Cristiano Ronaldo rebate críticas e se esquiva sobre aposentadoria após a Copa do Mundo: "Quando eu quiser".
Aos 41 anos, craque comanda Portugal contra a Espanha nesta segunda-feira (6), pelas oitavas do torneio.
Desde que deixou a fase de grupos da Copa do Mundo, cada partida eliminatória do torneio pode ser a última de Cristiano Ronaldo pela seleção de Portugal.
Pode, porque ele se recusa a responder se deixará o time quando o Mundial terminar.
"Jogando ou não, sempre terei um papel importante na seleção. Terminarei quando eu quiser, não quando vocês quiserem. Vamos ver, não quero virar as atenções para isso", afirmou o jogador na véspera do duelo contra a Espanha, pelas oitavas de final, em Dallas.
"Vou ser sincero: independentemente do que acontecer amanhã, vou sair daqui de consciência completamente tranquila. Não a 100%, mas a mil por cento. Sabem por quê? Porque, na vida e no futebol, dei tudo o que tinha para dar. Dei a minha paixão, a minha entrega e a minha vontade. Jogar todos estes anos nunca foi por necessidade. Graças a Deus, estou muito bem de vida. Continuo a jogar na seleção e nos clubes porque adoro futebol. É essa paixão que me move".
O astro demonstrou pouca paciência em determinados momentos da entrevista, principalmente quando confrontado com críticas, mas também demonstrou bom humor.
Sobre as especulações de que pode perder lugar no time titular, respondeu de forma ríspida:
"Já são 23 anos ouvindo isso. Faz tempo que vocês perceberam que não adianta. É perda de tempo. Não adianta insistir, insistir, insistir... não adianta. É uma pergunta com a qual eu já estou completamente acostumado. Tem gente que gosta mais, tem gente que gosta menos. Faz parte. Eu também tenho as minhas preferências".
"Apesar de algumas opiniões diferentes das de vocês, acho que não estou assim tão mal. Já marquei três gols. Houve quem marcasse mais, porque também está a fazer um grande torneio, mas eu também não estou mal, acho eu. Agora vamos ver… quem sabe amanhã não marco mais um gol".
Ele também disse que a busca pelo Mundial não é uma obsessão:
"Na vida, Deus foi muito generoso comigo. Deu-me muito mais do que alguma vez sonhei alcançar, tanto na seleção como a nível pessoal. Por isso, hoje procuro desfrutar de cada momento. Não vou ser mais Cristiano por ganhar um Mundial, nem vou ser menos Cristiano se não o ganhar. Obviamente que estamos todos aqui com a ambição de vencer e, da minha parte, entro em todas as competições para tentar ganhar. Mas sabemos que, no fim, só uma equipa pode conquistar o título".
Depois, voltou a mirar a imprensa.
"Depois dos 40 anos aprendi uma coisa: espero viver muitos mais, e quero estar preparado para tudo. Muitas vezes, é precisamente das maiores críticas que retiramos as maiores oportunidades de crescer como pessoas. Por isso, até vos agradeço por continuarem a fazê-lo, porque, de certa forma, isso também me faz crescer e evoluir".
O atacante se desarmou e riu e tirou risos dos jornalistas quando foi questionado sobre qual era o maior desafio ao disputar uma Copa aos 41 anos:
"A coisa mais difícil é falar com vocês… ou, pelo menos, com alguns de vocês, sobretudo com os que não gostam de mim. Tu és um deles, eu sei. Tenho boa memória para as caras. Basta ver uma pessoa uma vez e dificilmente me esqueço dela", afirmou, descontraído.
"Acho que o importante é aproveitar ao máximo. Se esta for a última Copa do Mundo, então será, mas o essencial é viver cada dia. E espero, oxalá, que amanhã não seja o meu último jogo".
Portugal e Espanha se enfrentam nesta segunda-feira (6), em Dallas, e só uma avançará para as quartas de final.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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