Ucraniano desclassificado dos Jogos por usar capacete polêmico diz que perdeu chance olímpica.
Após deixar Cortina d'Ampezzo, Vladyslav Heraskevych aguarda definição de apelação à Corte Arbitral do Esporte.
Desclassificado dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026, na última quinta-feira (12), por utilizar um capacete com fotos de mais de 20 atletas mortos durante a guerra na Ucrânia, o atleta do skeleton Vladyslav Heraskevych afirmou não ter mais chances de voltar à competição, já que ficou fora das duas primeiras corridas da modalidade.
Apesar de acreditar ter finalizado sua participação olímpica nesta edição, o ucraniano foi ouvido pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) por cerca de 2h30 nesta sexta-feira (13), e ainda conta com um retorno positivo de sua apelação.
"Eu disse que estava certo desde o primeiro momento. Eu não tenho nenhum arrependimento disso", declarou Heraskevych.
O atleta foi desclassificado cerca de 45 minutos após o início das provas, na manhã de quinta-feira (12), e não pôde disputar as duas primeiras corridas.
A terceira e a quarta corridas serão disputadas na tarde desta sexta-feira (13).
Heraskevych, no entanto, já não tem chances de subir ao pódio, ainda que vença a duas últimas provas.
O ucraniano já deixou a Vila Olímpica de Cortina d'Ampezzo e disse que não tem planos de voltar às montanhas durante estes jogos.
A desclassificação de Vladyslav foi justificada pelo Comitê Olímpico Internacional como um descumprimento das "Diretrizes do COI (Comitê Olímpico Internacional) sobre Expressão dos Atletas".
A organização permitiu que Heraskevych utilizasse o capacete durante os treinamentos, mas manteve a decisão de proibir que o ucraniano estivesse com o equipamento durante as competições.
O COI argumenta que uma das razões para esse regulamento é a proteção dos atletas contra pressões de seus próprios países ou de outros países que utilizem os eventos olímpicos para fazer declarações.
Heraskevych considerou sua desclassificação injusta e ainda acrescentou que esse tipo de postura por parte do Comitê serviria de incentivo à propaganda russa, já que ele mesmo já avistou alguns atletas russos usando a bandeira do país, vetada em razão dos confrontos.
O atleta também questionou outras homenagens durante os Jogos de Milão-Cortina 2026, que não sofreram retaliações, como a do patinador artístico norte-americano Maxim Naumov, que exibiu uma foto de seus pais, falecidos em um acidente de avião no ano passado.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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