domingo, 13 de setembro de 2026

Luto no futebol brasileiro

Morre Coronel Antônio Carlos Nunes, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da Federação Paraense.

Dirigente de 87 anos estava internado em um hospital de Belém, onde faleceu. 

Esteve à frente da FPF (Federação Paraense de Futebol) por quase 20 anos antes de chegar à CBF, em 2016.

Morreu neste domingo, dia 13 de setembro, aos 87 anos, em Belém, Antônio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes, dirigente que comandou a Federação Paraense de Futebol (FPF) por quase 20 anos, chegando a assumir a presidência da CBF entre 2016 e 2019.

Segundo informações de pessoas próximas ao ex-dirigente, estava internado há mais de 6 meses em um hospital particular da capital do Pará, e sofria com complicações decorrentes de uma cirurgia na cabeça realizada para a retirada de um tumor anos atrás.

Será velado na tarde deste domingo (13), a partir das 13 horas (horário de Brasília), em uma capela particular localizada na Avenida José Bonifácio, em Belém, próxima da sede da Federação Paraense de Futebol, comandada pelo dirigente entre 1998 e 2016. 

O sepultamento será na manhã desta segunda-feira (14), em um cemitério na cidade de Ananindeua.

Em seu site oficial, a CBF lamentou o falecimento do ex-presidente da entidade, destacando o período dele na presidência, entre 2017 e 2019 de forma efetiva, e interinamente em períodos de 2016 e 2021.

"A CBF lamenta o falecimento do coronel Nunes, com uma história pautada pelo fortalecimento do futebol no seu Estado, Pará, e no Brasil. Neste momento de profunda dor e tristeza, manifestamos nossos sentimentos aos seus familiares e amigos", disse Samir Xaud, atual presidente.

O Paysandu, clube que o Coronel Nunes esteve antes de chegar a FPF, divulgou uma nota de pesar, destacando que estava no clube em 1991, ano do primeiro título nacional do clube. 

Além disso, solicitou que seja respeitado um minuto de silêncio antes do jogo contra a Ferroviária, às 16 horas (horário de Brasilia), em Araraquara, para homenageá-lo.

Relembre a trajetória e polêmicas do dirigente: Natural de Monte Alegre, no Oeste do Pará, Antônio Carlos Nunes teve a carreira na área militar como ponto de partida na vida pública. 

Foi o futebol, contudo, a grande “Payxão” do Coronel. 

Na década de 1980, ele se tornou conselheiro do Paysandu, chegando posteriormente ao cargo de diretor de futebol, que ocupou no ano em que o clube conquistou o inédito título do Campeonato Brasileiro da Série B de 1991.

Ainda nos anos 1990, em 1998, chegou à presidência da Federação Paraense de Futebol (FPF). 

Esteve ligado a ela até 2016, período em que também se aproximou da alta cúpula da CBF.

Um dos vice-presidentes da maior entidade do futebol nacional, sendo o mais velho em exercício, Coronel Nunes assumiu a presidência no início de 2016, no lugar do então licenciado Marco Polo Del Nero.

Em 2017, quando o então presidente foi suspenso do cargo por suspeita de corrupção, Nunes assumiu de vez o cargo, comandando a CBF entre fevereiro de 2017 e abril de 2019.

Voto “secreto” em Marrocos: Um dos atos mais marcantes na passagem de Coronel Nunes pela presidência foi na votação para sede da Copa do Mundo de 2026, em evento realizado na cidade de Moscou, na Rússia, em 2018. 

Os países da América do Sul (leia-se Conmebol) haviam combinado de votar na candidatura de Estados Unidos, México e Canadá.

Porém, o então presidente decidiu votar no Marrocos, contrariando um acordo que havia sido formalizado em um documento meses antes. 

Na tentativa de se defender, ele disse acreditar que o voto era secreto, mas afirmou que queria dar ao país africano a oportunidade de sediar a Copa pela primeira vez.

"Estados Unidos e México já fizeram Copa, não é? Seria bom se fosse Marrocos", Antônio Carlos Nunes, em evento da FIFA em 2018.

Assinatura e afastamento de Ednaldo: Em 2022, Ednaldo Rodrigues assumiu a presidência da CBF para um mandato que duraria até 2026. 

No ano passado, ele foi reeleito, mas o processo passou a ser questionado por causa de um acordo relacionado ao estatuto e a eleições anteriores da entidade. 

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro apontou indícios de falsificação da assinatura do Coronel Nunes e também questionou a capacidade cognitiva do ex-dirigente para manifestar sua vontade no momento da assinatura, com base em uma perícia grafotécnica e em laudos médicos que indicavam problemas cognitivos.

Como desdobramento da investigação, o desembargador Gabriel de Oliveira Zéfiro, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), afastou, em 15 de maio de 2025, Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF. 

O magistrado nomeou um dos vice-presidentes da entidade, Fernando Sarney, como interventor e determinou que ele convoque novas eleições "o mais rápido possível".

10 dias depois, Samir Xaud foi eleito presidente e já completou um 1 ano e 4 meses no comando da CBF.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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