, a média de gols das decisões do terceiro lugar é rigorosamente a mesma das finais: 3,8 gols por partida.
Além disso, nunca houve um 0 a 0 na disputa da medalha de bronze, placar que já foi registrado uma vez na decisão do título, na Copa do Mundo de 1994, vencida pelo Brasil sobre a Itália nos pênaltis.
Por sinal, também nunca houve uma disputa de penalidades valendo o terceiro lugar.
As disputas do terceiro lugar nas Copas do Mundo:
1934: Alemanha 3 X 2 Áustria
1938: Brasil 4 X 2 Suécia
1954: Áustria 3 X 1 Uruguai
1958: França 6 X 3 Alemanha
1962: Chile 1 X 0 Iugoslávia
1966: Portugal 2 X 1 União Soviética
1970: Alemanha 1 X 0 Uruguai
1974: Polônia 1 X 0 Brasil
1978: Brasil 2 X 1 Itália
1982: Polônia 3 X 2 França
1986: França 4 X 2 Bélgica
1990: Itália 2 X 1 Inglaterra
1994: Suécia 4 X 0 Bulgária
1998: Croácia 2 X 1 Holanda
2002: Coreia do Sul 2 X 3 Turquia
2006: Alemanha 3 X 1 Portugal
2010: Alemanha 3 X 2 Uruguai
2014: Brasil 0 X 3 Holanda
2018: Bélgica 2 X 0 Inglaterra
2022: Croácia 2 X 1 Marrocos
Obs: A Copa do Mundo de 1930 não teve uma decisão de terceiro lugar e a de 1950 foi decidida em um quadrangular final.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro