domingo, 5 de julho de 2026

Projeção de carreira

Martinelli deixou o Corinthians por sonho familiar, foi alvo de 25 clubes e trilha caminho raro no futebol.

Provável titular de Carlo Ancelotti na partida contra a Noruega, atacante fez caminho inverso da maioria dos jogadores atuais e colhe frutos da carreira planejada em conjunto com os pais.

Gabriel Martinelli pode ser considerado um jogador fora dos padrões do futebol atual. 

Enquanto muitos jovens buscam grandes clubes nas capitais, o atacante decidiu deixar a base do Corinthians aos 13 anos para apostar em um duplo projeto pessoal da família no interior de São Paulo.

O atacante queria dar uma vida tranquila para os pais recém-aposentados com a mudança para Itu, no interior paulista, ao mesmo tempo que buscava o protagonismo em um clube de menor expressão. 

Pouco mais de uma década depois, o plano pode ser considerado perfeito.

Martinelli nasceu em Guarulhos e integrou as categorias de base do Corinthians até os 13 anos, marcando 73 gols em 139 jogos. 

O jogador não tinha o status de promessa como tinham outros jogadores da categoria, mas era muito bem avaliado internamente. 

Com a mudança da família para o interior, em 2015, o jogador optou por deixar o clube da capital para atuar no Ituano.

"Cheguei com 6 anos ao futsal do Corinthians. Dos 10 até os 13 anos fiquei no futebol. Meus pais se aposentaram e resolveram mudar para Itu, e acompanhei eles. Fiz um teste no Ituano, o Juninho [Paulista, pentacampeão mundial com a Seleção e gestor do clube do interior] gostou. A gente priorizou a nossa vida, que é mais tranquila aqui. Meu empresário disse que era possível seguir a carreira no interior, priorizando clubes de fora. E tem dado certo", explicou o atacante, em entrevista concedida ao Globo Esporte em 2019.

A escolha não poderia ter sido melhor. 

Nos quase 5 anos em que ficou no Ituano, Martinelli conseguiu ter o protagonismo que esperava para chamar a atenção de inúmeros clubes, viver com qualidade de vida ao lado dos pais e ter tranquilidade para vencer um período instável entre os 14 e 15 anos, quando o próprio pai chegou a ter dúvida se o filho conseguiria se tornar jogador profissional.

"É difícil você sair de um clube como o Corinthians, mas acreditei nos meus pais e deu certo. Acho que seria diferente, mas não dá para saber se estaria exercendo um futebol sem pressão como faço aqui em clubes grandes", disse Martinelli, que há 7 anos chegou a profetizar como seriam os próximos passos na carreira.

"Eu e meu pai conversamos muito sobre futebol e sonhos. O sonho dele e meu é jogar uma Champions League, uma Copa do Mundo e subir cada vez mais. Sonho em vestir a camisa da seleção brasileira. É meu sonho e vou atrás disso. Podem esperar que vou dar muitos frutos para a seleção brasileira", disse Martinelli, que esteve entre os convocados do Brasil na Copa do Mundo de 2022, no Catar.

Jovem teve 25 propostas para sair do Ituano: Ainda apontado como uma grande promessa do Ituano e do futebol brasileiro, Gabriel Martinelli teve inúmeras opções para definir o seu destino. 

Os números dele no clube do interior paulista ajudaram a chamar a atenção de diversos rivais. 

Foram 94 jogos e 65 gols marcados na base. 

No profissional, foram 31 partidas, 10 gols e 6 assistências.

À época, quando ainda defendia o Ituano, o empresário de Martinelli revelou ao Globo Esporte, que havia recebido sondagens de oito clubes brasileiros e 17 da Europa. 

No Brasil, os interessados seriam, segundo o agente, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Atlético-MG, Flamengo e Fluminense.

Os clubes da Europa o empresário preferiu não mencionar, já que, na época, admitiu que a tendência era uma ida direta para fora do país, o que veio a acontecer quando Martinelli completou 18 anos e aceitou defender o Arsenal em transação que deu ao Ituano cerca de R$ 30 milhões.

"Para ser sincero, nós esperávamos que isso acontecesse", disse Marcos Casseb ao Globo Esporte, em 2019.

Dos 17 clubes europeus, 5 eram ingleses, 6 espanhóis, 4 italianos e 2 franceses. 

Antes de acertar com o Arsenal, Martinelli passou por períodos de testes no Manchester United e no Barcelona.

"Foi uma das melhores experiências que eu tive no futebol, pois, além de ser um dos maiores clubes do mundo, o nível de exigência nos treinamentos é muito alto e me fez crescer bastante no futebol, tanto na qualidade como na parte tática, nos pensamentos. Na verdade, a sensação é sempre muito boa em saber que existem pessoas ou clubes que gostam do meu futebol, por isso eu sempre entro em campo e tento fazer o meu melhor", disse o atacante, em entrevista ao Globo Esporte também em 2019.

Martinelli, de 25 anos, tem contrato com o Arsenal até o término da próxima temporada europeia. 

Ou seja, até julho de 2027. 

O atacante já recebeu sondagens para deixar a Inglaterra, mas ainda não definiu qual será o próximo passo da carreira.

Ainda quando deixou a base do Corinthians, em 2015, Martinelli prometeu ao pai que voltaria ao clube em algum momento da carreira. 

O atacante não esconde a torcida pelo Corinthians e tem em seus planos vestir profissionalmente a camisa alvinegra.

Antes disso, Martinelli deve realizar outro sonho: o de ser titular em um jogo de Copa do Mundo. 

O técnico Carlo Ancelotti voltou a utilizar o atacante como titular no treino da Seleção neste sábado (4) e indicou que ele será o substituto de Lucas Paquetá no jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo. 

A partida acontece em Nova Jersey a partir das 17 horas (horário de Brasília).

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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