quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Seleção inglesa e as origens imigratórias

Inglaterra tem 70% da seleção com origens de imigrantes, alvos de protestos no país.

Londres e outras cidades inglesas enfrentam há meses ondas de manifestações contra imigração. 

18 dos 26 convocados nesta data FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol) são filhos ou netos de pessoas que vieram de outras nações.

Angola, Barbados, Costa do Marfim, Escócia, Irlanda, Jamaica, Nigéria... 

A seleção da Inglaterra conta hoje com quase 70% de jogadores com origens em outros países. 

Um aspecto que ganha mais relevância no atual momento político do país, marcado por grandes protestos anti-imigração.

Dos 26 jogadores convocados pelo técnico Thomas Tuchel para esta data FIFA, 18 são filhos ou netos de pessoas que migraram para a Inglaterra. 

Caso, por exemplo, de Harry Kane, capitão do time, cujo pai é irlandês. 

Ou do ponta Saka, filho de nigerianos. 

Do zagueiro Konsa, de pai da República Democrática do Congo e mãe de Angola.

A lista poderia ter mais nomes assim, mas o lateral-direito Alexander-Arnold, com laços com os Estados Unidos, o meia Bellingham (ascendência da Irlanda e do Quênia) e o atacante Cole Palmer, de família de São Cristóvão e Névis, no Caribe, não foram chamados desta vez.

Os protestos anti-imigração de setembro, que reuniram em Londres mais de 100 mil manifestantes, tiveram o uso extensivo das bandeiras da Inglaterra e do Reino Unido (que reúne também Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales). Muitas pessoas vestiam camisas da seleção.

Essa questão da imigração se tornou dominante na Grã-Bretanha nos últimos meses. 

Entretanto, levantamento recente do Migration Observatory, da Universidade de Oxford, mostrou que a chamada "migração líquida", número de pessoas que imigraram para o Reino Unido menos o número das que saíram, caiu drasticamente em 2024.

O número baixou para 431 mil pessoas. 

Isso foi em grande parte consequência de políticas mais restritivas promovidas pelo governo britânico, como por exemplo para vistos de trabalho e estudo. 

A imigração considerada legal diminuiu.

Por outro lado, aumentou o número de imigrantes que chegaram à ilha em barcos: 45 mil pessoas entre agosto de 2024 e de 2025, crescimento de 47% em relação ao ano anterior.

Esse tipo vindo de pequenas embarcações representou 4% do total no Reino Unido no ano passado.

Outro aspecto é a quantidade de pedidos de asilo. 

Foram 110 mil até junho, maior quantidade desde 1979. 

Quando os pedidos ocorrem, o governo tem a responsabilidade de alocar as pessoas. 

A administração atual, diante da alta demanda, decidiu espalhar esses imigrantes em mais cidades, em hotéis e lugares antes não acostumados a isso.

"Esse tema está sujeito a muitas mudanças durante um curto período de tempo, a opinião não é constante. Houve um aumento significativo da preocupação com a imigração depois da pandemia. O número de pessoas chegando por pequenas embarcações vem aumentando e deve bater recorde em 2025. Existe a preocupação de que há demonstração de falha de controle por parte do governo. A questão é complexa, e não há solução fácil", comentou Rob McNeill, vice-diretor e chefe de mídia do Observatório da Migração da Universidade de Oxford.

Há um consenso na Inglaterra de que esses protestos anti-imigração contam com muitas pessoas identificadas politicamente com a extrema direita. 

São acusadas de praticarem racismo e islamofobia. 

Ao mesmo tempo, analistas ponderam que há pessoas nessas manifestações que não são radicais, mas possuem preocupação legítima com o controle sobre imigração no país.

O debate sobre imigração, legal ou ilegal, teve influência direta no "Brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia. 

O Brexit começou em 2016 e terminou em 2020, mas ainda reverbera na Inglaterra.

A comissão técnica da seleção inglesa e jogadores da equipe têm se manifestado contra o racismo e a intolerância no país. 

Um time com origens diversas ajuda na perspectiva positiva sobre imigração e sua contribuição para a sociedade, segundo pesquisadores.

"Os imigrantes têm sido parte essencial do sucesso do Reino Unido. A seleção inglesa é apenas um exemplo disso, mas os imigrantes contribuem para a sociedade e a prosperidade britânica de inúmeras maneiras. Devemos celebrar todos aqueles que vêm de todas as partes do mundo para fazer do Reino Unido seu lar. Seríamos muito mais pobres sem eles", afirmou Niall McGourty, diretor de comunicações da organização "Best of Britain", que reúne cientistas e ativistas para pesquisar e elaborar políticas para o Reino Unido pós-Brexit.

A Inglaterra enfrenta o País de Gales nesta quinta-feira (9) em amistoso e depois encara a Letônia no dia 14 de outubro, fora de casa, pelas Eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo de 2026. 

A seleção inglesa lidera o Grupo K, com 15 pontos, mas ainda não está classificada para a Copa do Mundo.

O centroavante Harry Kane será desfalque nessa primeira partida contra o País de Gales, por causa de uma pancada no último compromisso pelo Bayern de Munique, contra o Eintracht Frankfurt.

*O repórter viaja a convite da organização Sport Positive, que ajuda a comunidade do esporte a aumentar suas ambições climáticas. 

O Sport Positive Summit 2025 tem o apoio do COI (Comitê Olímpico Internacional) e da ONU (Organização ads Nações Unidas).

Reportagem: Globoesporte.globo.com

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário