Ponte Preta joga por maior título da sua história para encerrar jejum de 125 anos.
Clube está a uma vitória de conquistar o primeiro troféu nacional e coroar uma temporada marcada por superação dentro e fora de campo.
Noventa minutos separam a Ponte Preta de um capítulo inédito em sua história centenária.
Neste sábado (25), diante de um Moisés Lucarelli tomado por pontepretanos, a Macaca entra em campo para tentar encerrar uma espera que já dura 125 anos, e que pode, enfim, render o primeiro título nacional da sua trajetória.
A missão é simples no papel, mas carregada de simbolismo: basta uma vitória sobre o Londrina, na final do Campeonato Brasileiro da Série C, para que a Ponte Preta mude o rumo de uma história marcada por batalhas, quase-glórias e uma devoção inabalável de sua torcida.
O empate leva a decisão para os pênaltis, depois do 0 a 0 no jogo de ida.
"Essa final representa muito mais do que um jogo. É a cereja do bolo de uma temporada histórica", define o técnico Marcelo Fernandes, em tom de quem entende o peso que o sábado carrega.
Uma história de resistência e redenção: Fundada em 1900, a Ponte Preta é uma das instituições mais antigas do futebol brasileiro e um símbolo de resistência do interior paulista.
Foi o primeiro clube do interior do estado a disputar um campeonato nacional, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1970, torneio reconhecido pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) como parte da história do Campeonato Brasileiro.
Desde então, a Macaca colecionou campanhas que beiraram o sonho.
Foi terceira colocada no Campeonato Brasileiro de 1981, semifinalista da Copa do Brasil em 2001 e finalista da Copa Sul-Americana de 2013, quando caiu para o Lanús, da Argentina.
Mas o troféu, o grito preso, sempre escapou por detalhes.
O roteiro da atual temporada parece escrito para o torcedor acreditar que o desfecho será diferente.
A Ponte Preta chegou à final do jeito que o pontepretano sempre quis: vencendo o maior rival.
No último jogo da segunda fase, derrotou o Guarani e impediu o acesso do adversário depois de selar o próprio retorno o Campeonato Brasileiro da Série B.
A campanha, de 49 pontos somados, deu à Ponte Preta o direito de decidir o título em casa, no Moisés Lucarelli, o mesmo palco onde gerações de torcedores aprenderam a transformar sofrimento em combustível.
Tudo isso foi construído em meio a dificuldades financeiras, com salários atrasados desde junho, mas também com uma união rara entre elenco, comissão técnica e arquibancada.
A cada vitória, crescia a sensação de que algo maior estava por vir.
Entre o peso da espera e o sonho do título: Os grandes momentos da Ponte Preta, até hoje, vieram no futebol paulista.
Foram 6 vices da elite estadual (1970, 1977, 1979, 1981, 2008 e 2017) e 2 títulos do Campeonatp Paulista da Série A2, em 1969 e 2023, este último já sob a gestão de Marco Antonio Eberlin.
Agora, o clube tenta, enfim, romper o tabu que o acompanha desde o nascimento: ser campeão nacional.
Do outro lado, o Londrina busca ampliar a própria galeria, que já inclui a Taça de Prata de 1980 (equivalente ao Campeonato Brasileiro da Série B atual) e o título da Primeira Liga de 2017.
Em 125 anos, a Ponte Preta foi testemunha do crescimento do futebol brasileiro, viu craques nascerem e se despedirem de sua camisa, atravessou crises e reconstruções.
Mas nunca desistiu.
Neste sábado (25), quando o árbitro apitar o início da partida, será como se o tempo parasse, e todas as gerações de pontepretanos, das arquibancadas de madeira do passado ao concreto pulsante do presente, empurrassem o mesmo grito engasgado.
Se a bola entrar, se a rede balançar, se o relógio marcar o fim... talvez, finalmente, o futebol devolva à Ponte Preta o que ela sempre ofereceu a ele.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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