segunda-feira, 8 de junho de 2026

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A Copa vai ensinar tudo sobre audiência. 

O futebol brasileiro vai assistir e não aprender?

A Copa dá a uma pessoa que nunca foi ao estádio na vida uma razão emocional para se importar: país, identidade e história.

Sócio-investidor e presidente da Portuguesa SAF (Sociedade Anônima do Futebol). 

Tem experiência em clubes como São Paulo, Santos e Figueirense, além de já ter atuado no futebol europeu.

A convocação da Seleção aconteceu na segunda-feira, 18 de maio. 

Em sete dias, quase 100 milhões de pessoas foram alcançadas. 

Só na TV Globo, 34,6 milhões de telespectadores (o maior número para uma convocação neste século). 

Nas redes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), 190 milhões de visualizações, 37 milhões de interações, mais de um milhão de compartilhamentos. 

Para replicar esse alcance com mídia paga, o custo seria de R$ 134,5 milhões.

Isso com uma convocação, não com um jogo. 

Com uma lista de nomes lida em voz alta. 

O mais revelador de tudo foi que 80% das pessoas alcançadas não são torcedores de futebol.

Isso é o que a Copa faz que o futebol brasileiro não sabe fazer no dia a dia. 

Ela transforma pessoas que não ligam para o esporte em audiência apaixonada por 45 dias e depois some.

E os clubes continuam do mesmo jeito que estavam antes.

O que a Copa ensina, e ninguém anota: A Copa não cria fãs de futebol por acaso, mas cria pertencimento. 

Ela dá a uma pessoa que nunca foi ao estádio na vida uma razão emocional para se importar: país, identidade e história.

O engajamento nas redes sociais cresceu 621% entre 2018 e 2022. 

A Copa de 2026 será maior com 48 seleções, 5 bilhões de fãs no mundo, a previsão é que a final tome 7% do tráfego global da internet.

Esses não são números de entretenimento. 

São números de comportamento. 

São dados que mostram como uma audiência latente pode ser ativada quando você dá a ela uma narrativa que importa.

O futebol brasileiro olha para isso a cada 4 anos, aplaude, e volta para vender ingresso avulso na véspera do jogo.

O torcedor que a Copa desperta: Escrevi na última coluna que o torcedor não é audiência. 

É ativo. 

A Copa comprova esse ponto de forma brutal.

Aqueles 80% que não acompanham o futebol cotidiano, mas assistiram à convocação, quem são? 

São pessoas que têm conexão emocional com a Seleção, com o Brasil, com a memória afetiva do futebol. 

Elas existem. 

Elas respondem. 

Só precisam de uma razão para aparecer.

Os clubes têm essa razão. 

Têm história. 

Têm identidade. 

Têm torcedores que cresceram ouvindo o nome do clube em casa, de pai para filho. 

O que falta não é audiência. 

É intencionalidade. 

É a decisão de tratar essa audiência latente como oportunidade de negócio, não como dado de pesquisa.

O que vai acontecer em junho: A Copa começa em 11 de junho. 

O Brasil vai parar. 

Os clubes vão quase todos parar junto pois nós da Série D vamos jogar durante a Copa, praticamente no escuro.

2 meses depois, tudo volta. 

E a pergunta que cada dirigente deveria estar se fazendo agora, antes de junho, não é “quando voltam os jogos”. 

Mas, como eu recebo de volta esse torcedor que a Copa aqueceu?

Como eu transformo a onda de engajamento que a Seleção vai gerar em audiência para o meu clube? 

Como eu uso esse momento para converter o torcedor casual em sócio, em frequentador, em parte da minha base? 

Quem pensar nisso agora vai colher em agosto. 

Quem não pensar vai reclamar que o mercado está difícil.

O laboratório que o Brasil desperdiça: A Copa é o maior experimento de construção de audiência esportiva que existe. 

Acontece a cada quatro anos, em escala global, com resultados mensuráveis. 

E o futebol brasileiro assiste, se emociona, eventualmente ganha o hexacampeonato. 

Mas não exporta nenhum aprendizado para dentro de casa. 

Não é falta de dado. 

É falta de cultura de gestão. 

A Copa vai passar. 

A janela de reconexão emocional com o torcedor que ela abre tem prazo de validade. 

Curto.

Reportagem: Mktesportivo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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