terça-feira, 25 de março de 2025

Visão do Flamengo

Futebol e Política juntos: Flamengo Antifascista debate arquibancadas e luta contra a exclusão nos estádios.

No segundo texto sobre Futebol e Política lado a lado, veja o Flamengo Antifascista, posicionamentos e ideias.

Futebol e política são dois elementos que sempre caminharam juntos, desde os governos militares, passando por Fernando Henrique Cardoso, Luís Inpacio Lula da Silva, Jair Bolsonaro e, novamente, com o petista na presidência do Brasil. 

Assim, na segunda matéria sobre torcidas, arquibancada e movimentos políticos, o MyNews conversou com o Movimento Flamengo Antifascista, na segunda entrevista da série.

Inicialmente, o movimento explicou sua fundação e também sua importância nas bancadas, principalmente no Maracanã, além de sua influência na política carioca e nacional.

Resposta: O Movimento foi criado por alguns torcedores de arquibancada de esquerda e se inspiraram nas ações de Ultras Antifascistas. 

A entrada do Salino se deu a partir do contato com esses fundadores em protestos de rua e nas arquibancadas.

A importância para o debate político está sempre na ótica e na defesa do antifascismo, incluindo a diversidade dos espectros que existem dentro dessa concepção. 

Aliás, deveriam ser somente entre comunistas e anarquistas. 

Contudo, passamos a aceitar também partidários e pessoas que pleiteiam eleições e demais vias institucionais. 

Mas, no Movimento, estão sob nossa influência.

As arquibancadas, assim como o clube e a sociedade, são nosso campo de disputa constante. 

Evoluímos bastante, a partir de algumas estratégias, na relação de estreitamento com as torcidas organizadas e o povão, o torcedor comum. Conseguimos pautar temas importantes, como a abertura do clube para que o sócio-torcedor possa votar, e causas por direitos, como o acesso mais popular aos estádios. 

Na sociedade, pautamos recentemente diversas ações contra o genocídio do povo palestino e pedimos justiça para o povo grego pelo suposto acidente em Tempi.

Não é mistério para ninguém que o Flamengo é o maior clube de torcida do país e foi muito usado pela extrema-direita. 

O movimento analisou como isso foi feito.

Resposta: Acredito que o Movimento tenha feito um bom embate em quase todos esses momentos. 

Afinal, esse é o papel do antifascismo diante de tais contradições.

Em campo, o Flamengo conquista títulos, cria uma dinastia no futebol brasileiro e na América do Sul. 

Só em 2024, levou a Supercopa do Brasil e o bicampeonato carioca. 

Assim, dirigentes do clube aproveitam a fama e se lançam a cargos de vereador, deputado e até tentam a Prefeitura do Rio de Janeiro. 

O movimento analisa isso.

Resposta: Dirigentes sanguessugas não são exclusividade do Flamengo. 

Mas eles existem e, em vários momentos, utilizaram o clube como “trampolim” sem ao menos trabalharem para os interesses da associação. 

A Lei do ProFut, aprovada por Eduardo Bandeira de Melo, deputado federal pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) do Rio de Janeiro (presidente do Flamengo entre 2013 e 2018), é uma exceção que, inclusive, beneficiou outros clubes. 

No entanto, isso não nos gera entusiasmo algum, pois pensamos em outra sociedade possível.

O movimento revela se já sofreu represálias por suas lutas e posicionamentos.

Resposta: O Movimento Flamengo Antifascista já sofreu algumas vezes com repressão do Estado burguês. 

Há 2 anos, dois torcedores foram detidos e obrigados a colocar tornozeleiras eletrônicas por 2 meses devido a uma acusação infundada em um protesto contra a ditadura militar instaurada em 1964.

Por fim, o MyNews questionou o movimento sobre a política de ingressos praticada pelo Maracanã. 

Um consenso entre o grupo é que o chamado “povão” é afastado dos estádios devido aos altos valores.

Resposta: Não concordamos que correspondemos nas arquibancadas justamente por conta da segunda afirmação. 

Nosso povo tem ficado de fora. 

Hoje será lançado o novo programa de sócio-torcedor, que promete ser ainda mais excludente. 

Não há outro caminho senão a transformação dessa sociedade. 

Vivemos um momento em que a exploração se aprofunda no mundo todo, e os sintomas são bem claros. Para evidenciar, a “camisa popular”, nomeada de “FanJersey”, custa hoje cerca de R$ 199,99, concluiu o Movimento Flamengo Antifascista ao MyNews.

Reportagem: Canalmynews.com.br

 

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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