segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Em busca de um acordo

Corinthians negocia quitação da Arena em troca de naming rights. 

Conselho da Caixa debate proposta.

Clube oferece nome do estádio e produtos comerciais para dar como pagos os R$ 630 milhões de dívida com o banco.

A diretoria do Corinthians fez uma proposta à Caixa Econômica Federal para quitar a dívida pela construção da Neo Química Arena. 

A operação envolve os naming rights do estádio e deve ser discutida em reunião do Conselho Diretor do banco estatal.

Com a dívida com a Caixa na casa dos R$ 630 milhões, o que representa 22,5% da dívida total do clube, de R$ 2,8 bilhões, a diretoria corintiana intensificou as negociações em Brasília.

O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, o diretor jurídico Pedro Soares e o diretor cultural Rafael Castilho estiveram em reunião na sede do banco na semana passada. Saíram de lá otimistas com a possibilidade de acordo.

O Corinthians propõe que a Caixa assuma o nome do estádio, hoje pertencente à Hypera Pharma. 

A diretoria considera que os naming rights atualmente valem cerca de R$ 70 milhões por temporada, bem acima dos R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação, que a Hypera paga desde a assinatura do contrato, em 2020.

O projeto ainda envolve outros ativos, como lançamento de títulos de capitalização, transferência de toda a operação financeira do clube (contas e pagamento de salários) para a Caixa e até cartões para o programa Fiel Torcedor.

Com o valor dos naming rights pactuado entre Corinthians e Caixa, seria possível dar a dívida como quitada, já que o banco teria o direito de explorar comercialmente o nome do estádio por determinado período.

Na reunião da semana passada em Brasília, os dirigentes do Corinthians também pediram que a Caixa devolva R$ 27 milhões que estão na conta reserva prevista no contrato de renegociação da dívida, assinado em 2022. 

Como está adimplente com as parcelas, o clube quer reaver o dinheiro para ajudar na operação do dia a dia.

Na diretoria, há a expectativa de que a Caixa autorize o Corinthians a suspender o pagamento das próximas prestações da dívida enquanto durar a negociação.

O assunto voltou à tona neste ano, em razão da grave crise financeira do clube, cuja principal motivadora, no entendimento da diretoria, é justamente a dívida da Arena. 

Stabile costuma repetir que o seu principal objetivo na presidência é quitar o estádio.

Até por isso, há quem veja a negociação com ceticismo, como uma promessa eleitoreira, já que o Corinthians terá eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo em 28 de novembro. 

O presidente tentará se candidatar à reeleição.

Porém, com uma articulação política em Brasília, os dirigentes corintianos consideram que a negociação está andando bem, com a possibilidade de desfecho em breve. 

Ainda mais com a perspectiva de que o assunto seja debatido no Conselho Diretor da Caixa em reunião nesta terça-feira (29).

Procurada pelo Globo Esporte, a Caixa se manifestou por meio de nota:

"A Caixa não se manifesta sobre operações bancárias específicas e eventuais negociações, em obediência ao sigilo bancário previsto na Lei Complementar 105/2001. Caso a negociação avance, o Corinthians planeja oferecer à Hypera Pharma os naming rights de outras instalações do clube, como o Centro de Treinamento Joaquim Grava. Dívida da Arena: Desde a inauguração do estádio, em 2014, o Corinthians desembolsou cerca de R$ 600 milhões ao longo dos anos para pagar o financiamento para construção. O contrato que renegociou as pendências, acertado na gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves, estipula dezembro de 2041 como prazo de pagamento da dívida, com amortizações crescentes a partir de 2025 e juros pagos desde 2023, à taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Na prática, o Corinthians só pagou juros em 2023 e 2024 e começou a diminuir o saldo da dívida a partir de 2025. Nos bastidores, Stabile cita a dívida pela Arena como principal motivador da grave crise financeira do clube, que tem endividamento total na casa dos R$ 2,8 bilhões.No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, sugeriu publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para privilegiar outras pendências. A declaração fez o banco estatal admitir uma renegociação".

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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