sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Mulheres serão destaque nos Jogos Sul-Americanos

Guia dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026: datas, Brasil e onde assistir.

Competição começa neste sábado (12), reúne mais de 4 mil atletas e terá cerca de 500 brasileiros em 52 modalidades na Argentina.

Os Jogos Sul-Americanos 2026 começam neste sábado (12), na Argentina, reunindo mais de 4 mil atletas de 15 países até 26 de setembro. 

O Brasil terá cerca de 500 competidores em 52 modalidades e chega a Santa Fé defendendo a liderança do quadro de medalhas conquistada na edição anterior, em Assunção em 2022. 

Além da disputa por pódios, a competição terá peso na classificação para os Jogos Pan-Americanos de Lima em 2027 e na preparação para Los Angeles em 2028.

Esta será a décima terceira edição dos Jogos Sul-Americanos, principal evento multiesportivo organizado pela Organização Desportiva Sul-Americana (ODESUR). 

As competições estão concentradas principalmente nas cidades de Santa Fé, Rosário e Rafaela.

A primeira edição dos Jogos Sul-Americanos aconteceu em La Paz, na Bolívia, em 1978. 

Desde então, a competição se consolidou como uma das principais etapas do calendário esportivo do continente.

Quando serão os Jogos Sul-Americanos 2026?

Os Jogos Sul-Americanos de Santa Fé serão realizados entre 12 de setembro e 26 de setembro de 2026, com duas semanas de competições.

A cerimônia de abertura está marcada para este sábado (12), às 18 horas (horário de Brasília), no entorno do Monumento Nacional à Bandeira, em Rosário. 

O evento terá o desfile das delegações e marcará oficialmente o início da décima terceira edição dos Jogos.

Participam Argentina, Aruba, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Curaçao, Equador, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Onde serão disputados os Jogos Sul-Americanos?

A província de Santa Fé concentra a maior parte da programação, com Santa Fé, Rosário e Rafaela funcionando como as 3 principais cidades-sede.

Algumas modalidades, porém, precisaram ser levadas para outras localidades por causa das características específicas das competições e da infraestrutura necessária.

O surfe, por exemplo, será realizado em Mar del Plata. 

O boliche terá disputas em Vicente López, na região de Buenos Aires. 

O softbol acontecerá em Paraná, capital da província de Entre Ríos, enquanto o tiro esportivo ficará em Recreo, na região metropolitana de Santa Fé.

Dessa forma, apesar do nome oficial Santa Fé 2026, o evento terá competições espalhadas por diferentes pontos da Argentina.

Onde assistir aos Jogos Sul-Americanos 2026?

Os Jogos Sul-Americanos terão transmissão no Brasil pelo Disney+ e nas plataformas digitais da ESPN.

Brasil terá cerca de 500 atletas em 52 modalidades: O Time Brasil terá cerca de 500 atletas distribuídos por 52 modalidades. 

A delegação combina nomes experientes no cenário internacional com atletas em desenvolvimento que terão em Santa Fé um dos principais eventos multiesportivos do ciclo até Los Angeles em 2028.

Entre os brasileiros estão Ana Marcela Cunha, nas águas abertas; Alison dos Santos e Caio Bonfim, no atletismo, Marcus D’Almeida, no tiro com arco, Bárbara Domingos e o conjunto campeão do mundo, na ginástica rítmica, Guilherme Costa e Etiene Medeiros, na natação, Felipe Wu, no tiro esportivo, Maria Clara Pacheco, no taekwondo, Stephan Barcha, no hipismo, Lucas Verthein, no remo e Giullia Penalber, no wrestling. 

O vôlei de praia também contará com nomes de destaque. 

Evandro fará dupla com Arthur Lanci no masculino, enquanto Carol Solberg e Rebecca representarão o Brasil no feminino. 

No surfe, o país terá nomes como Silvana Lima e Chloe Calmon entre os representantes.

Rebeca Lima fica fora após cancelamento de categoria: Uma ausência importante da delegação será a da campeã mundial de boxe Rebeca Lima. 

A brasileira chegou a ser anunciada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) entre as integrantes do Time Brasil para competir na categoria até 60 kg, mas não viajará para os Jogos Sul-Americanos.

A categoria de Rebeca não atingiu o número mínimo de países inscritos exigido para a realização da disputa e acabou retirada do programa. 

O regulamento técnico do boxe estabelece um mínimo de 5 países participantes para que uma categoria seja realizada. 

Os 60 kg feminino constavam inicialmente no planejamento da competição, mas não aparecem na programação definitiva. 

Com isso, ela ficou fora dos Jogos mesmo depois de ter sido inicialmente anunciada entre as representantes brasileiras.

Santa Fé distribui vagas para Lima em 2027: Além das medalhas, os Jogos Sul-Americanos terão impacto direto na formação da delegação brasileira para os Jogos Pan-Americanos de Lima em 2027.

O Brasil poderá conquistar classificações para o Pan em 14 modalidades durante Santa Fé 2026: atletismo, boliche, canoagem velocidade, escalada esportiva, hipismo adestramento, hipismo saltos, concurso completo de equitação, karatê, patinação velocidade, pelota basca, squash, tiro com arco, triatlo e vela.

O país já possui classificações asseguradas em handebol e pentatlo moderno.

Assim, parte dos resultados obtidos na Argentina terá consequência direta para a participação brasileira no principal evento multiesportivo das Américas em 2027.

Lima, por sua vez, será uma etapa importante do ciclo rumo aos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

Programa terá 43 esportes e 60 disciplinas

Na imagem, Anja Köhler na sua tentativa de escalar a parede.

Anja Köhler será uma das representantes na escalada, que estreia nos Jogos Sul-Americanos (World Climbing)

Santa Fé 2026 terá um programa amplo, reunindo modalidades olímpicas e esportes que atualmente estão fora dos Jogos Olímpicos. 

Atletismo, natação, águas abertas, ginástica artística, ginástica rítmica, judô, boxe, taekwondo, karatê, esgrima, levantamento de pesos, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, tênis, tênis de mesa, ciclismo, canoagem, remo, vela, hipismo, rugby 7, hóquei sobre grama, futebol, handebol, polo aquático, vôlei de praia e skate estão entre as modalidades do programa.

A relação ainda inclui esportes como boliche, pelota basca, raquetebol, squash, pádel, patinação, esqui aquático, wakeboard, SUP (Stand Up Paddle (SUP) é um esporte aquático em que o praticante fica em pé sobre uma prancha grande e estável, usando um remo longo para se deslocar pela água) e esports. 

Uma das novidades será a escalada esportiva, que fará sua estreia em uma edição adulta dos Jogos Sul-Americanos depois de ter integrado o programa dos Jogos Sul-Americanos da Juventude de Rosário em 2022.

Brasil defende liderança de Assunção em 2022: O Brasil chega à Argentina como vencedor do quadro geral de medalhas da edição anterior. 

Nos Jogos Sul-Americanos de Assunção-2022, o Time Brasil conquistou 319 medalhas, sendo 133 de ouro, 100 de prata e 86 de bronze. 

A campanha colocou o país na primeira posição do quadro de medalhas, à frente da Colômbia, segunda colocada, e da Argentina, que terminou em terceiro.

Santa Fé será, portanto, a primeira oportunidade de o Brasil defender essa liderança em uma edição adulta dos Jogos Sul-Americanos desde Assunção. 

Mais do que repetir a campanha anterior, porém, a competição servirá para avaliar atletas e equipes em diferentes estágios do ciclo esportivo. 

Para alguns brasileiros, Santa Fé será uma oportunidade de conquistar classificação para Lima em 2027. 

Para outros, será um dos primeiros testes internacionais importantes no caminho até Los Angeles em 2028.

A delegação brasileira já começou a desembarcar na Argentina. 

Entre os primeiros atletas a chegar estão representantes das águas abertas, modalidade que terá disputas já nos primeiros dias dos Jogos. 

A partir deste sábado (12), os resultados em Santa Fé começarão a mostrar também como o Brasil inicia uma nova etapa do ciclo olímpico e quais nomes podem ganhar protagonismo nas principais competições internacionais dos próximos dois anos.

Mulheres serão maioria no Time Brasil nos Jogos Sul-Americanos de 2026.

Participação feminina chegará a 53% na equipe do Comitê Olímpico do Brasil; confederações terão 79 mulheres nas comissões multidisciplinares.

A equipe do Comitê Olímpico do Brasil (COB) nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé em 2026 terá maioria feminina. 

Ao todo, 58 mulheres trabalharão em diferentes funções na missão brasileira na Argentina, o equivalente a 53% dos profissionais selecionados diretamente pela entidade.

As mulheres também ganharam espaço nas equipes multidisciplinares indicadas pelas confederações brasileiras. 

Serão 79 profissionais, que representam 43% desse grupo. 

O resultado supera a meta de participação feminina estabelecida pelo COB em 2024, que previa ao menos 30% de mulheres nas comissões das modalidades.

Todas as confederações que participarão da missão em Santa Fé alcançaram o percentual mínimo definido pelo Comitê.

Yane Marques será chefe de missão: A delegação brasileira será liderada por Yane Marques, vice-presidente do COB e medalhista de bronze no pentatlo moderno nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. 

Exercerá a função de chefe de missão do Time Brasil na competição.

Yane será mais uma mulher a comandar uma delegação brasileira em um evento multiesportivo. 

Adriana Behar foi a primeira a ocupar o cargo, nos Jogos Olímpicos da Juventude de Singapura em 2010. 

A ex-jogadora de vôlei de praia voltou à função na edição de Nanquim em 2014.

Joyce Ardies, por sua vez, foi chefe de missão nos Jogos Sul-Americanos de Praia de Santa Marta em 2023. 

Em Santa Fé, ela será uma das subchefes, ao lado de Bruno Martins.

Segundo Mariana Mello, gerente de Projetos Esportivos Especiais do COB, a presença feminina nas diferentes áreas da missão mostra que o trabalho pela equidade passou a aparecer na composição efetiva das equipes brasileiras.

“O percentual de quase 60% de mulheres entre os oficiais indicados pelo COB é extremamente significativo porque demonstra que a equidade de gênero deixou de ser apenas uma meta e passou a se refletir na composição real das equipes”, afirmou.

Mulheres em funções estratégicas: As profissionais atuarão em áreas esportivas, administrativas e operacionais durante os Jogos Sul-Americanos. 

Para o COB, o aumento da participação feminina também amplia a presença de mulheres em posições estratégicas, de liderança e de responsabilidade dentro das delegações.

Mariana destacou que o resultado vai além da representatividade numérica. 

Segundo a dirigente, a escolha de profissionais qualificadas contribui diretamente para a atuação esportiva e operacional do Time Brasil, além de produzir referências para atletas, treinadoras e futuras gestoras.

A indicação de Yane Marques para chefiar a missão é um dos exemplos desse processo. 

Em 2026, outra medalhista olímpica ocupou o mesmo posto: Poliana Okimoto comandou a delegação brasileira nos Jogos Sul-Americanos da Juventude, realizados no Panamá.

Para Mariana, as escolhas reconhecem a experiência adquirida por Yane e Poliana durante suas trajetórias como atletas e abrem novas possibilidades para a atuação de mulheres em cargos de gestão esportiva.

O COB criou a área Mulher no Esporte em 2021 e, no ano seguinte, instituiu a Comissão Mulher no Esporte. 

As iniciativas buscam ampliar a presença feminina em espaços de liderança e disseminar boas práticas entre as confederações brasileiras.

Entre os projetos desenvolvidos estão uma mentoria individualizada voltada às treinadoras e o Fórum Mulher no Esporte. 

As ações oferecem formação, capacitação, troca de experiências e oportunidades de conexão entre profissionais do setor.

De acordo com Mariana, o avanço registrado para Santa Fé em 2026 é resultado de um trabalho realizado ao longo de todo o ciclo esportivo, com a participação das confederações na identificação, preparação e indicação das profissionais.

“Mais do que cumprir um percentual, estamos contribuindo para a construção de um ambiente esportivo mais diverso, qualificado e sustentável para as próximas gerações”, concluiu.

Reportagem: Olimpiadatododia.com.br

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário