sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Nova Série B em 2026

Bastidores: quem propôs e o que está por trás dos playoffs do Campeonato Brasileiro da Série B.

Saiba qual clube foi o pai da ideia, os argumentos utilizados para defender a mudança no formato da Segundona e como sugestão chegou aos demais times.

A proposta de playoffs na Série B foi um movimento que começou em outubro de 2025, em reunião de clubes na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), e teve seu capítulo final na noite da última quinta-feira (5), também no Rio de Janeiro. 

Os 20 atuais representantes da Segunda Divisão do Brasileiro votaram quase que por unanimidade a implementação do novo modelo de disputa já para este ano. 

Mas como surgiu o tema?

Só Sport (que caiu em 2025), Náutico (que subiu em 2025) e Fortaleza (que caiu em 2025) foram contrários à proposta. 

Mas quem foi o "pai" da ideia e plantou a semente dos playoffs? 

O Globo Esporte ouviu representantes dos clubes envolvidos para entender como o modelo saiu do papel.

Todos com quem a reportagem conversou afirmam que a discussão não partiu da CBF. 

Houve um mentor: o presidente Mário Marroquim, do CRB.

Em outubro de 2025, durante reunião no Rio de Janeiro, o dirigente do clube alagoano jogou na mesa a possibilidade que se tratasse do tema.

A entidade acenou favoravelmente à ideia, mas designou aos clubes que se resolvessem.

Num primeiro momento, eles acharam a ideia "esdrúxula", ouviu o ge de uma fonte.

"Ninguém gostou. Aí depois foi aprimorando", disse um representante de uma equipe da competição que participou do arbitral quinta-feira (5) e conversou com o Globo Esporte, em anonimato.

O processo de convencimento aconteceu naturalmente. Até vir adesão quase que ampla à época. 

Em especial de Vila Nova e Atlético-GO, primeiros a embarcar na ideia de playoffs encabeçada pelo CRB. 

Em nota divulgada, o Tigre goiano também se colocou como coautor do modelo.

"Acreditamos que o novo formato traz uma vitalidade necessária à competição, gerando novos atrativos de audiência com quatro "finais" de alto valor. Além do aspecto comercial, a mudança corrige um problema técnico histórico: o limbo da tabela", diz o Vila Nova, em trecho do seu comunicado.

A possível mudança era um tema conhecido para alguns, mas fato novo para outros do torneio: os recém-promovidos Náutico, São Bernardo, Londrina e Ponte Preta, e os rebaixados Ceará, Fortaleza, Sport e Juventude. 

O que gerou certo desconforto, apesar do sim da maioria.

Em contraposição a Náutico, Fortaleza e Sport, já citados anteriormente como contrários aos playoffs, São Bernardo, Londrina, Ponte Preta, Ceará e Juventude foram no caminho da mudança.

"Quando chegamos na reunião, a CBF trouxe: 'aqui está a matéria que vocês fizeram a proposta. Estamos dando a devolutiva'. A gente ficou surpreso, porque não estávamos sabendo. Tivemos que fazer um juízo de valor imediato, na hora, para votar. Seria diferente se tivesse algo prévio, para conhecimento dos que chegaram agora", confidenciou um presidente de clube.

De maneira institucional, o Náutico deu detalhes sobre sua resposta negativa. 

Escreveu que, em votação inicial, defendeu a preservação do modelo tradicional em que sobem quatro para o Campeonato Brasileiro da Série A. 

Depois, outras 2 propostas de playoffs vieram, com o Timbu escolhendo a segunda.

Proposta 01: manutenção do modelo sem playoffs

Proposta 02 (vencedora)

Terceiro Colocado Geral X Sexto Colocado Geral

Quarto Colocado Geral X Quinto Colocado Geral

Partidas de ida e volta para definição do acesso

Melhor campanha com direito de decidir o confronto em casa

Proposta 03: 

Quarto Colocado Geral X Quinto Colocado Geral

Partidas de ida e volta para definição do acesso

Melhor campanha com direito de decidir o confronto em casa

O que está por trás dos playoffs: Alguns dos clubes favoráveis à ideia dos playoffs foram ouvidos pela reportagem para dar as devidas versões sobre o porquê de terem escolhido a mudança. 

Por qual razão mudar? 

Quais os ganhos? 

A resposta se divide em 3 tópicos a seguir:

Competição se torna mais viva. 

"Quando você está em décimo colocado, sem mais pretensões, o clube abandona o campeonato no meio do caminho, criando um desequilíbrio na competição. 

A mudança cria meritocracia e dá sobrevida a todos, tornando o campeonato mais acirrado".

Apelo das torcidas. "Os torcedores mantêm a casa cheia, porque às vezes só vão a campo pelo sonho de disputar o acesso. Se uma equipe estiver perto do sexto lugar, a torcida se inflama porque sabe que ainda existe chance de subir".

Produto valorizado. 

"A criação no fim do campeonato de quatro grandes jogos de decisão, fortalecendo a imagem dos clubes, exposição, e claro mobilização de diversos parceiros comerciais".

Os votantes a favor:

Ceará-CE (rebaixado)

Juventude-RS (rebaixado)

Ponte Preta-SP (subiu)

Londrina-PR (subiu)

São Bernardo-SP (subiu)

Criciúma-SC (mantido)

Goiás-GO (mantido)

Novorizontino-SP (mantido)

CRB-AL (mantido)

Avaí-SC (mantido)

Cuiabá-MT (mantido)

Atlético-GO (mantido)

Operário-PR (mantido)

Vila Nova-GO (mantido)

América-MG (mantido)

Athletic-MG (mantido)

Botafogo-SP (mantido)

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário