segunda-feira, 6 de julho de 2026

Abre precedentes

Tuchel diz que FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol) cria precedente ao anular expulsão de Balogun: "Onde isso vai parar?"

Técnico da Inglaterra cita ligação de Trump a Infantino e afirma que caso abre margem para que toda seleção peça a revogação de suas punições.

Thomas Tuchel foi incisivo ao criticar a decisão da FIFA de anular a expulsão de Balogun, dos Estados Unidos. 

Segundo o treinador da Inglaterra, a revogação demonstra a falta de critério da entidade e abre precedentes para que toda equipe possa tentar cancelar uma punição.

"Onde isso começa e onde termina? A gente pode cancelar o cartão ou não pode? Qual é o critério? O que está acontecendo? Sim, "qual o limite?" é a pergunta para qual eu não tenho resposta. Onde isso vai parar? A gente apela se um amarelo não for amarelo? A gente acha que não foi para vermelho ou alguém acha? Essa é minha pergunta. Não tenho uma resposta", enfatizou o técnico em coletiva.

Em certo momento, um repórter pergunta a Tuchel se o príncipe Harry poderia pedir para Donald Trump ajudar no caso. 

O presidente dos Estados Unidos revelou ter ligado para Infantino para tratar da expulsão de Balogun. 

O gestor da FIFA admitiu o telefonema, mas negou que uma interferência no Comitê Disciplinar.

"Talvez, sim. Seria um bom começo", brincou Tuchel.

Tuchel ainda relembrou outros casos de punições questionáveis e que poderiam ser revistas, seguindo os precedentes do caso Balogun. 

Um dos casos citados na coletiva foi o de Jarell Quansah, que foi expulso no segundo tempo contra o México e vai perder o duelo das quartas de final.

"Quem revogou essa decisão, então? E quando? E por quais motivos? Onde isso vai parar agora? Isso é estranho para mim. Nós só queremos ter consistência nas decisões. O cartão amarelo depois do primeiro minuto para o Declan Rice, nós podemos debater isso infinitamente. Eu acho que não era para cartão. Nós podemos reverter? A França pode reverter o amarelo do Olise que não foi para amarelo? Onde isso termina? Eu não sei as regras, não sou a pessoa correta para perguntar. Vou esperar e ver o que acontece", afirmou.

O que é o caso Balogun?

Folarin Balogun foi expulso por Raphael Claus, árbitro brasileiro, no segundo tempo da vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia, por 2 a 0, na segunda fase da Copa do Mundo. 

O atacante de 25 anos deu um pisão na perna do zagueiro Tarik Muharemović e recebeu o vermelho direto.

O cartão geraria uma sanção automática de um jogo de suspensão, segundo o Artigo 10.5 das regras da FIFA para a competição. 

Entretanto, Balogun teve a punição revogada pela FIFA no domingo (5) e poderá poderá enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.

A decisão se baseou em uma brecha do artigo 27 do Código Disciplinar da FIFA, que prevê que o "órgão judicial pode suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar".

As federações de futebol da Bélgica e dos Estados Unidos tinham até as 9 horas (horário de Brasília) desta segunda-feira (6) para apresentar suas considerações sobre o caso. 

No entanto, os belgas não receberam o relatório sobre a decisão e a justificativa da FIFA para suspender o cartão vermelho que Balogun.

A Federação de Futebol da Bélgica ainda pode apelar à Corte Arbitral do Esporte (CAS), instância máxima da justiça esportiva. 

No entanto, ainda não se manifestou sobre essa possibilidade.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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