Torcedor solitário do Athletico vai até Belo Horizonte para apoiar em jogo decisivo contra o Atlético-MG.
Mesmo com a partida sendo em portões fechados, Igor Stocco decide ficar perto do Furacão em momento importante para o clube.
Na concentração do Athletico em Belo Horizonte, um torcedor com a camisa 8, e o nome do maior artilheiro da história do clube, Sicupira, esperava o time com os olhos marejados e o coração acelerado.
"Esperança era de ver o jogo, não deu certo. Mas se o time está aqui, estou aqui, se for para ficar, para cair, estamos juntos até o final".
Mesmo sabendo que o jogo contra o Atlético-MG será com os portões fechados, Igor Stocco, de 27 anos, viajou quase 1000 quilômetros de Curitiba para Belo Horizonte para, como diz a música cantada pela torcida, “seguir o time em toda parte”.
"Tudo que eu quero é passar energia. Vim de longe até o hotel só para poder transmitir alguma coisa, dar um grito para eles e falar para eles acreditarem, que saibam que estou aqui fora, e que, de coração, estamos juntos".
A passagem foi comprada em novembro, antes de o Atlético-MG ser punido com a perda 6 mandos de campo por causa de cenas de violência depois da final da Copa do Brasil.
Mesmo assim, Igor fez questão de estar ao lado de um Athletico que, no ano de seu centenário, na última rodada, luta para permanecer na elite do futebol brasileiro e evitar o maior fracasso da sua história.
"Esperança. Esperança acima de tudo. E só confiar que se souberem que não estão sozinhos, que dê um vigor a mais para gente ganhar esse jogo. Não é do jeito que muita gente esperava. Mas não é por conta do resultado dentro de campo que devíamos evitar viver esse ano, se tenho gravado tudo que tenho na pele e no peito, está na história".
Na chegada dos jogadores, Igor foi apoiando cada um deles.
Falava que não poderia estar no estádio com eles, mas que estaria de coração.
Pediu para que acreditassem até o final.
E ouviu do diretor técnico Paulo Autuori a seguinte frase:
"Tiro o chapéu para você, muito obrigado".
Igor tem cravado na pele o ano de fundação do Athletico, 1924, e carrega uma bandeira e se autointitula “o Fantasma da Baixada”, com os dizeres “desde que passou a ser minha vida, a morte não temo”.
"Eu brinquei um pouco com o hino do clube: Rubro-Negro é quem tem raça e não teme a própria morte. Então, escrevi ali embaixo que desde que passou a ser minha vida, a morte não temo. Esse clube já me salvou, é um sentimento que perdura".
Ele ainda não sabe onde vai assistir o jogo, mas neste momento admite que o nervosismo se mistura a esperança.
"Amanhã vou chorar um pouco de felicidade, de nervosismo. De tristeza espero que não. Eu queria mesmo entrar no estádio, mas vou em algum lugar gritar com torcedores do Cruzeiro, do América, até o fim".
Athletico e Atlético-MG jogam neste domingo (8), às 16 horas (horário de Brasília), na Arena MRV.
O Athletico precisa de uma vitória para garantir a permanência na Série A do Campeonato Brasileiro.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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