Como a geopolítica impede o Irã de vestir marcas globais na Copa do Mundo.
Enquanto equipes desfilam uniformes assinados por Nike, adidas e PUMA, a equipe iraniana precisa recorrer a empresas locais.
Em Copas do Mundo, as seleções não representam apenas seus países dentro de campo, elas também carregam contratos milionários com marcas de grande alcance.
Para o Irã, porém, essa vitrine esbarra em um obstáculo fora das quatro linhas: a política internacional.
Nos últimos anos, sanções econômicas impostas ao país têm dificultado acordos e gerado atritos entre a federação e empresas internacionais.
Como consequência, enquanto outras seleções desfilam uniformes assinados por grandes marcas como Nike, adidas e PUMA, o Irã passou a recorrer a uma fornecedora local.
Esse cenário se confirma desde o ciclo da Copa de 2022, quando a equipe vestiu a nacional Merooj.
Antes disso, em 2018, a federação acumulou episódios de tensão, especialmente com a Nike.
O caso mais emblemático ocorreu às vésperas da Copa do Mundo da Rússia, quando, a poucos dias da estreia iraniana, a empresa norte-americana anunciou que deixaria de fornecer chuteiras aos jogadores, gerando uma “troca de farpas” pública entre as partes.
A justificativa foi direta: o Swoosh visava cumprir as sanções impostas pelos Estados Unidos durante a saída do país do acordo nuclear (JCPOA).
A decisão foi acompanhada de um severo boicote ao Irã, impactando setores como petróleo e finanças.
A atitude da Nike teve impacto imediato. Jogadores iranianos que utilizavam equipamentos da marca foram pegos de surpresa e tiveram que buscar alternativas às pressas.
Alguns recorreram a colegas de clube no exterior, outros compraram chuteiras por conta própria em lojas locais.
Porém a empresa norte-americana não foi a única a recuar.
A adidas, que forneceu uniformes à seleção iraniana na Copa do Mundo de 2018, também optou por não prolongar a parceria.
Segundo o conglomerado, o ambiente de sanções e instabilidade jurídica tornou o mercado iraniano pouco atrativo e arriscado para empresas europeias.
Outro fator pesou nessa decisão: o Irã não é signatário de importantes convenções internacionais de proteção à propriedade intelectual.
Na prática, isso dificulta o combate à falsificação de produtos e reduz o controle das marcas sobre seu próprio mercado, afastando ainda mais investidores estrangeiros.
Com o boicote da Três Listras, houve relatos de que a Federação Iraniana precisou adquirir seus uniformes de forma independente, sem contrato de fornecimento, um cenário atípico para uma seleção com presença constante em Copas do Mundo.
Diante desse cenário, o caso da Seleção Iraniana evidencia como o futebol, embora globalizado e altamente comercial, permanece vulnerável às dinâmicas da política internacional.
As restrições impostas não apenas limitam acordos, mas também afetam diretamente a preparação e a estrutura de uma equipe em competições de alto nível.
Reportagem: Mktesportivo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:
Postar um comentário