"Grotesca" e "Delirante": jornais espanhóis não poupam críticas à coletiva do presidente do Real Madrid.
Para jornal catalão "Sport", Florentino Pérez mostrou sua "pior imagem" nesta terça-feira (12).
A polêmica entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (12) pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, foi alvo de críticas de pelo menos 3 dos principais jornais esportivos da Espanha.
Com a manchete "Desconcerto", o "Marca", de Madri, chamou o evento de "aparição grotesca".
Na Catalunha, as manchetes também usaram tons fortes: "Real grotesco", disse o "Sport", enquanto o "Mundo Deportivo" considerou a coletiva "Delirante".
A coletiva foi marcada de surpresa, e os jornalistas espanhóis tiveram apenas 2 horas para se dirigir à sede do Real Madrid.
Muitos acreditavam que Pérez iria fazer algum anúncio sobre a próxima temporada do time, após uma campanha sem títulos, ou comentar os casos de indisciplinas do elenco, como a briga entre Tchouaméni e Valverde na semana passada.
O presidente do Real Madrid, no entanto, surpreendeu ao dizer que brigas são recorrentes no clube, apontando que o vazamento de informações são a sua maior preocupação.
"Acho isso (briga) muito errado. Acho ainda pior que tenham tornado público. Estou aqui há 26 anos, e em nenhum deles 2 ou 4 jogadores não se envolveram em brigas. Mas isso fica dentro do clube. Quem trouxe o assunto à tona está fazendo isso porque está insatisfeito e acha que vai ser demitido. Eles trocam socos e depois viram amigos. O vazamento é pior, acho que é pior. Não é a primeira vez que dois jogadores brigam. Eles brigam toda temporada porque são competitivos. A diferença aqui é que alguém falou sobre isso pela primeira vez, e sabemos quem foi".
A temporada termina da pior forma possível: derrota para o rival Barcelona, no Camp Nou, no último domingo, em jogo que definiu o título espanhol para o Barça.
Na semana anterior, chamou atenção uma briga entre Tchouaméni e Valverde, que terminou com traumatismo craniano do uruguaio.
E essa foi a mais recente de várias outras confusões que marcaram o 2025/26 do Real Madrid.
"Eu não vou sair": Durante a coletiva, Florentino foi perguntado, mas disse que não falaria sobre futebol.
Anunciou novas eleições para o Conselho de Administração do clube, disse que não vai renunciar e destacou que "quem manda no Real são os sócios".
"Trabalhei desde o ano 2000 para que os donos do clube fossem os sócios, diferente do que acontece em outros clubes. No Madrid não existe um único dono. Foi criada uma situação absurda, provocada por campanhas para gerar uma corrente de opinião contrária aos interesses do Madrid e, especialmente, contra mim. Resolveram agir para tentar me tirar daqui. Mas eu não vou sair. Serei o último dos sócios do Real Madrid a deixar o clube".
Florentino também fez críticas à imprensa local, disse se considerar vítima de perseguição e fez questão de frisar a plenitude de sua saúde, que teria sido colocada em dúvida por jornalistas.
Chegou a discutir com repórteres presentes na coletiva.
"Dizem que eu não existo, que estou doente. Alguns chegaram a dizer que tenho câncer terminal. Aproveito para tranquilizar as pessoas que se preocuparam comigo. Todos os dias sigo presidindo o Real Madrid e também a minha empresa. Minha saúde é perfeita".
"Preciso vir a público para frear tudo isso, porque não posso admitir, como presidente do Madrid, que existam pessoas nos meios de comunicação tentando se aproveitar porque neste ano não ganhamos La Liga ou a Champions. Faz menos de dois anos que ganhei uma La Liga e uma Champions, mas isso já foi esquecido. Agora dizem por aí que o Madrid é uma ruína, um caos. Como pode ser um caos se é o clube mais prestigiado do mundo e isso é reconhecido por todos?", comentou Florentino Pérez, presidente do Real Madrid.
Vice-campeão de LaLiga, o presidente do Real Madrid também fez questão de lembrar de um escândalo envolvendo o maior rival, Barcelona.
Florentino Pérez afirmou preparar um dossiê para enviar à UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) sobre os pagamentos enviados pelo Barça a responsáveis pela arbitragem espanhola, entre 2011 e 2018.
"Há 3 anos descobrimos que estávamos enfrentando um caso de corrupção sem precedentes na história do futebol mundial. É o maior escândalo da história do futebol. É incompreensível que ainda estejamos vendo árbitros daquela época atuando em uma competição organizada pela La Liga. Estamos preparando um dossiê importante que vamos apresentar imediatamente à UEFA para que ataque o problema pela raiz e resolva um caso que é importante para o bem do futebol mundial, como o chamado Caso Negreira".
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro






