domingo, 7 de junho de 2026

Nova geração do tênis no Brasil

"Brazilian Storm" da raquete: o que há por trás da ascensão da nova geração do tênis brasileiro.

Com João Fonseca, Guto Miguel, Naná Silva, Victoria Barros e outros, país vive um momento muito promissor; mas para o head coach Léo Azevedo, é cedo para falar em "geração de ouro".

João Fonseca é o principal rosto da nova geração do tênis brasileiro, mas está longe de ser um caso isolado. 

Enquanto o carioca já se consolida entre os principais nomes do circuito profissional, uma série de jovens talentos começa a chamar atenção nas categorias juvenis e reforça a sensação de que o país vive um momento especial no esporte.

Guto Miguel se tornou o novo número 1 do mundo do ranking da ITF (International Tennis Federation - Federação Internacional de Tênis) para tenistas de até 18 anos, além de ter sido campeão de Roland Garros no juvenil. 

Durante a competição no saibro, encarou o compatriota Leonardo Storck na semifinal, e, apesar de ter sido eliminado, Leonardo realizou a sua melhor campanha da carreira em torneios de Grand Slam e é atualmente top 50 no ranking juvenil.

Victoria Barros, de 16 anos, na terceira posição do ranking mundial juvenil, tornou-se a primeira juvenil brasileira no feminino a chegar à semifinal de Roland Garros em quase 40 anos. 

Naná Silva, também de 16 anos, caminha para ocupar o quinto lugar do ranking. 

As 2 já integram a equipe brasileira da Billie Jean King Cup, principal competição de nações do tênis feminino.

"Eu não gosto muito de geração de ouro, eu acho que uma boa geração. Essas definições, geração de ouro, não sei o que, eu acho que o tempo dirá se vai ser de ouro. Ou não. Que a gente está numa posição boa, a gente está. Isso não resta dúvida", declarou Léo Azevedo, Head Coach do Time Rede Tênis, onde treinam Naná e Guto Miguel, preferindo manter-se moderado em relação às expectativas em torno dos novos talentos.

Para o treinador, uma das explicações para o surgimento simultâneo de tantos nomes promissores está justamente na proximidade entre eles. 

Diferentemente de outras épocas, os principais talentos brasileiros da nova safra convivem com frequência, treinam juntos e compartilham experiências nos torneios.

Essa geração tem até sido chamada, nas redes sociais, de "Brazilian Storm" do tênis - uma referência ao apelido dado à tempestade de talentos do surfe nacional. 

E ela não se explica apenas pelo talento individual. 

Na avaliação do treinador, o crescimento recente também é consequência de uma estrutura mais sólida, com mais torneios, mais patrocinadores, mais academias e mais oportunidades para participar de competições no Brasil.

"O que eu vejo é que muitos deles estão perto um do outro, treinam, a gente está junto em torneio. Acho que isso é uma coisa importante, que é um dos fatos principais, um puxar o outro, um se espelhar no outro. Além de ter mais investimentos voltados pro tênis, mais patrocinadores envolvidos, mais academias aparecendo e mais lugares para os jogadores treinarem. É um conjunto de tudo".

Outro traço que une boa parte dos jovens brasileiros é o estilo de jogo. 

Em vez de atletas excessivamente reativos, a nova safra se caracteriza pela agressividade e pela busca constante da iniciativa nos pontos. 

Além das características técnicas, Azevedo destaca que muitos desses atletas já contam com uma preparação compatível com o alto rendimento internacional.

"Eu acho que, da nova safra dos brasileiros, uma coisa que chama a atenção são jogadores, a maioria, bastante agressivos. E se você reparar em Naná, Guto, João, Vitória... já tem equipes multidisciplinares por trás deles".

Embora reconheça o momento positivo, o treinador também faz um alerta contra comparações simplistas. 

Para ele, o Brasil sempre produziu grandes jogadores, ainda que em contextos diferentes dos atuais.

"O Brasil sempre foi um país que produziu jogadores, esporadicamente, ou por esforços individuais. Talvez agora a gente tenha mais lugares preparados para formar jogadores, talvez Bia, João venham num momento que tem mais mídia do que antigamente quando tinha o Guga".

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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