Futebol e Política juntos: Flamengo Antifascista debate arquibancadas e luta contra a exclusão nos estádios.
No segundo texto sobre Futebol e Política lado a lado, veja o Flamengo Antifascista, posicionamentos e ideias.
Futebol e política são dois elementos que sempre caminharam juntos, desde os governos militares, passando por Fernando Henrique Cardoso, Luís Inpacio Lula da Silva, Jair Bolsonaro e, novamente, com o petista na presidência do Brasil.
Assim, na segunda matéria sobre torcidas, arquibancada e movimentos políticos, o MyNews conversou com o Movimento Flamengo Antifascista, na segunda entrevista da série.
Inicialmente, o movimento explicou sua fundação e também sua importância nas bancadas, principalmente no Maracanã, além de sua influência na política carioca e nacional.
Resposta: O Movimento foi criado por alguns torcedores de arquibancada de esquerda e se inspiraram nas ações de Ultras Antifascistas.
A entrada do Salino se deu a partir do contato com esses fundadores em protestos de rua e nas arquibancadas.
A importância para o debate político está sempre na ótica e na defesa do antifascismo, incluindo a diversidade dos espectros que existem dentro dessa concepção.
Aliás, deveriam ser somente entre comunistas e anarquistas.
Contudo, passamos a aceitar também partidários e pessoas que pleiteiam eleições e demais vias institucionais.
Mas, no Movimento, estão sob nossa influência.
As arquibancadas, assim como o clube e a sociedade, são nosso campo de disputa constante.
Evoluímos bastante, a partir de algumas estratégias, na relação de estreitamento com as torcidas organizadas e o povão, o torcedor comum. Conseguimos pautar temas importantes, como a abertura do clube para que o sócio-torcedor possa votar, e causas por direitos, como o acesso mais popular aos estádios.
Na sociedade, pautamos recentemente diversas ações contra o genocídio do povo palestino e pedimos justiça para o povo grego pelo suposto acidente em Tempi.
Não é mistério para ninguém que o Flamengo é o maior clube de torcida do país e foi muito usado pela extrema-direita.
O movimento analisou como isso foi feito.
Resposta: Acredito que o Movimento tenha feito um bom embate em quase todos esses momentos.
Afinal, esse é o papel do antifascismo diante de tais contradições.
Em campo, o Flamengo conquista títulos, cria uma dinastia no futebol brasileiro e na América do Sul.
Só em 2024, levou a Supercopa do Brasil e o bicampeonato carioca.
Assim, dirigentes do clube aproveitam a fama e se lançam a cargos de vereador, deputado e até tentam a Prefeitura do Rio de Janeiro.
O movimento analisa isso.
Resposta: Dirigentes sanguessugas não são exclusividade do Flamengo.
Mas eles existem e, em vários momentos, utilizaram o clube como “trampolim” sem ao menos trabalharem para os interesses da associação.
A Lei do ProFut, aprovada por Eduardo Bandeira de Melo, deputado federal pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) do Rio de Janeiro (presidente do Flamengo entre 2013 e 2018), é uma exceção que, inclusive, beneficiou outros clubes.
No entanto, isso não nos gera entusiasmo algum, pois pensamos em outra sociedade possível.
O movimento revela se já sofreu represálias por suas lutas e posicionamentos.
Resposta: O Movimento Flamengo Antifascista já sofreu algumas vezes com repressão do Estado burguês.
Há 2 anos, dois torcedores foram detidos e obrigados a colocar tornozeleiras eletrônicas por 2 meses devido a uma acusação infundada em um protesto contra a ditadura militar instaurada em 1964.
Por fim, o MyNews questionou o movimento sobre a política de ingressos praticada pelo Maracanã.
Um consenso entre o grupo é que o chamado “povão” é afastado dos estádios devido aos altos valores.
Resposta: Não concordamos que correspondemos nas arquibancadas justamente por conta da segunda afirmação.
Nosso povo tem ficado de fora.
Hoje será lançado o novo programa de sócio-torcedor, que promete ser ainda mais excludente.
Não há outro caminho senão a transformação dessa sociedade.
Vivemos um momento em que a exploração se aprofunda no mundo todo, e os sintomas são bem claros. Para evidenciar, a “camisa popular”, nomeada de “FanJersey”, custa hoje cerca de R$ 199,99, concluiu o Movimento Flamengo Antifascista ao MyNews.
Reportagem: Canalmynews.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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