Existe uma confusão conceitual profunda no futebol brasileiro que custa dinheiro todo dia: tratar o torcedor como audiência.
Sócio-investidor e presidente da Portuguesa SAF (Sociedade Anônima do Futebol).
Tem experiência em clubes como São Paulo, Santos e Figueirense, além de já ter atuado no futebol europeu.
O futebol brasileiro ainda trata quem enche o estádio como espectador.
As gestões que vão dominar a próxima década entendem diferente.
Existe uma confusão conceitual profunda no futebol brasileiro que custa dinheiro todo dia: tratar o torcedor como audiência.
Audiência é passiva.
Você oferece o espetáculo, ela assiste.
Se for bom, volta.
Se não for, muda de canal.
Nesse modelo, o torcedor é o destino final do produto, e a gestão trabalha para entretê-lo.
Eu penso diferente.
E os dados me dão razão.
O que os números mostram: O torcedor do futebol europeu gera, em média, 6 vezes mais receita por cabeça do que o torcedor brasileiro de clube equivalente.
Isso não é consequência de torcidas mais apaixonadas.
É consequência de modelos de negócio que tratam o torcedor como stakeholder, alguém que tem papel ativo na criação de valor, não apenas no consumo dele.
Na Portuguesa, começamos a entender isso na prática.
O projeto de ingressos gratuitos não foi caridade, foi uma hipótese de negócio.
E se o nosso problema não for preço, mas distância emocional?
O resultado veio com crescimento de mais de 9 vezes no número de sócios-torcedores e de 3 vezes na média de público.
Arquibancada cheia muda o produto. Muda o patrocinador. Muda a narrativa.
O torcedor como alavanca financeira: Quando você posiciona o torcedor como ativo, a lógica operacional muda completamente.
Você para de perguntar “como vendo mais ingressos esse fim de semana?” e passa a perguntar “como aumento o valor do relacionamento com cada torcedor ao longo de anos?”
São perguntas diferentes.
E levam a respostas diferentes.
A primeira leva a promoção, desconto, urgência.
A segunda leva a programa de sócio, experiência, identidade, pertencimento.
A primeira gera caixa pontual.
A segunda gera recorrência, que é o que financia projeto de longo prazo.
No futebol que está sendo construído no Brasil, essa distinção vai separar quem sobrevive de quem cresce.
O que falta na maioria dos clubes: Não é tecnologia.
Não é budget de marketing.
É uma mudança de perspectiva sobre quem é o torcedor dentro do modelo de negócio.
Enquanto o clube enxergar o torcedor como alguém que precisa ser conquistado jogo a jogo, vai continuar refém do resultado em campo.
Quando passar a enxergá-lo como parceiro de construção, alguém cuja lealdade tem valor financeiro mensurável, a operação muda de patamar.
Isso não é teoria.
É o que diferencia os clubes que conseguiram escalar receita dos que continuam dependendo de venda de jogador para fechar o ano.
O que estamos fazendo: Na Lusa, esse reposicionamento é estrutural.
Não é campanha.
É estratégia.
Cada decisão que tomamos, desde os ingressos gratuitos até o Lusa SAF Day, desde a transparência nos resultados até a comunicação direta com a torcida, parte da mesma premissa: o torcedor precisa sentir que é parte do projeto, não espectador dele.
Porque quando ele sente isso, ele não abandona no momento difícil.
E no futebol brasileiro, os momentos difíceis são regra, não exceção.
Nosso time tem que responder a uma pergunta semanalmente: O que estamos fazendo para nos tornar um clube do qual as pessoas querem fazer parte?
A conclusão é simples: O clube que souber transformar base de torcedores em ativo financeiro gerenciado vai ter vantagem competitiva real e sustentável.
Não é sobre ter a maior torcida.
É sobre saber o que fazer com ela.
O torcedor não é público.
É o negócio.
Reportagem: Mktesportivo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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