quinta-feira, 11 de junho de 2026

Exposição em São Paulo exibe relíquia do padroeiro do futebol

O Museu de Arte Sacra de São Paulo inaugurou ontem (10) a exposição Futebol: Paixão, Devoção e Fé, na Sala Metrô Tiradentes. 

A exposição dentro da estação do metrô exibe uma relíquia de são Luís Scrosoppi (1804-1884), padroeiro do futebol.

“Por volta de 2009 em iniciativa liderada por um empresário austríaco e professores universitários, foi feita uma análise detalhadamente da vida de mais de 2 mil santos, procurando um perfil que representasse os valores ideais do esporte”, disse José Luís Lira, presidente de honra da Academia Brasileira de Hagiologia à ACI Digital.

“O grupo buscava um modelo de perseverança, união e alegria, além de um forte vínculo com o desenvolvimento e a inclusão de jovens”, disse Lira. 

“Encontraram, então, são Luís Scrosoppi, um sacerdote italiano conhecido por sua imensa caridade, paciência e espírito alegre, oriundo da Ordem do Oratório, fundada por São Filipe Néri”. 

São Luís Scrosoppi usava o esporte e a atividade física para evangelizar os jovens. 

O Pontifício Conselho para os Leigos oficializou são Luís Scrosoppi como padroeiro dos jogadores de futebol em 2010.

“As relíquias foram emprestadas para a exposição por um parceiro do Museu, dono de uma das maiores coleções de relíquias do Brasil”, disse à ACI Digital Rodolfo Colombo, curador do Museu de Arte Sacra de São Paulo, junto com Davi Moyano.

O mesmo colecionador emprestou para a exposição uma relíquia de são Januário, primeiro bispo de Nápolis, muito popular entre italianos e seus descendentes e padroeiro da Sociedade Esportiva Palmeiras e do Juventus.

A camisa azul da seleção brasileira de 1958, que conquistou o primeiro título do Brasil, na Suécia, foi inspirada na devoção a Nossa Senhora Aparecida e está na exposição.

Até a partida final da copa 1950, a seleção usava camisa branca. 

Depois da derrota para o Uruguai na final, a cor branca foi estigmatizada e substituída pela cor amarela que se tornou tradicional. 

A final da Copa do Mundo de 1958 foi contra a Suécia, que também usa camisa amarela. 

Para evitar usar a cor branca, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, e criou o uniforme azul inspirado na cor do manto de Nossa Senhora.

A exposição também mostra a tradição mexicana do Niño Futebolista (Menino Futebolista) ou Niño de los Milagros (Menino dos Milagres): uma imagem do Menino Jesus vestida com o uniforme da seleção mexicana.

A tradição começou na copa de 1970, no México. Naquele ano, a imagem do Menino Jesus foi vestida pela primeira vez com o uniforme, para celebrar a então inédita participação do México na copa.

A exposição mostra uma camisa do time argentino Club Almirante Brown em homenagem ao papa Francisco em abril do ano passado, por ocasião da morte do papa argentino. 

A camisa, usada por jogadores do time numa partida de futebol em abril do ano passado, tem uma foto em preto e branco do papa Francisco, com o brasão papal de Francisco, e uma frase do papa argentino escrita: Solo el que sirve con amor sabe custodiar (Só quem serve com amor sabe proteger, em espanhol).

A mostra exibe uma camisa da Seleção Vaticana de Futebol, formada em 1985. 

A seleção não é inscrita na Federação Internacional de Futebol (FIFA) nem na União das Associações Europeias de Futebol (UEFA). 

A Seleção Vaticana tem uma equipe feminina desde 2018 e já fez partidas contra Palestina, San Marino e Mônaco, além de jogar contra equipes amadoras, como a Seleção de Jornalistas Austríacos, em 1985, quando venceu por 3 a 0.

A exposição mostra também fotos dos papas são João Paulo II, Bento XVI e Leão XIV recebendo camisas de times de futebol de presente e uma gravação da torcida do clube Fluminense, do Estado do Rio de Janeiro, na final do Campeonato Carioca de Futebol de 1980, cantando o refrão da música A benção, João de Deus, criada para saudar o papa são João Paulo II em sua visita ao Brasil naquele ano. 

O Fluminense empatou a partida e venceu nos pênaltis. 

Desde então, o cântico é entoado pela torcida do Fluminense e o papa polonês é considerado um dos padroeiros do time.

A devoção de Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024), campeão em 1958 e 1962 como jogador, em 1970 como técnico e em 1994 como auxiliar técnico, a santo Antônio de Pádua é um dos temas da exposição.

A exposição mostra como a fé católica pôs a cruz de são Jorge, uma cruz vermelha em campo branco, nos escudos da seleção inglesa, e de times como Milan e Internazionale de Milão, Genoa, Sampdoria e Bologna, da Itália.

A estampa de Nossa Senhora de Nazaré, sob o título de Rainha da Amazônia, na camisa do Remo, de Belém (PA), mostra a devoção do clube a Nossa Senhora. 

O último item da exposição é um jogo da memória que mostra santos padroeiros de vários times de futebol do Brasil.

A exposição Futebol: Paixão, Devoção e Fé está aberta de terça-feira a domingo, das 9 horas (horário de Brasília) às 17 horas (horário de Brasília) (com entrada até às 16h30 - horário de Brasília) até dia 30 de junho. 

A entrada é gratuita.

Reportagem: Acidigital.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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