Flamengo apoia abertura de investigação sobre SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Vasco: "Importante teste para o sistema".
Comunicado do clube cita possibilidade de "severa assimetria competitiva" e sugere que inquérito seja estendido a outras empresas controladas pelo grupo, como a Placar Linhas Aéreas.
O Flamengo divulgou um comunicado na noite desta quinta-feira manifestando apoio à decisão da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) de investigar a venda da SAF do Vasco.
O procedimento formal instaurado pela agência apura possível conflito de propriedade na venda da SAF do Vasco para o grupo comandado pelo empresário Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira.
"A possibilidade de influência, controle ou dependência econômica entre participantes de uma mesma competição gera severa assimetria competitiva", diz um trecho do comunicado".
Além disso, o Flamengo sugere que a investigação seja estendida a outras empresas controladas pelo mesmo grupo econômico, como a Placar Linhas Aéreas.
A companhia aérea fundada em outubro de 2022 pertence a José Roberto Lamacchia e Leila Pereira.
A Anresf, responsável por fiscalizar a aplicação das regras de Fair Play Financeiro no Brasil, também impôs medidas cautelares que ficam em vigor durante essa análise: o Vasco está proibido de manter relações comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar, o conglomerado financeiro de Leila Pereira que inclui a financeira Crefisa.
Veja o comunicado do Flamengo:
"O Clube de Regatas do Flamengo considera relevante a decisão da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) de instaurar procedimento formal para avaliar eventual conflito de interesses na possível aquisição da SAF do Vasco da Gama por grupo liderado pelo empresário Marcos Lamacchia. A medida reforça preocupação que o Flamengo vem manifestando e que está prevista no Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (RSSF), em vigor desde janeiro de 2026: a necessidade de assegurar a independência dos clubes, a integridade das competições e a aplicação efetiva das regras de Fair Play Financeiro. O tema não se restringe aos clubes envolvidos, devendo ser compreendido por todos. A possibilidade de influência, controle ou dependência econômica entre participantes de uma mesma competição gera severa assimetria competitiva, deprime o valor de mercado de ativos em recuperação, distorce a disputa esportiva em curso e cria precedente de risco sistêmico para a integridade das competições e para o mercado de SAFs no país. O Flamengo considera importante também a adoção de medidas cautelares durante a análise e entende que, para serem plenamente eficazes, elas devem alcançar todas as partes relacionadas aos envolvidos na operação, incluindo empresas controladas direta ou indiretamente pelos mesmos grupos econômicos, como a Placar Linhas Aéreas. O Flamengo confia na atuação serena, equilibrada e independente da ANRESF e considera que o caso representa importante teste para o novo sistema regulatório do futebol brasileiro e para a construção de um ambiente de maior governança, equilíbrio competitivo e segurança institucional".
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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