Atlético-MG quita atrasados com jogadores.
Direção da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) cumpre acordo com elenco do Galo, pagando pendências relacionadas a luvas e direito de imagem.
Um dia depois da vitória diante do Flamengo, no Maracanã, a diretoria da SAF do Atlético-MG quitou a segunda parcela dos valores devidos ao grupo de jogadores.
O clube tinha pendências relacionadas ao pagamento de luvas e direito de imagem.
Na quarta-feira da semana passada, houve uma reunião dos jogadores com Rubens Menin, sócio majoritário da SAF do Atlético.
O encontro foi motivado pelas cobranças do elenco do Galo em relação ao pagamento dos valores devidos.
No mesmo dia, com um valor depositado por Menin, parte das pendências foi paga.
No entanto, ficou acordado que o restante do montante devido seria quitado até o fim desta semana, o que ocorreu nesta sexta-feira (1º).
O pagamento chega em momento importante da temporada do Galo.
Ao vencer o rival fora de casa, o Atlético fica com a vantagem do empate para passar de fase na Copa do Brasil.
O confronto de volta vai ser disputado na próxima quarta-feira (6), às 19 horas (horário de Brasília), na Arena MRV.
Entenda o problema nas contas do Galo: A crise financeira do Atlético chegou ao ápice na terça-feira (29) da semana passada, quando o atacante Rony acionou a Justiça pedindo a rescisão unilateral de contrato.
Ele alegou atrasos nos pagamentos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), luvas e, principalmente, direito de imagem.
Mais tarde, no mesmo dia, o jogador desistiu de rescisão unilateral, depois de conversar com a diretoria.
Também na terça foi revelado que outros atletas, entre eles Guilherme Arana, Gustavo Scarpa e Igor Gomes, notificaram extrajudicialmente o Atlético por atrasos nos pagamentos de direitos de imagens e premiações.
Diante da situação, o comando da SAF marcou uma reunião com o grupo para quitar os valores atrasados.
O Atlético fechou 2024 com cerca de R$ 300 milhões de prejuízo.
Segundo números do balanço financeiro do clube, divulgados em maio, a dívida total atleticana está na casa de R$ 1,8 bilhão.
O relatório do economista César Grafietti apresenta um valor maior devido pelo Galo: R$ 2,3 bilhões, com o Alvinegro levando de 19 a 22 anos para quitar esse montante.
Grafietti analisou as contas atleticanas e afirmou que o Galo precisa de um aporte financeiro de mais de R$ 500 milhões para equilibrar as finanças.
O comando do clube procura um investidor no mercado para levantar a quantia.
Neste ano, também foram noticiadas várias dívidas do Atlético com outros clubes, referentes a pagamentos de parcelas nas contratações de jogadores.
O Galo também tem pendências com agentes e representantes de atletas, envolvendo comissões em negociações de reforços para a equipe.
Em junho, Rafael Menin, um dos acionistas da SAF do Atlético, fez mea-culpa ao avaliar o momento do Atlético e admitindo outras atrasos do clube com elenco em anos anteriores.
"A gente deixou de pagar parcelas, deixamos de receber também R$ 24 milhões , a Arena demorou para ser reaberta. O desempenho financeiro da Arena é muito superior que Mineirão, Independência, foi um semestre duro. Atraso de salário, de imagem, teve um atraso menor, atrasou 10, 15 dias. Isso já aconteceu em 2023, 2022, 2021, o que a gente luta muito é para que não haja um acumulo de atraso".
"O clube faz uma mea-culpa. (…) Foram cinco anos de acerto, erros e muito aprendizado. E a gente vai aprendendo (…) O que foi feito para o bem ou para o mal, foi feito com o objetivo de acertar."
Para tentar equilibrar as contas, o clube tenta levantar um novo aporte milionário para injetar nos cofres ainda neste semestre.
A ideia é que esse dinheiro venha de um novo investidor.
Porém, os atuais acionistas também podem depositar o montante no caixa atleticano.
Dentro dessa movimentação, Ricardo Guimarães, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético e também acionista da SAF, convocou uma reunião para votar uma alteração na cláusula anti-diluição, que poderá resultar em uma diminuição da porcentagem da associação do Alvinegro dentro do modelo de clube-empresa.
A cláusula anti-diluição é um dispositivo contratual que visa proteger os investidores minoritários, no caso a Associação do Atlético, que possui 25% da SAF, contra 75% de Rafael Menin, Rubens Menin, Ricardo Guimarães e outros.
O tópico contratual foi feito para que essa porcentagem não seja essa diminuída.
Nesta quinta-feira (31), o clube informou que a reunião foi adiada.
Mesmo com os problemas financeiros, o Atlético se movimenta no mercado de contratações.
O clube anunciou a contratação do volante Alexsander, ex-Fluminense.
O Galo negocia a chegada do meia Reinier, do Real Madrid. Por outro lado, a diretoria confirmou a ida meia Rubens para o futebol russo.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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