Vitor Reis conta como foi chegar à Europa e revela desejo de voltar ao Manchester City.
Vendido por R$ 232 milhões pelo Palmeiras, zagueiro de 20 anos chama a atenção em empréstimo ao Girona e narra, em entrevista ao Globo Esporte, como foi ser convocado por Ancelotti: "Estava dormindo".
Uma das surpresas na Seleção de Ancelotti na última Data FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol), aos 20 anos, Vitor Reis começa a trilhar uma carreira que muitos jogadores levam anos para construir.
Revelado e vendido pelo Palmeiras ao Manchester City por cerca de R$ 232 milhões em janeiro de 2025, o zagueiro começa a se firmar na Europa.
Com a camisa do Girona, ele ganhou espaço em campo após ser emprestado e, como consequência, realizou recentemente um dos grandes sonhos da carreira: a convocação para a seleção brasileira principal.
O chamado veio de forma inusitada: no meio da madrugada, enquanto dormia com a esposa em casa, na Espanha, após as lesões de Marquinhos e Gabriel Magalhães.
Levado por Carlo Ancelotti para o amistoso do Brasil com a Croácia, o jovem acordou achando que ainda estava sonhando.
"Foi durante a madrugada, por volta de 1h30, 2. Eu estava dormindo, e eles tentaram me ligar. Como meu celular fica no modo noturno, acabaram ligando para a minha esposa. Quando atendi, meu empresário falou: "Já está preparado? Vamos para a Seleção". Na hora, achei que era brincadeira… depois caiu a ficha. Aí foi só alegria".
A convocação coroou um momento de crescimento do jovem, que vem ganhando destaque no Girona após ser emprestado pelo Manchester City em agosto do ano passado.
A mudança, inicialmente inesperada, acabou sendo vista como fundamental para o seu desenvolvimento.
Titular no Girona, na semana passada, ele protagonizou um embate intenso com Mbappé, que chegou a sofrer um corte acidental no rosto no empate em 1 a 1 com o Real Madrid.
"Quando soube que poderia ser emprestado, fiquei um pouco chocado. Não esperava. Mas depois entendi que precisava jogar. Pela minha idade, não adianta ficar sem atuar. Foi a decisão certa vir para o Girona. Estou muito feliz aqui".
O bom desempenho na Espanha não só abriu portas na Seleção como reforçou o plano de Vitor Reis para o futuro: voltar ao Manchester City mais preparado para brigar por espaço.
"A minha intenção, minha vontade, é voltar para o Manchester City, para jogar e ter espaço. Mas é o que eu falo: vou focar no dia a dia, nesse final de temporada, para quando chegar o momento dessa conversa a gente sentar com calma, com a cabeça tranquila", comentou Vitor Reis sobre o objetivo de voltar ao Manchester City
Mesmo tão jovem, Vitor Reis já coleciona experiências com alguns dos técnicos mais relevantes do futebol mundial. Revelado pelo Palmeiras, trabalhou com Abel Ferreira no início no profissional.
No futebol inglês, conviveu com Pep Guardiola, e agora foi convocado por Ancelotti na Seleção.
Uma sequência rara para um jogador de apenas 20 anos.
"Eu me considero um cara muito privilegiado por ter trabalhado com todos eles. Hoje trabalho com o Michel, aqui no Girona, que também tem me ajudado muito. Mas acho que a principal diferença está no que cada um me ensinou", afirmou Vitor Reis.
Com diversas convocações para as categorias de base do Brasil e sonhando em retornar ao City de Guardiola no meio do ano após o empréstimo ao Girona, Vitor Reis conversou com o ge, em entrevista que você confere na íntegra abaixo.
"Meu sonho é disputar uma Copa do Mundo, que, para mim, é a maior competição que existe. Esse é o maior sonho da minha vida, como acredito que seja o de todos os jogadores, porque vestir a camisa do seu país é algo muito gratificante. Também sonho em ganhar a Liga dos Campeões, que é o maior campeonato de clubes do mundo. Esses são os meus sonhos”, comentou Vitor Reis.
Relação com o Palmeiras: "O Palmeiras foi minha casa por muitos anos. Cheguei lá com 10 anos, então tenho contato, sim, com muitas pessoas, muitos jogadores, até os mais jovens, que estão no sub-20 e também jogando um pouco no profissional. Eu converso bastante com o pessoal lá, e é um clube pelo qual tenho um carinho muito grande".
"Tento acompanhar todos os jogos, mas aqui é um pouco complicado por conta do fuso. Muitas vezes as partidas são de madrugada, então não consigo assistir sempre. Mas, no dia seguinte, procuro ver as notícias, entender como foi, e fico muito feliz, porque vejo que o Palmeiras está indo muito bem. Mais uma vez, é um clube gigantesco, que proporciona tudo de melhor para os jogadores e tem pessoas que fazem de tudo pelo clube. Creio que isso faz total diferença".
Aprendizados com Abel Ferreira: "É um treinador por quem tenho muito carinho e respeito. Aprendi muito com ele em pouco tempo. Foi um cara que fez diferença na minha vida, não só no futebol, na parte tática, mas também como ser humano, como pessoa. Cada vez que sentava ali na roda para conversar com os jogadores, eu aprendia algo diferente. Ele é um cara muito humano, e isso no futebol te ajuda muito a seguir em frente. O futebol não é fácil se você não tiver uma mentalidade boa, e ele tem isso. Tenho certeza de que ainda vai fazer mais história do que já fez".
Acordado pela ligação da convocação: "Foi durante a madrugada, por volta de 1h30, 2h da manhã. Eu estava dormindo com a minha esposa, e eles tentaram me ligar, mas meu celular fica no modo noturno quando vou dormir, para não receber mensagens nem ser atrapalhado. Aí meus empresários começaram a ligar para o celular da minha esposa, que estava normal. Começou aquele barulho, a gente acordou, vi que era meu empresário me ligando, peguei o celular e atendi. Ele disse: “Já está preparado? Vamos para a Seleção”. Na hora, eu não acreditei. Falei: “Que Seleção? Está mentindo, está brincando comigo...". Mas, depois que fui acordando melhor, percebi que era verdade. Aí foi só alegria".
"Sem dúvida foi uma surpresa, até pelo momento em que aconteceu. Porque a convocação tinha sido antes, já depois da partida, e eu não esperava mais. E também por se tratar de Seleção Brasileira. Sempre foi um sonho estar lá. Ser convocado, estar ao lado de jogadores com quem você sempre sonhou atuar, é muito gratificante", Vitor Reis
Sonho de jogar a Copa do Mundo:
"Eu estou muito tranquilo. Eu até costumo dizer: estou tentando fazer o que posso controlar, que é o dia a dia, os jogos, fazer tudo o que está ao meu alcance. O futuro a Deus pertence. Se for para ser agora, que seja feita a vontade de Deus. Eu vou seguir trabalhando, seguir focado. Creio que é isso: fazer o que posso controlar e deixar as decisões para quem tem que tomar".
"Parece impossível às vezes, né? Você olha e vê que é muito difícil. Mas a própria convocação também parecia difícil, e eu fui chamado. Então isso mostra que você não pode parar de sonhar", afirmou Vitor Reis sobre disputar a Copa do Mundo.
"Eu sou um cara muito tranquilo, porque, independentemente da situação, eu sempre estou trabalhando muito forte, muito focado no que eu quero. Isso é uma facilidade que eu tenho, porque não preciso mudar a minha forma de trabalhar nesses momentos. É seguir fazendo o que eu venho fazendo, para, se Deus quiser, ter meu nome na lista. Eu estou muito focado e ficaria muito contente de estar lá. Mas, se não acontecer agora, vou seguir trabalhando da mesma forma para que nas próximas vezes eu esteja. Acho que é isso".
Chegada ao Manchester City: "O Manchester City também foi uma história muito linda na minha vida. Quando cheguei lá, foi meio que um choque de realidade, assim como foi na Seleção. Você chega e vê os jogadores ao seu redor. Lembro de ver meu nome ali perto de caras como Rodri, Bernardo Silva, Savinho, Ederson… e isso me deixava muito contente. É um clube que sempre tenta extrair o máximo dos jogadores, e isso me ajudou muito. Aprendi muitas coisas com o Pep, que é um cara surreal na mentalidade e no entendimento de jogo".
"Tenho contato com o diretor do Manchester City. Converso muito com o pessoal do Grupo City, direto eles estão aqui em Girona também. Então, para mim é muito importante ter esse contato, né, esse cuidado deles, e eu fico muito feliz de estarem perto assim, sempre tentando ver e entender tudo tudo que está acontecendo aqui", afirmou o Vitor Reis.
Aprendizados com Guardiola: "Quando você chega lá e vê o Pep Guardiola, dá aquele receio, né? Aquela sensação diferente. Mas, no primeiro dia, quando fui apresentado no Centro de Treinamento do City, já tive um contato com ele. A gente estava ali com minha família, meu empresário… e quando ele apareceu, todo mundo ficou muito feliz, até mais do que eu. Tiraram foto, aquela emoção toda. Depois subi para a sala dele, a gente conversou rapidamente, e aquilo já me deixou mais à vontade, mais acolhido".
"Esse primeiro contato foi muito importante. Depois, no dia a dia, nos treinos, ele também conversava comigo, e eu aprendi muito com ele, principalmente na forma de entender o jogo, de facilitar as coisas dentro de campo. É um cara muito inteligente. Se você faz o que ele pede, seu jogo flui melhor. E, além disso, tem uma fome de vencer que é surreal. Mesmo tendo conquistado tudo, continua à beira do campo com a mesma intensidade, querendo ganhar, orientando todo mundo. Isso é um diferencial enorme. Foi um sonho trabalhar com ele, e, se Deus quiser, espero poder voltar e viver isso novamente".
Empréstimo ao Girona: "Quando fiquei sabendo que estavam pensando em me emprestar, eu fiquei um pouco chocado, porque não era algo que passava pela minha cabeça. Mas, depois que fui entendendo melhor e conversando com várias pessoas, percebi que seria bom para mim, principalmente pela minutagem, por ter mais jogos. Pela minha idade, eu preciso jogar. Não adiantava ficar lá sem atuar, como aconteceu nos seis meses em que estive".
"Então acho que foi uma decisão muito importante, 100% correta, de vir para cá. Aqui no Girona estou muito feliz. As pessoas são incríveis, e acredito que foi uma escolha muito acertada", comentou Vitor Reis sobre empréstimo ao Girona.
Marcação implacável em Mbappé: "Não é simples segurar um ataque com Vini Jr., Mbappé e Bellingham. É um jogo que exige concentração máxima. Nosso time entrou muito competitivo e fico feliz demais pela postura de todos e pelo resultado positivo. Sabíamos do tamanho do desafio e nos preparamos muito para esse jogo. Conseguir um resultado positivo contra o Real Madrid dá confiança e reforça que estamos no caminho certo. Para mim, é especial viver esse momento, ganhar sequência e ajudar o time dentro de campo".
Free fire nas horas vagas com os amigos: "Eu jogo bastante Free Fire com meus amigos, a gente joga quase todo dia, geralmente à tarde. Graças a Deus consigo manter uma relação muito boa com eles. Tenho muita amizade com jogadores com quem atuei na base, como o Fellipe Jack , que está jogando aqui na Itália e é um dos meus parceiros, a gente viaja junto pela Europa. Tem também o Riquelme, o Benedetti e o Figueiredo, que ainda estão no Palmeiras, são muito meus amigos".
"E tem meus amigos da minha cidade, São José. Dois deles estiveram aqui em casa há alguns meses. A gente ficou junto, jogando Free Fire, aquela resenha de sempre. Eles foram no jogo contra o Barcelona, quando ganhamos por 2 a 1, e ficaram muito emocionados. Um deles falou que foi um dos dias mais felizes da vida. Eu fico muito feliz de poder proporcionar isso. Porque, para mim, se eu não estivesse vivendo tudo isso, com certeza gostaria de assistir a um jogo, conhecer jogadores… Então poder proporcionar isso para outras pessoas é muito importante. Fico muito contente mesmo".
Thiago Silva e Marquinhos: "Desde pequeno eu sempre assisto e me inspiro neles. São o Thiago Silva e o Marquinhos. Meu pai também sempre dizia isso para mim. Ver o tamanho que eles são, o que eles foram, o que fizeram na carreira e o que ainda estão fazendo é inspiração. É focar, ver o que eles estão fazendo para tentar fazer também, fazer melhor e evoluir sempre".
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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