domingo, 2 de agosto de 2026

Polêmica na FIFA

Salário de Infantino cresceria 6 vezes se plano de vender ações da FIFA (Federação Internacional ads Associações de Futebol) fosse aprovado, diz jornal.

Dirigente que preside a entidade passaria a ganhar US$ 30 milhões anuais (R$ 152,4 milhões).

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, viu ser inviabilizado seu plano de criar uma empresa para fazer a operação de suas principais competições com a venda de ações a investidores, após sofrer grande rejeição de confederações, em especial da UEFA (União das Associações Europeias de Futebol).

Para além da derrota institucional e política, o dirigente sofreu um revés no seu bolso. 

De acordo com reportagem do jornal inglês "The Times", caso a Fifa Forward Enterprise (FFE) fosse criada, o salário de Infantino se tornaria seis vezes maior.

Em relatório de transparência publicado em seu site oficial, a FIFA divulgou que o salário anual de Infantino em 2025 foi de US$ 4,8 milhões brutos (cerca de R$ 25 milhões à época). 

O salário-base de Infantino foi de US$ 2,6 milhões, com mais US$ 2,2 milhões em bônus.

Segundo "The Times", a criação da FFE faria o dirigente passar a ganhar US$ 30 milhões (R$ 152,4 milhões). 

Sem contar eventuais bonificações. 

A ideia de Infantino era ficar no comando da FFE sem limite de mandatos. 

Na FIFA, só pode ficar até 2031, se for reeleito em 2027.

Uma fonte disse à reportagem do The Times que o dirigente perdeu tudo devido a uma ganância desenfreada e o chamou de "pato morto".

Principal opositora ao projeto de Infantino e entidade que anunciou boicote às competições da FIFA caso o plano continuasse em curso, a UEFA divulgou duro comunicado neste sábado afirmando que o dirigente perdeu a confiança das federações europeias.

"É correto que, nos próximos dias e semanas, a Uefa trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da Fifa perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também a de muitos outros membros da família do futebol", disse o comunicado.

UEFA, Concacaf (Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) e Confederação Asiática de Futebol foram as entidades mais firmes nas críticas à FIFA. 

O Fifpro (sindicato internacional dos atletas de futebol) também fez dura oposição à tentativa de Infantino. 

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) mostrou uma posição pública de neutralidade durante toda a crise.

Entenda o caso: A ideia de Infantino era criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da FIFA e participações minoritárias de investidores. 

A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. 

O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).

A UEFA foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. 

A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.

Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta-feira (31), 3 dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da FIFA a investidores privados.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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