Como América-MG saiu de jogador de Seleção e receitas recordes à crise sem fim em um ciclo de Copa do Mundo.
Clube mineiro estava na Taça Libertadores da América e tinha lateral da seleção brasileira pós-Copa de 2022, mas sofreu rebaixamento, entrou em crise financeira e está virtualmente no Campeonato Brasileiro da Série C.
Em 3 de março de 2023, o América-MG quebrava mais uma barreira entre os gigantes do futebol brasileiro.
Pela primeira vez na história, tinha um jogador convocado para a Seleção principal: o lateral-direito Arthur, maior venda da história do clube em negociação com o futebol alemão.
Era mais um capítulo da ascensão meteórica do clube mineiro, iniciada em 2021 com a boa campanha no Campeonato Brasileiro e a inédita vaga na Taça Libertadores da América de 2022.
Mas a curva ascendente foi curta, e o clube, hoje, vive uma crise sem fim.
Diante de tal cenário, o ge traça uma linha cronológica dos fatos que explicam a ascensão e queda do Coelho, 16 vezes campeão estadual, 2 vezes campeão do Campeonato Brasileiro daSérie B, uma Copa Sul-Minas e uma Série C do Campeonato Brasileiro.
Depois de viver, pelo menos, 4 anos de ouro no campo e nas finanças, o Coelho de Belo Horizonte está afundando em uma crise esportiva e financeira.
Está virtualmente rebaixado à Série C do Campeonato Brasileiro e com queda drástica de receitas.
Como explicar?
Muro contra gigantes: O América-MG foi a grande surpresa da Copa do Brasil de 2020.
O Coelho só parou na semifinal diante do Palmeiras, após eliminar 2 gigantes do futebol nacional: Corinthians, nas oitavas de final, e Internacional, nas quartas de final.
A campanha histórica rendeu R$ 17,6 milhões em premiações, valor 3 vezes superior à receita de R$ 5,7 milhões prevista pelo clube para a rubrica de "competições e jogos" no orçamento daquele ano.
Ainda conquistou o acesso ao campeonato Brasileiro da Série A, batendo na trave pelo título da competição.
Vaga na Taça Libertadores da América em 2021: No Campeonato Brasileiro da Série A de 2021, o América-MG realizou a melhor campanha de sua história na era dos pontos corridos até então.
O Coelho terminou o Campeonato Brasileiro na oitava colocação e conquistou uma classificação inédita para a Taça Libertadores da América, um marco histórico para o clube.
Naquela mesma temporada, o time foi vice-campeão mineiro diante do Atlético-MG.
Após um início complicado no campeonato nacional e uma queda precoce na Copa do Brasil, o América alcançou 2 feitos históricos de uma só vez: evitou o rebaixamento pela primeira vez na era dos pontos corridos e ainda carimbou o passaporte para o torneio continental.
Receitas recordes, contratações e torneios Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol): O ano histórico de 2022 marcou a estreia do América-MG na Taça Libertadores da América.
Para isso, o clube investiu e trouxe jogadores conhecidos no futebol brasileiro, como Wellington Paulista e Aloísio.
Também ocorreram as contratações de Mastriani e Martinez, que custaram cerca de R$ 10 milhões aos cofres do clube.
Na fase preliminar da competição sul-americana, o Coelho superou o tradicional Barcelona de Guayaquil (Equador) nos pênaltis.
Na fase de grupos, porém, caiu em uma chave complicada ao lado de Atlético-MG (Brasil), Independiente Del Valle (Equador) e Deportes Tolima (Colômbia), terminando na lanterna e sem vitórias.
Apesar da eliminação, o América manteve o fôlego no cenário nacional.
No Campeonato Brasileiro de 2022, encerrou a temporada na décima colocação, garantindo vaga para a Copa Sul-Americana do ano seguinte.
O clube fechou aquele ano com recordes de faturamento.
Foram R$ 53,3 milhões recebidos apenas em premiações ao longo de 2022, quase metade desse valor (R$ 24,7 milhões) veio da campanha no Campeonato Brasileiro da Série A.
O sucesso esportivo e administrativo consolidou a saúde financeira do Coelho, gerando grande expectativa para a concretização da transição do clube para SAF (Sociedade Anônima do Futebol) em 2023.
2023: recorde de faturamento e rebaixamento
O ano marcou o início da deterioração esportiva, mas foi também o de recorde de faturamento.
A receita operacional bruta chegou a R$ 188 milhões, a maior da história do clube.
Uma parcela do faturamento veio com a venda do lateral Arthur ao Bayer Leverkusen, recorde na história do Coelho, e também uma convocação para a seleção brasileira principal.
Esportivamente, o Coelho atingiu outras marcas históricas.
Foi até às quartas de final da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Corinthians-SP (Brasil), e na mesma fase pela Copa Sul-Americana.
Alcançou goleadas históricas sobre os tradicionais Peñarol (Uruguai) e Colo-Colo (Chile).
Modelo não se sustentou...
Em 2024 e 2025, o clube teve insucessos para subir à elite nacional e sucumbiu ainda a quedas bruscas de receita.
O Coelho teve mais de R$ 58 milhões de déficit no exercício de 2024, por exemplo.
Aumenta do resultado negativo em 164% em relação a 2023, quando fechou com prejuízo de pouco mais de R$ 22 milhões.
No ano seguinte, o déficit superou os R$ 60 milhões.
Em setembro de 2025, o então presidente da associação, Alencar da Silveira Júnior, deixou o clube para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Ainda naquele ano, Dower Junior, CEO e presidente da SAF americana, também se desligou do Coelho.
Com as 2 saídas, Márcio Vidal passou a acumular ambas as funções, assumindo a liderança tanto da associação quanto da SAF.
Na penúltima colocação, o Coelho está virtualmente rebaixado ao Campeonato Brasileiro da Série C do Brasil.
Apenas um milagre pode salvá-lo.
Atualmente, o clube convive com dificuldades financeiras.
As negociações para a implantação da SAF estão estagnadas desde 2022.
Uma proposta de investimento foi analisada recentemente pelo Conselho Deliberativo e negada.
Para piorar situação, o América-MG foi comunicado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) da aplicação de um transfer ban preventivo e parcial, há uma semana.
A decisão enquadra-se dentro do fair play financeiro, divulgado no ano passado.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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