Uma década após título histórico, Leicester City vive crise e luta contra queda para terceira divisão inglesa.
Equipe perde 6 pontos na segunda divisão por violar as regras de lucro e sustentabilidade da Premier League. Especialista analisa processo: "Composição de erros esportivos".
10 anos após protagonizar uma das maiores zebras da história e vencer a Premier League, o Leicester City corre sério risco de rebaixamento para a terceira divisão.
Na última semana, o clube foi punido com a perda de 6 pontos na Championship, segundo escalão nacional, por descumprimento de regras financeiras.
Agora, é o vigésimo primeiro colocado, com 32 pontos, e só não está na zona de rebaixamento graças ao saldo de gols.
Depois do título histórico de 2015/2016, o Leicester City conseguiu se manter como uma equipe relevante por alguns anos.
Fez boas movimentações no mercado, conseguiu manter parte do elenco campeão por longo período (caso do ídolo Jamie Vardy, que só saiu em 2025) e voltou a soltar o grito de campeão em 2021, na Copa da Inglaterra.
O Globo Esporte conversou com César Grafietti, economista especializado em gestão de clubes de futebol, que explica a queda vertiginosa.
"Temos uma composição de erros esportivos que levaram a problemas financeiros. O Leicester City foi rebaixado em 2022/2023 e novamente promovido à Premier League em 2023/2024. A disputa da segunda divisão inglesa é duríssima em termos financeiros, porque todos os clubes gastam muito além da capacidade para conseguirem um lugar na elite. A tese, equivocada e que se repete no Brasil, é de que é preciso gastar para aumentar competitividade, e isso trará mais dinheiro com conquistas, e levará o clube ao equilíbrio. Não foi o que ocorreu", comentou o Economista César Grafietti, sobre crise e queda do Leicester City.
Quando caiu, em 2023, o Leicester City tinha a sétima maior folha salarial da Premier League e a maior de um time rebaixado na história do futebol inglês.
Teve um decréscimo de 48% na folha, mas ainda representava a maior da história da Championship.
Depois de ascender novamente à Premier League em 2023/2024, o Leicester City fez péssima campanha em 2024/2025 e voltou a ser rebaixado, com 17 pontos a menos que o décimo sétimo colocado.
"O Leicester City volta a disputar a Premier League vindo de um grande prejuízo e monta uma equipe cara e pouco competitiva para tentar permanecer na elite. O resultado esportivo foi muito ruim, terminando com apenas 25 pontos e um saldo negativo de 47 gols. O clube é novamente rebaixado e disputa a 2ª divisão mantendo os custos elevados, elenco desequilibrado, desempenho esportivo ruim, e receitas muito menores. Resultado é o que vemos agora", analisa César Grafietti.
O presidente Aiyawatt "Top" Srivaddhanaprabha e o diretor de futebol, Jon Rudkin, são vistos na cidade como os grandes responsáveis pela crise, assim como a ex-CEO, Susan Whelan, que deixou o cargo em outubro.
Aiyawatt Srivaddhanaprabha é um empresário tailandês, CEO da King Power, empresa que adquiriu o clube em 2010.
"Top", como é conhecido, se tornou presidente do Leicester City em 2018, após a morte de seu pai, Vichai.
Desde o último rebaixamento, os torcedores organizaram uma série de protestos no King Power Stadium, em Leicester.
A perda de pontos do Leicester City ocorreu por violar as regras de lucro e sustentabilidade da liga inglesa.
A punição foi imposta por uma comissão independente, que julgou infrações que correspondem a um período de 3 anos e termina na temporada 2023/2024.
O Leicester City descreveu a sanção como "desproporcional" e afirmou que o clube analisará os "próximos passos".
O Leicester City pecou, principalmente, ao não se planejar da melhor forma para o decréscimo financeiro ao ser rebaixado para a segunda divisão.
Na Premier League, as piores equipes ganham entre 100 e 110 milhões de libras de direitos televisivos, enquanto na Championship passam a receber algo próximo dos 5 milhões de libras.
Patrocínios e venda de ingressos (e seus preços) também reduzem drasticamente.
"Eles gastaram muito em contratos para tentar acompanhar seus rivais, mas contrataram mal e sua folha salarial inflada, que era a sétima maior da Premier League na época do rebaixamento, tornou-se um peso morto, arrastando o clube para a zona de violação das regras financeiras e restringindo qualquer investimento futuro", analisa Rob Tanner, jornalista do The Athletic, que cobre o Leicester City desde 2016.
A crise financeira e a punição com a perda dos pontos parece afetar o momento da equipe do Leicester City, que não venceu as 5 últimas partidas da Championship, com 4 derrotas e 1 empate.
O técnico Marti Cifuentes foi demitido há 2 semanas, e o time segue sem um treinador definido. Andy King, ex-jogador, que fez parte do elenco campeão em 2015/2016, tem comandado interinamente.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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