Leila falta ao sorteio da Taça Libertadores da América em protesto, e vice do Palmeiras diz: "Impunidade é combustível".
Entidade determina penas brandas em caso de racismo do Cerro Porteño, e Buosi reitera críticas do Verdão: "Só fica na palavra, mas precisamos ir para ação. Sem penas severas, não vai mudar".
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, não compareceu ao sorteio da Taça Libertadores da América de 2025, na noite desta segunda-feira (17), no Paraguai, em protesto às penas aplicadas pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) no caso de racismo contra o atacante Luighi.
O vice Paulo Buosi, porém, participou do evento e explicou que o clube decidiu assim por entender que precisava ser institucionalmente representado.
O dirigente falou em indignação, impunidade como combustível e criticou a falta de ações práticas.
"Precisamos dizer nossa revolta, nossa indignação. Cuspir, imitar macaco e acontecer praticamente nada. Só vai mudar com punição severa. Impunidade é combustível para que novas coisas aconteçam", disse o vice do Verdão ao Globo Esporte.
O Palmeiras, inclusive, ainda enviou uma carta à FIFA (Federação Internacional das Associações de Futebol), assinada junto aos clubes da Libra e Liga Forte, pedindo apoio na briga com a Conmebol por punições mais severas no caso.
Perguntado se houve resposta da entidade, Buosi limitou-se a reforçar a necessidade de ações práticas.
"Só fica na palavra, mas precisamos ir para ação. Sem penas severas, não vai mudar. Palmeiras vai lutar até o fim. É necessário. Enquanto não acontecer de agremiações serem punidas, vai seguir acontecendo", afirma.
Buosi reforça os protestos como caminho no combate e aponta Leila como importante no papel de buscar união entre dirigentes brasileiros para lutar por mudança.
Ela chegou a dizer após o ocorrido que tentou conversar com o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, e só conseguiu contato depois de expor a situação.
"O presidente não atendeu, disse que depois estava com problemas. Depois, atendeu e falou com ela, mas a gente continua sem ação prática", diz Buosi.
"A penalidade é quase que... Não dá. A nota do Cerro praticamente culpa o nosso jogador pelo que estava acontecendo. Como se uma provocação justificasse o crime. Não dá mais. Precisa acabar".
No caso de Luighi, torcedores do Cerro Porteño imitaram macacos na direção do atacante, que ainda chegou a ser atingido por uma cusparada também vinda das arquibancadas.
Ele denunciou o episódio à arbitragem, que seguiu com a partida, e desabafou na entrevista pós-jogo, cobrando a Conmebol.
O Palmeiras, na denúncia, pediu aplicação de multa máxima, de 400 mil dólares, por reincidência, portões fechados na Taça Libertadores da América Sub-20 como punição preventiva e a exclusão do Cerro Porteño da competição.
A Conmebol, porém, determinou multa mínima, de 50 mil dólares, portões fechados na Taça Libertadores da América Sub-20, com o time já eliminado em campo, e a postagem de uma mensagem de conscientização, que está tomada de comentários racistas por parte da torcida.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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