Treinadora bicampeã no Chile vê intercâmbio como diferencial para o futebol feminino no país.
Tatiele Silveira, que conquistou o segundo título pelo Colo-Colo, cita importância do Brasil para a evolução do esporte na América do Sul: "As referências positivas nos trazem reflexos".
Treinadora desde 2008, quando começou na categoria sub-17 do Porto Alegre, Tatiele Silveira é um dos nomes importantes do futebol feminino não apenas no Brasil.
Primeira e única técnica campeã do Campeonato Brasileiro Feminino, pela Ferroviária, ela tem sido peça importante na evolução do esporte no Chile, onde venceu recentemente o bicampeonato nacional com o Colo-Colo.
Com o futebol feminino em ascensão no país, a treinadora lidera a equipe local desde 2023.
Para ela, a experiência brasileira no esporte tem sido importante também para os outros países sul-americanos.
"Tudo o que eu passei de 2019 para agora estou vivendo no Chile. Eu vejo como é importante ter referências e, muitas vezes, as referências positivas nos trazem reflexos em outros lugares. Estamos no caminho da profissionalização, a confederação com as competições maiores e o investimento no futebol de base", comentou ao Globo Esporte.
No Brasil, a modalidade evoluiu mais após a obrigatoriedade imposta pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) para a criação de equipes femininas aos participantes da Taça Libertadores da América e também depois da Copa do Mundo de 2019, que teve ótimos números de transmissão.
Há cinco anos, os clubes do Campeonato Brasileiro masculino também são obrigados a manter times femininos.
Quando chegou ao Chile para comandar o Colo-Colo, o futebol feminino no país passava pelo mesmo momento de transformação.
As boas e más experiências foram referências para a evolução do clube nos últimos anos.
Atualmente, a profissionalização do futebol feminino tornou-se obrigatória no Chile.
Há um movimento com ex-atletas que tem como objetivo o fortalecimento da modalidade.
"Tem um movimento muito grande e muito bacana de ex-atletas, com encontros com a confederação para levar esses pontos principais. Acho que os exemplos positivos precisam ser replicados, claro que respeitando a cultura", disse.
O que a Copa do Mundo pode oferecer?
O Brasil irá sediar a Copa do Mundo feminina de 2027, após vencer a candidatura tripla de Holanda, Bélgica e Alemanha.
A treinadora do Colo-Colo acredita que a competição pode trazer grandes mudanças para todos os países sul-americanos.
"O Mundial no Brasil vai refletir no Chile, vai refletir nos países sul-americanos e todos nós ficamos muito felizes. Todos torciam muito", afirmou.
"Eu estava muito ansiosa por esse momento. Ver esse sonho ser realizado é emocionante e espero que seja um legado muito grande para o nosso futebol feminino. A categoria se fortaleceu e mostramos o engajamento de torcida, de clubes. Vejo a Copa do Mundo vindo para colocar uma energia que o futebol feminino precisa", completou.
A presença de público nos estádios é um dos temas que geram debate, principalmente pensando na Copa do Mundo de 2027.
O futebol brasileiro feminino mostra capacidade de atrair atenção, mais em momentos de decisões de campeonato.
A final do Campeonato Brasileiro, por exemplo, entre Corinthians e São Paulo, teve a presença de 44.529 pessoas na Neo Química Arena.
"É um trabalho em conjunto de todos. Nós, como participantes desse futebol feminino, temos uma responsabilidade de trazer esse torcedor e mostrar o profissionalismo desse trabalho. Temos um período para unir forças".
"A Copa vai trazer investimento, um legado cultural, vai levar a cultura brasileira para outros países e de uma forma diferente. É diferente um Mundial masculino e feminino".
A Copa do Mundo será disputada entre os dias 24 de junho e 25 de julho de 2027 no Brasil.
Ao todo, serão utilizados dez dos 12 estádios do Mundial masculino de 2014.
O trabalho no Colo-Colo: Tatiele Silveira conquistou o bicampeonato chileno com a equipe do Colo-Colo nesta temporada de 2024, a sua segunda com a equipe.
Com mais de 80% de aproveitamento no clube, a treinadora renovou por mais duas temporadas e vai permanecer no Chile pelo menos até o final de 2026.
"Feliz e emocionada por realmente estar fazendo parte da história do Colo-Colo, que é um time com tanta tradição no futebol feminino. Acho que isso faz parte desse trabalho a longo prazo, do qual eu fui contratada. Me chamaram para eu realmente trazer uma ideia diferente, métodos diferentes", contou Tatiele.
Ao levantar o bicampeonato chileno, Tatiele relembrou a conquista do Campeonato Brasileiro Feminino de 2019 com a Ferroviária e contra o Corinthians.
"Foi um divisor de águas na minha carreira. Sempre me preparei muito, busquei me capacitar de todas as formas. Coroar essa caminhada com um título nacional é sensacional. Como treinadora é diferente, porque é como contribuir com nosso grupo de atletas. E, de uma maneira pessoal, é representar tantas mulheres".
Tatiele vive atualmente outro momento no país.
Hoje ela comanda o clube que ganhou o status de "equipe a ser batida" e almeja mais sucesso, agora pensando também na Taça Libertadores da América.
O Colo-Colo é o clube com mais participações no torneio (11) e foi campeão em 2012, quando venceu o Foz Cataratas, do Brasil, na decisão.
Com passagem pela base no início da carreira, a profissional, que teve experiência na seleção brasileira feminina como auxiliar do técnico Luis Ribeiro, na categoria sub-17, acredita que o trabalho com as jogadoras mais jovens é fundamental para o fortalecimento do esporte a longo prazo.
"Hoje vejo que essa nova fase que estamos vivendo na CBF é de organização. Manter as convocações, ter comissões técnicas completas… Isso faz a diferença. Acredito que 90% da Seleção que é convocada passou pelo processo (da base). Elas chegam para o Arthur Elias com outro nível de conhecimento", afirmou, que ressalta a importância do Brasil sediar o Mundial.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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