Filha de Rafael Moura, Luma segue passos do "He-Man" no beach tennis e conquista títulos internacionais.
Ex-atacante se dedica ao circuito profissional do esporte desde a aposentadoria dos gramados e compartilha a paixão com a filha de 16 anos.
Família participou do BT 10 de Ubá, em Minas Gerais.
Aos 16 anos, Luma Zambeldi Moura tem feito valer a conhecida frase "filha de peixe, peixinho é".
Seguindo os passos do pai, o ex-jogador de futebol e atual atleta de beach tennis Rafael Moura, a jovem tem mostrado habilidade com a raquete e a bolinha e se aventurado no circuito profissional do esporte que é febre no Brasil.
Se o pai foi vitorioso nos gramados, Luma também já tem títulos para chamar de dela.
Ao lado da parceira Natália Buonincoutro, ela foi campeã de dois torneios BT 10 no Praia Sports Club em Ubá-MG nesta semana.
As competições valeram pontos para o ranking mundial da Federação Internacional de Tênis (ITF).
A alegria por pouco não foi completa para a família Moura. Após o primeiro título da filha, Rafael participou da final das duplas masculinas ao lado do afilhado Bernardo, mas perdeu o duelo para Júlio Fernandes e Gabriel Avila e ficou com o vice.
Os dois torneios BT 10 serviram como preparação para o BT 200, torneio de maior escalão que será disputado neste fim de semana em Ubá. Luma e Natália estão entre as participantes.
O início de Luma na modalidade contou com um "empurrãozinho" do pai atleta.
Em 2018, quando ainda jogava no futebol profissional e tinha o beach tennis como hobby, Rafael levou a filha para participar de um torneio para crianças.
"Eu nunca tinha treinado. Como já jogamos tênis, tínhamos uma noção de como era, mas fizemos uma aulinha de uma hora antes do torneio para pegar o jeito e fomos jogar", contou Luma ao Globo Esporte.
"Lembro que joguei com uma raquete que não era minha e gostei muito. Meu pai falou que, se eu ganhasse o torneio, ele comprava a raquete pra mim. Acabou que eu ganhei, e ele comprou a raquete".
Por serem de categorias diferentes, Rafael e Luma raramente jogam como dupla e só costumam entrar em quadra juntos em eventos comemorativos.
Segundo a jovem, conciliar a rotina da família de pai e filha esportistas pode ser desafiador.
"Como os dois são atletas, tentamos separar os momentos como atleta e momentos pai e filha para não ficar cansativo, e ele tenta auxiliar a cobrança como atleta e a emoção como pai", explicou.
Enquanto cresce na modalidade, Luma comemora a chance de ter um espelho de disciplina e dedicação dentro de casa, mas destaca que quer construir o próprio caminho no esporte.
"Me inspira muito o atleta que ele foi, a dedicação e garra dele, que fizeram ele chegar onde ele chegou, a forma como ele era um atleta desde criancinha, e foi evoluindo cada vez mais , e inspira muito, o jeito com ele enfrenta os desafios e entra de cabeça nas coisas".
"Apesar de me inspirar muito nele, pretendo também traçar meu próprio caminho. Sonho em chegar a um patamar onde eu possa ser conhecida por quem sou e pelo que faço. Posso continuar o legado dele e também começar o meu próprio", completou.
Dos campos às areias: Em agosto de 2022, o ge mostrou que Rafael Moura passou a se dedicar ao beach tennis depois da aposentadoria dos gramados.
A nova modalidade o ajudou a superar a depressão após o falecimento da mãe e as incertezas sobre o fim da trajetória no futebol.
"Está me mantendo em atividade, mantendo a adrenalina de competir a que sou acostumado desde a minha infância. Isso tem me feito muito bem principalmente para o meu lado mental. Estou muito feliz. Essa nova fase tem sido maravilhosa. Depois que pendurei as chuteiras, precisava de uma ocupação, tanto para a cabeça, quanto para o corpo. Me encontrei no beach tênis" - disse Rafael Moura na época.
O "He-Man" foi incentivado a jogar beach tennis pelas atletas Flaminia Daina e Joana Cortez, que ministravam treinos em frente à casa do jogador, em 2021, quando ele morava no Rio de Janeiro.
"Elas me convidaram um dia para bater bola e falaram que eu tinha jeito. Mas como eu estava atuando profissionalmente no Botafogo e em meio às competições, não conseguia treinar. Depois que me aposentei, comecei a pensar de uma forma mais séria a me dedicar com treinamentos em dois períodos, diariamente. Tenho jogado competições a nível profissional mundial pela ITF [Federação Internacional de Tênis]. Todo mundo está vendo a minha força de vontade para disputar uma nova modalidade a nível profissional", disse.
Atualmente no terceiro ano de carreira no beach tennis profissional, Rafael ocupa a 381ª posição no ranking mundial da ITF.
Desde 2022, conseguiu 46 vitórias em 101 jogos disputados, além de um título internacional: o BT 10 de Palmas-TO, disputado em agosto de 2023.
O ex-atacante iniciou a carreira no Atlético-MG e teve passagens por importantes clubes: Vitória, Paysandu, Corinthians, Fluminense, Athletico-PR, Goiás, Internacional e Figueirense.
Além do título do Campeonato Brasileiro da Série B pelo Botafogo, ele foi campeão do Campeonato Brasileiro de 2012 e da Copa do Brasil, em 2007, ambos pelo Fluminense.
O último jogo de Rafael Moura como profissional foi no dia 21 de novembro de 2021, na vitória por 1 a 0 do Botafogo sobre o Brasil de Pelotas, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.
O último gol da carreira de He-Man foi marcado na vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta, no dia 8 de novembro daquele ano.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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