'Como vou pagar o Paquetá em janeiro?', questiona Bap, presidente do Flamengo, sobre fim das bets.
Bap critica Medida Provisório do governo federal que proibiu a atuação de casas de apostas no país.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, voltou a criticar a proibição das casas de apostas no Brasil.
Em vídeocast da FlamengoTV, Bap falou sobre a Medida Provisória do governo federal e projetou dificuldades financeiras já para os próximos meses no clube, inclusive para pagar a contratação de Lucas Paquetá, o reforço mais caro da história do clube (R$ 315 milhões).
"Banimento unilateral, da forma que foi, no momento que foi, é difícil de entender, a uma semana de uma eleição. Isso causa espécie. Cause uma apreensão enorme nos contratos que assumimos para o futuro. Vou dar uma exemplo. Como vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante. O Flamengo não faz nada incorreto. O Flamengo não precisa de ajuda do governo para pagar dívidas do passado. Agora essa medida compromete as receitas do futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que fizemos, os pagamentos que temos que fazer com o tempo, afeta os esportes olímpicos, onde a maioria de dinheiro vem de renúncia fiscal", disse Bap à FlamengoTV.
Bap ainda disse que, no atual cenário, o Flamengo não deve contratar jogadores e reforçou que o clube não tem como arcar com compromissos que já foram assumidos.
"Vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. É o que vamos ter que fazer. Quem achar que vai haver contratações de jogador... Não temos condições hoje de honrar os compromissos que nós assumimos. baseados em contratos legais que foram celebrados em função do marco regulatório, no ano de 2027".
Sobre a busca por uma novo patrocinador para ocupar o espaço das bets, que patrocinam 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, Bap afirmou que os valores dos futuros parceiros serão menores do que os atuais.
"Vamos buscar alternativas e novos patrocinadores, mas os valores serão muito abaixo dos atuais. Todas as propriedades da patrocício master estarão ofertadas no mercado. Quem quiser entrar agora, vai entrar na baixa. Um patrocínio do clube que valia 100, talvez consiga agora por 30 ou 40", afirmou o mandatário.
O presidente do Flamengo ainda afirmou que o futebol brasileiro sofrerá um enfraquecimento e que a Argentina pode ganhar com isso.
"Na Argentina estão celebrando isso. Vai haver um enfraquecimento ainda maior do futebol brasileiro. E você não vai reduzir o enfraquecimento do brasileiro médio com essa decisão. A gente tem certeza absoluta disso", disse.
"Eu não vou me meter em política, porque não sou profissional de política. Mas de gestão de negócio eu entendo alguma coisa. Menos R$ 20 milhões no Flamengo em esporte olímpico, menos R$ 63 milhões em placas, menos R$ 27 milhões no Carioca. Aliás, quem gosta de campeonato regional, esses todos acabaram. Todas as premiações vem disso. Todas as propriedades indiretas vendidas também vão desaparecer. O governo arrecadou mais R$ 9 bilhões. O governo cobrou pelas concessões. E agora diz que é ilegal e que não vai devolver o dinheiro. Quando a gente pensa que já viu tudo o que tinha que ver no Brasil, a gente é surpreendido. Para você que é o torcedor médio, vai afetar muito. Os elenco do futebol no Brasil não terão os grandes jogadores que estão vendo hoje. O Brasil vai cair de nível no futebol. Pode se preparar. Não existe hipótese. Não vamos resolver o problema das apostas e do endividamento das famílias", completou o dirigente.
Reportagem: Oglobo.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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