Botafogo em crise financeira: dívidas com jogadores e ordem de cortes causam incerteza na SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Com direitos de imagem em atraso, houve uma conversa entre direção e elenco antes da partida contra o Volta Redonda.
Orientação é reduzir gastos em todos os departamentos.
O Botafogo vive seu momento mais delicado financeiramente desde que se tornou SAF, no início de 2022.
Com transfer ban imposto pela FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol) por não ter pago ao Atlanta United o valor referente à contratação de Almada, o clube também está em dívida com seu elenco.
Os jogadores têm dois meses de direitos de imagem atrasados.
Como de costume nos clubes, o pagamento dos atletas é dividido entre CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e direito de imagem.
Os vencimentos da carteira estão em dia, mas o valor referente às imagens, não.
Chegou a ficar 3 meses atrasado, porém uma das folhas foi paga nesta semana.
O Botafogo quitou parte do saldo referente aos direitos de imagem antes da partida contra o Volta Redonda, na quarta-feira (21).
Nos dias anteriores, houve uma conversa entre o elenco e a diretoria sobre o assunto.
Com o pagamento de uma das parcelas sendo realizado na terça-feira (20), o grupo se apresentou na quarta de manhã para a disputa da partida, vencida pelo Botafogo por 1 a 0.
Na entrevista coletiva pós-jogo, o zagueiro Barboza relatou incômodo com a situação.
Ao ser perguntado sobre a negociação para a renovação de seu contrato, o capitão alvinegro respondeu da seguinte forma.
"Estou falando com o clube, não tem nada fechado. Eu tive várias propostas, mas a prioridade é ficar no Botafogo. Eu não quero ir embora, eu quero ficar. Tem coisa que não depende de mim. O clube primeiro tem que regularizar a situação e eu ter a certeza do que vai acontecer daqui para frente. Não tem nada fechado ainda".
Há mais dívidas com os jogadores.
Alguns atletas estão com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) atrasado, conforme informou o jornal "O Globo" nesta quinta, e outros têm luvas por receber.
O pagamento da premiação da Copa do Mundo de Clubes, disputada no meio de 2025, passou meses em atraso, mas o clube conseguiu regularizá-lo.
Pelo lado dos empresários, as comissões de algumas negociações também estão atrasadas.
O ge ouviu relatos de diferentes agentes que recomendaram nos últimos meses que seus jogadores não fechassem com o Botafogo.
Procurada pela reportagem, a SAF alvinegra não se manifestou.
Corte de gastos: No dia a dia da SAF, a ordem é cortar gastos em todos os departamentos, a redução passa também pela base do futebol masculino, que tem ameaçada sua participação em torneios de categorias fora do país, e pelo futebol feminino.
Funcionários relatam clima de insegurança e incerteza sobre o futuro.
Uma reclamação constante diz respeito à ausência de John Textor, que não aparece no Brasil desde a primeira semana de dezembro, antes do transfer ban.
O diretor de gestão esportiva do Botafogo, Alessandro Brito, admitiu na terça-feira (20) a necessidade de vender jogadores em razão dos problemas financeiros.
"Uma situação que a gente pode falar que trabalhamos no dia a dia e que fatalmente precisamos é que existe uma necessidade de venda de alguns jogadores", afirmou.
Na atual janela, o Botafogo vendeu Marlon Freitas para o Palmeiras, David Ricardo para o Dínamo de Moscou e Savarino para o Fluminense.
Não estão descartadas novas saídas para aliviar a situação financeira.
O argentino Montoro, de 18 anos, e o colombiano Barrera, de 19 anos, são considerados os maiores ativos do elenco no mercado.
Internamente, John Textor prega tranquilidade e diz que vai conseguir um aporte financeiro para resolver as pendências mais urgentes da SAF.
Nos bastidores, o discurso é que o investimento será feito por "amigos" de Textor.
O americano não estipulou data para que o aporte esteja disponível para uso do Botafogo.
Ao longo de 2025, Textor entrou em litígio com antigos sócios.
A Ares, fundo que emprestou dinheiro para o empresário comprar o Lyon em 2022, cobra a dívida na Justiça.
Em junho do ano passado, o americano deixou o comando do clube francês, para evitar o rebaixamento administrativo da equipe.
Outro fundo, o Iconic Sports Management, cobra de Textor o pagamento de US$ 97 milhões.
O litígio diz respeito à compra, feita pela Iconic em 2022, de 15,7% das ações da Eagle Football por US$ 75 milhões.
Por contrato, Textor se comprometia a recomprar a participação caso a Eagle não fosse listada na bolsa de valores, o que não ocorreu.
A Iconic cobra o valor investido acrescido de juros anuais de 11%, o que totaliza o valor da ação.
Problemas no início de 2025: O cenário de dificuldades não é inédito no Botafogo.
No início de 2025, os jogadores ameaçaram não se apresentar caso o clube não pagasse os valores atrasados.
Na ocasião, os atrasos envolviam a premiação da conquista da Taça Libertadores da América, o décimo terceiro salário e as férias.
Hoje, o Botafogo vive a punição pelo transfer ban aplicado pela FIFA em função da negociação de Almada.
A situação se arrasta há quase um mês porque o clube carioca precisa pagar US$ 21 milhões ao Atlanta United, mas ainda não há acordo com os americanos.
A proposta do Atlanta United, e da MLS (Major League Soccer), é que o valor seja pago à vista ou seja feito o pagamento de metade à vista e os outros 50% podendo ser pago em até um ano.
Internamente, Textor afirma que receberá um aporte financeiro, no entanto, não há uma data específica para o pagamento do valor.
Por enquanto, o clube contratou três jogadores: o atacante Villalba e os zagueiros Ythallo e Riquelme.
No entanto, nenhum deles pode ser inscrito em razão do transfer ban.
A janela de transferências fica aberta até o dia 3 de março.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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