Amigos da Colômbia, Cuéllar e Borré viram rivais no Gre-Nal 444.
Volante e atacante são amigos desde o Deportivo Cali e estiveram juntos na seleção da Colômbia.
Neste sábado (8), a dupla se enfrenta pelo Gre-Nal 444.
O carinho misturado com provocação dá o tom da relação entre Rafael Borré e Gustavo Cuéllar.
Amigos desde os tempos de Deportivo Cali e companheiros na seleção da Colômbia, os gringos se reencontram em Porto Alegre.
O volante pelo Grêmio, e o centroavante pelo Internacional.
Na noite deste sábado (8), deixam a parceria de lado por duas horas em busca da vitória no Gre-Nal 444.
Se durante o clássico defenderão bandeiras distintas, após o apito final de Rafael Klein o abraço e o riso reencontrarão os conterrâneos.
Ambos são naturais de Barranquilla. Cuéllar tem 32 anos, 3 anos a mais que Borré.
A amizade, entretanto, nasceu a 1.200 km de distância, em Cali, onde fixaram residência e moram no mesmo condomínio, quando defenderam o Deportivo Cali.
O volante já flertava entre a base e profissional quando o atacante chegava para atuar nas canteras.
"Gustavo e Rafa são muito amigos. Gustavo ajudou o Rafa no Deportivo Cali. Se falam com frequência até hoje. Temos muito carinho por ele", comenta Ismael Borré, pai do atacante.
Em um treino pela base do Deportivo Cali, o instinto oportunista chamou atenção do Leonel Álvarez. Ex-companheiro de Higuita, Valderrama e Rincón na seleção, o profissional viu Borré fazer um gol em cada tempo.
Não teve dúvidas.
O promoveu ao grupo principal.
"Cuéllar chegou primeiro e ficaram muito amigos. Foi recebido muito bem. Cuéllar tinha mais experiência, mas estavam sempre próximos. Foi fundamental o entendimento deles para nós", recorda Álvarez.
A dupla foi descoberta por Agustín Garizabalo, observador do clube, também responsável por encontrar nomes como Juan Cuadrado e Luis Muriel.
No Deportivo Cali, Cuéllar ajudou Borré, que ainda era muito novo e se deparava com a primeira experiência longe de casa.
Chegaram a morar na mesma concentração.
Em 2014, Cuéllar voltou à terra natal para defender o Junior Barranquilla.
2 anos depois, Borré deixaria a Colômbia para a primeira experiência na Europa.
Comprado pelo Atlético de Madrid e repassado ao Villarreal.
Voltariam a se encontrar na seleção. Participaram da Copa América de 2021 e das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022 juntos.
"São excelentes profissionais, com muito talento e forte caráter competitivo. Experiência agradável com eles e o comportamento na seleção. São excelentes lideranças e jogadores que pensam no bem da equipe", valoriza Reinaldo Rueda, que os treinou na Colômbia.
Borré ajuda Cuéllar em Porto Alegre: A amizade não enfraqueceu e voltou à tona agora em Porto Alegre.
Aliás, antes mesmo de fechar com o Grêmio, Cuéllar comentou que cogitava retornar à América do Sul e existia uma possibilidade no Brasil.
Revelou que negociava com o Tricolor, o que surpreendeu o camisa 19 do Internacional.
A futura rivalidade ficava de lado.
Era o momento de ajudar quem sempre esteve a seu lado.
Borré passou referências, revelou que a dupla move a cidade pela paixão que os torcedores nutrem e Cuéllar gostaria da experiência.
Em razão do Centro de Treinamentos Presidente Luiz Carvalho e da Arena ficarem na Zona Norte de Porto Alegre, morar no condomínio de Borré não seria o ideal para o meio-campista.
O atacante escolheu uma residência na Zona Sul, perto do Centro de Treinamento Parque Gigante e do Beira-Rio.
O volante optou então pelo bairro Moinhos de Vento, em uma área mais central.
Já acertado com o Grêmio, a parceria entre Cuéllar e os Borré ganhou novo capítulo.
O volante procurou Ismael enquanto fazia exames no clube para confirmar a negociação.
Neste tempo de cidade, o gremista e o colorado só conseguiram se encontrar em uma oportunidade até o momento.
"Lado errado": Antes de fechar com o Tricolor, Cuéllar já tinha entrado na mira colorada em duas oportunidades, ambas quando defendia o Al Hilal.
O presidente Alessandro Barcellos o procurou em inúmeras conversas, mas não houve acerto com o clube árabe.
Na segunda investida, o volante já estava para ser negociado ao Al-Shabab.
Barcellos, inclusive, revelou a Borré sobre a admiração que tinha pelo compatriota e as tentativas anteriores quando esteve na Alemanha para comprá-lo junto ao Eintracht Frankfurt.
O atacante disse que gostaria de jogar novamente com o amigo e por isso brincou na semana passada sobre "escolher o lado errado".
Borré, por sua vez, teve o nome ligado ao Grêmio em 2021.
Enquanto recebia uma oferta do Palmeiras, o atacante, então no River Plate, surgiu o interesse tricolor.
As conversas, entretanto, não prosperaram e os gaúchos soltaram uma nota para dizer que saíam das tratativas, mas o camisa 19 alega que a situação nunca chegou sólida a ele.
Reencontro no clássico: A dupla chega ao Gre-Nal em estágio distinto.
Cuéllar disputou apenas três partidas pelo Grêmio e encara o primeiro clássico gaúcho.
Borré, por sua vez, já está consolidado no Colorado.
No último Gre-Nal, o primeiro que participou, decidiu a partida, ao desviar o cruzamento de Bernabei.
"Ele tem muita técnica para segurar a bola no espaço reduzido e o instinto goleador", diz Álvarez.
Junto ao sistema defensivo gremista, Cuéllar tentará conter as finalizações de atacante, assim como os avanços dos companheiros do camisa 19.
Caso consiga cumprir a missão, o colombiano começará a conquistar um espaço no coração dos tricolores.
"A velocidade de Cuéllar é mental e isso o permite ter uma gama de jogadas antes de realizá-las", completa Álvarez.
O confronto válido pela sexta rodada do Gauchão começa às 21 horas (horário de Brasília) deste sábado (8), na Arena.
O Internacional é o primeiro colocado geral com 13 pontos.
O Grêmio está em terceiro colocado, com 10 pontos.
Reportagem: Globoesporte.globo.com
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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