Entenda o que pode acontecer com a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Guarani.
A proposta apresentada pelo empresário Roberto Graziano prevê R$ 300 milhões para a construção de uma nova arena.
A atual área poderá receber um empreendimento imobiliário com cerca de 1.200 apartamentos.
A possível transformação do Guarani em SAF pode representar também uma das maiores mudanças físicas da história do clube: a despedida do Brinco de Ouro da Princesa, casa bugrina desde 1953.
Mas a história é mais complexa do que simplesmente trocar um estádio por outro.
A proposta apresentada pelo empresário Roberto Graziano prevê R$ 300 milhões para a construção de uma nova arena, que poderá ser erguida em uma região próxima à Rodovia dos Bandeirantes.
Ao mesmo tempo, existe um projeto para exploração imobiliária da atual área do Brinco, com a construção de aproximadamente 1.200 apartamentos.
Isso não significa, porém, que o Guarani deixará imediatamente o estádio caso a SAF seja aprovada.
Pelo contrário.
A direção já afirmou que o clube não pretende sair do Brinco antes que uma nova casa esteja pronta.
A discussão também não nasceu com a SAF.
Começou há mais de uma década.
O Brinco de Ouro foi arrematado pelo Grupo Magnum, de Roberto Graziano, em leilão judicial realizado em 2015, quando o Guarani atravessava uma grave crise financeira.
A operação envolvia aproximadamente R$ 105 milhões e estabelecia uma série de compromissos além do pagamento pela área.
Entre eles estavam a construção de uma nova arena para o Guarani, um novo Centro de Treinamento e uma estrutura para o clube social.
A ideia era permitir a exploração imobiliária do terreno onde atualmente está o Brinco depois que o clube recebesse as novas instalações.
Mais de dez anos depois, porém, a nova arena não saiu do papel.
É justamente esse passado que tornou a negociação da SAF mais complexa.
Conselheiros do Guarani questionaram a possibilidade de obrigações assumidas anteriormente pelo empresário aparecerem contabilizadas dentro do pacote de investimentos da nova empresa.
A posição discutida internamente é de que uma coisa precisa ser separada da outra: compromissos da compra do Brinco já existiam antes da SAF e, portanto, não deveriam simplesmente ser apresentados como novos investimentos decorrentes da transformação do futebol em empresa.
O que prevê a nova proposta?
A operação atualmente discutida é estimada em até R$ 1,075 bilhão.
A divisão apresentada prevê R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social, R$ 300 milhões para um novo estádio, R$ 25 milhões para um Centro de Treinamento e até R$ 350 milhões relacionados ao passivo da recuperação judicial.
Pelo modelo, o Guarani permaneceria com 10% das ações da SAF e o grupo investidor teria os outros 90%.
Para o estádio, Graziano trabalha com a possibilidade de uma nova construção em uma área próxima à Rodovia dos Bandeirantes.
A localização definitiva ainda depende das etapas necessárias para tirar o projeto do papel, mas a intenção apresentada aos conselheiros é reunir a nova arena e o Centro de Treinamento na mesma região.
O empresário chegou a estimar que o estádio poderia ser concluído entre dois e três anos depois da obtenção das aprovações necessárias.
E o que aconteceria com o Brinco?
É aqui que está a maior transformação.
A perspectiva apresentada é utilizar a área atual para um grande empreendimento imobiliário, com aproximadamente 1.200 apartamentos.
O projeto seria desenvolvido ao longo de vários anos.
Na prática, se todas as etapas avançarem nos moldes discutidos, o futebol do Guarani deixaria no futuro o terreno onde está instalado desde a década de 1950 para atuar em uma nova arena.
Isso significaria o fim do Brinco de Ouro como estádio.
Não seria, entretanto, consequência automática da simples aprovação da SAF.
O destino da área está ligado ao negócio imobiliário firmado anteriormente e às obrigações decorrentes da aquisição judicial do estádio.
É justamente por isso que o tema aparece como um dos pontos mais sensíveis das conversas atuais.
Há ainda uma garantia considerada fundamental pela direção bugrina.
Em janeiro, ao explicar a negociação, o presidente Rômulo Amaro afirmou que o Guarani não pretende abandonar sua atual casa antes de receber a nova arena.
A obrigação de construção, segundo o dirigente, permanece independentemente da aprovação da SAF por estar vinculada à negociação anterior envolvendo o Brinco.
A posição busca evitar um cenário em que o clube deixe sua casa histórica sem possuir um estádio definitivo para mandar suas partidas.
Portanto, uma eventual despedida do Brinco dependeria de uma sequência de etapas: aprovação dos projetos, definição do local, construção da nova arena e cumprimento das obrigações previstas entre as partes.
Também existe outro ponto importante: a transformação ainda depende da decisão dos associados.
A votação definitiva da proposta, inicialmente prevista para o começo de setembro, foi adiada.
O novo calendário prevê reuniões nos dias 21 de setembro e 23 de setembro e votação no dia 25 de setembro.
O adiamento ocorreu para que cláusulas fossem ajustadas à recuperação judicial e à legislação da SAF.
Até lá, detalhes contratuais podem sofrer alterações.
Por isso, ainda não existe uma data para a última partida do Guarani no Brinco nem para o início efetivo da construção da nova arena.
O que existe é um projeto que, caso avance por todas as etapas, pode finalmente executar uma mudança discutida há mais de uma década.
Inaugurado em 31 de maio de 1953, o Brinco de Ouro acompanhou os momentos mais importantes da história bugrina e se transformou em um dos estádios mais tradicionais do interior do País.
Mais de 70 anos depois, sua área está novamente no centro de uma decisão que pode redesenhar o futuro do Guarani.
Reportagem: Futebolinterior.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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