segunda-feira, 20 de abril de 2026

Os uniformes da seleção do Irã

Como a geopolítica impede o Irã de vestir marcas globais na Copa do Mundo.

Enquanto equipes desfilam uniformes assinados por Nike, adidas e PUMA, a equipe iraniana precisa recorrer a empresas locais.

Em Copas do Mundo, as seleções não representam apenas seus países dentro de campo, elas também carregam contratos milionários com marcas de grande alcance. 

Para o Irã, porém, essa vitrine esbarra em um obstáculo fora das quatro linhas: a política internacional.

Nos últimos anos, sanções econômicas impostas ao país têm dificultado acordos e gerado atritos entre a federação e empresas internacionais. 

Como consequência, enquanto outras seleções desfilam uniformes assinados por grandes marcas como Nike, adidas e PUMA, o Irã passou a recorrer a uma fornecedora local.

Esse cenário se confirma desde o ciclo da Copa de 2022, quando a equipe vestiu a nacional Merooj. 

Antes disso, em 2018, a federação acumulou episódios de tensão, especialmente com a Nike.

O caso mais emblemático ocorreu às vésperas da Copa do Mundo da Rússia, quando, a poucos dias da estreia iraniana, a empresa norte-americana anunciou que deixaria de fornecer chuteiras aos jogadores, gerando uma “troca de farpas” pública entre as partes.

A justificativa foi direta: o Swoosh visava cumprir as sanções impostas pelos Estados Unidos durante a saída do país do acordo nuclear (JCPOA). 

A decisão foi acompanhada de um severo boicote ao Irã, impactando setores como petróleo e finanças.

A atitude da Nike teve impacto imediato. Jogadores iranianos que utilizavam equipamentos da marca foram pegos de surpresa e tiveram que buscar alternativas às pressas. 

Alguns recorreram a colegas de clube no exterior, outros compraram chuteiras por conta própria em lojas locais.

Porém a empresa norte-americana não foi a única a recuar. 

A adidas, que forneceu uniformes à seleção iraniana na Copa do Mundo de 2018, também optou por não prolongar a parceria. 

Segundo o conglomerado, o ambiente de sanções e instabilidade jurídica tornou o mercado iraniano pouco atrativo e arriscado para empresas europeias.

Outro fator pesou nessa decisão: o Irã não é signatário de importantes convenções internacionais de proteção à propriedade intelectual. 

Na prática, isso dificulta o combate à falsificação de produtos e reduz o controle das marcas sobre seu próprio mercado, afastando ainda mais investidores estrangeiros.

Com o boicote da Três Listras, houve relatos de que a Federação Iraniana precisou adquirir seus uniformes de forma independente, sem contrato de fornecimento, um cenário atípico para uma seleção com presença constante em Copas do Mundo.

Diante desse cenário, o caso da Seleção Iraniana evidencia como o futebol, embora globalizado e altamente comercial, permanece vulnerável às dinâmicas da política internacional.

As restrições impostas não apenas limitam acordos, mas também afetam diretamente a preparação e a estrutura de uma equipe em competições de alto nível.

Reportagem: Mktesportivo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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