domingo, 5 de julho de 2026

Uma revanche brasileira

Ronaldo Fenômeno de técnico e gol de Edmundo: como foi a revanche não oficial do Brasil contra a Noruega.

Em 2018, 2 brasileiros organizaram os 3 a 0 para o Brasil contra a Noruega, em Oslo: “Eles estavam jogando contra ídolos”, conta gaúcha que idealizou amistoso.

“Não tem um dia que eu converse com um norueguês sobre futebol que não se mencione esse jogo”. O desabafo bem-humorado é de Leo Doria. Ele mora há 25 anos em Oslo, casou com uma norueguesa e tem 2 filhos nascidos no país nórdico. E sabe o que significou aquele Brasil 1 a 2 Noruega, na Copa do Mundo de 1998.

Em 2018, o carioca, que já estudava e trabalhava em Oslo há mais de 20 anos, foi convidado para ser intérprete dos veteranos brasileiros numa partida com valor simbólico enorme para aquele país. 

O evento marcaria os 20 anos da vitória da Noruega contra a Seleção na França, gols de Tore Andre Flo e Rekdal, com Bebeto descontando.

O jogo reuniu boa parte dos jogadores brasileiros daquela campanha, no Ullevaal Stadium. 

Ronaldo, lesionado, atacou de treinador. 

Foi uma festa em Oslo. 

Apesar dos 3 a 0 para o Brasil, gols de Edmundo, Giovanni e Gabriel (ex-Fluminense, São Paulo e Grêmio, que não foi àquela Copa do Mundo).

"Não é só na história do esporte norueguês, mas na história norueguesa esse jogo é um absurdo. Tem 2 nomes que chamam, é o “Milagre de Marselha” ou então “O dia em que a Noruega ganhou do Brasil”, conta Leo Doria, que tem o projeto “Heia Brasil” (Vamos, Brasil) nas redes sociais e trabalha numa secretaria de diversidade e integração do governo norueguês.

E tudo começou num plano de vingança futebolística e uma ideia ousada. 

A gaúcha Juliane Manica foi morar em 1998 na Noruega para fazer intercâmbio. 

Quando o Brasil caiu no grupo norueguês tinha a certeza da vitória na Copa do Mundo da França. 

Mas a virada de 2 a 1 surpreendeu o mundo.

O confronto desta tarde, em Nova Jersey, às 17 horas (horário de Brasília), horário de Brasília, de Brasil e Noruega é o quinto na história das 2 seleções. 

Com vantagem norueguesa, com 2 vitórias (na Copa do Mundo de 1998 e num amistoso em 1997) e 2 empates, algo único na história da seleção mais vencedora do planeta.

“Se me trouxer o Ronaldo, a gente faz”: O orçamento foi alto para os padrões de eventos de futebol na Noruega. 

O jogo foi sucesso de público. 

Em 3 horas, venderam 8 mil ingressos, e 22 mil pessoas foram ao estádio.

"Eu sempre ouvia: “Ai, a Noruega sempre ganha do Brasil, vocês nunca ganharam”. E ficou aquela história por 20 anos. Daí um dia eu comentei com o meu marido (que é norueguês) e falei: "Eu não aguento mais isso". Eu queria fazer a revanche desse jogo, só para botar um ponto final nessa história. E ele disse: "Pô, por que que a gente não faz?", conta a jornalista gaúcha, que ouviu o desafio do editor do jornal, que terminaria como um dos patrocinadores do evento.

"Ele me disse: “Se você trouxer o Ronaldo, a gente faz”.

O Fenômeno veio. 

E foi ciceroneado por Leo Doria, que acompanhou todos os brasileiros nos dias e nos eventos externos. 

Além dos jogadores da campanha que ficou marcada pela derrota por 3 a 0 para a França em 1998, o Brasil teve alguns convidados, como Julio Cesar, o ex-gremista João Antonio e Gabriel, autor de um golaço do meio de campo.

O gol que fechou a vitória brasileira.

"Lembro que o Bebeto tomou uma pancada e falou comigo: “Pô, Leo, num jogo desses dar uma entrada assim”. Porque eles têm esse negócio que nunca perderam para o Brasil e não queriam perder aquele jogo de jeito nenhum. Só que eles foram amassados naquele jogo. Mas também não valeu nada, sabe?", lembrou Leo Doria.

Atacante de destaque da Noruega nos anos 1990, Tore Andre Flo fez um gol contra Junior Baiano e sofreu pênalti no duelo com o zagueiro brasileiro, um lance que deu o que falar na época. 

Assim como Haaland vê Ronaldo como seu ídolo, Flo admirava muito o seu rival da época mesmo com contraindicações.

"O Tore Andre Flo fez uma cirurgia de bacia e ele não podia jogar. Os médicos do Chelsea (onde o ex-atacante trabalhava até 2021) falaram: "Tu não pode jogar esse jogo, isso não é mais para ti". E ele disse: "Não quero saber, eu vou jogar", conta Juliane.

8 anos depois, ela está esperançosa na revanche para valer. 

E segue sem aguentar as gozações locais.

"Nossa, eles só falam disso. Que o Brasil vença dessa vez. Pelo amor de Deus. Isso seria muito bom".

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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