segunda-feira, 20 de abril de 2026

Efeito adverso

Campanha da Nike para a Maratona de Boston gera repercussão negativa nos Estados Unidos.

Estratégia de comunicação é questionada enquanto marca norte-americana ainda busca retomar crescimento.

O público criticou o tom excludente, apontando que a mensagem contraria o movimento crescente de democratização do esporte

A Nike voltou ao centro de um debate público após uma campanha exibida em frente à sua loja em Boston, nos Estados Unidos, às vésperas da Maratona de Boston, uma das corridas mais tradicionais do calendário mundial, realizada nesta segunda-feira (20).

A peça publicitária trazia a frase “Runners Welcome. 

Walkers Tolerated” (“Corredores são bem-vindos. Caminhantes são tolerados”, em tradução para o português), o que rapidamente gerou repercussão negativa nas redes sociais.

Usuários criticaram o tom considerado excludente, apontando que a mensagem contraria o movimento crescente de democratização do esporte, que busca acolher praticantes de todos os níveis.

Diante da reação, a empresa retirou o anúncio ainda na sexta-feira (17) e publicou um comunicado oficial. 

A remoção, no entanto, não impediu que o episódio ganhasse proporção maior, abrindo espaço para que concorrentes se posicionassem publicamente.

“Queremos que mais pessoas se sintam bem-vindas na corrida, independentemente do ritmo, experiência ou distância. Durante a semana da corrida em Boston, colocamos uma série de placas para incentivar os corredores. Uma delas não atingiu o objetivo. Nós a removemos e usaremos este momento para melhorar e continuar apoiando todos os corredores”, comunicou a Nike.

Marcas como Hoka e Altra aproveitaram o momento para reforçar mensagens de inclusão, destacando que o universo da corrida deve acolher desde atletas de elite até iniciantes e caminhantes.

O episódio ocorre em um momento delicado para o Swoosh. Nos últimos anos, a Nike tem enfrentado dificuldades para se reconectar com consumidores em busca de inovação e posicionamento mais alinhado a valores contemporâneos. Sob a liderança do CEO Elliott Hill, a estratégia de recuperação ainda não apresentou resultados expressivos.

A recente controvérsia reforça a necessidade de ajustes não apenas em produtos e inovação, mas também na comunicação e na sensibilidade cultural da marca.

Reportagem: Mktesportivo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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