segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Evento em Brasília

Summit CBCP (Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos) 2026 reúne lideranças em Brasília para debater o futuro do esporte paralímpico brasileiro.

Programação de 3 a 6 de novembro reúne atletas como Gabrielzinho e Daniel Dias, além de especialistas, para discutir formação esportiva, inclusão e fortalecimento dos clubes.

O esporte paralímpico brasileiro estará no centro de uma importante agenda de debates entre os dias 3 e 6 de novembro de 2026, em Brasília. 

O Summit CBCP 2026, promovido pelo CBCP, reunirá dirigentes esportivos, gestores, treinadores, pesquisadores, atletas, representantes de instituições públicas e especialistas para discutir o fortalecimento dos clubes, a formação de novos talentos, a inclusão de pessoas com deficiência e os caminhos para ampliar as oportunidades no paradesporto nacional. 

O encontro será realizado no Centro Internacional de Convenções de Brasília e terá uma programação voltada à gestão, à ciência, à inovação e ao desenvolvimento esportivo.

A iniciativa pretende criar um ambiente de troca de experiências e construção de estratégias para enfrentar desafios históricos do esporte paralímpico no país. 

Entre as prioridades estão a qualificação das entidades responsáveis pela formação dos atletas, a ampliação do acesso à prática esportiva e o desenvolvimento de estruturas capazes de garantir melhores condições de treinamento, participação e rendimento.

Com uma programação distribuída em dois grandes eixos, o evento abordará tanto os aspectos administrativos e institucionais dos clubes quanto as questões técnicas e científicas relacionadas à preparação dos atletas. 

A expectativa é aproximar diferentes setores envolvidos no desenvolvimento do paradesporto e apresentar ferramentas que possam ser aplicadas na rotina das instituições.

Fortalecimento dos clubes é prioridade para o desenvolvimento do paradesporto: Um dos principais objetivos do Summit CBCP 2026 é ampliar a capacidade de atuação dos clubes paralímpicos brasileiros. 

Essas instituições desempenham um papel fundamental na identificação de talentos, na iniciação esportiva e na preparação de atletas que podem alcançar o alto rendimento.

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades relacionadas à estrutura administrativa, à captação de recursos, à contratação de profissionais especializados e à manutenção de projetos esportivos.

O cenário foi discutido em audiência pública realizada em maio de 2026, na Comissão de Esporte do Senado Federal. 

Na ocasião, o presidente do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos, João Batista Carvalho e Silva, apresentou os avanços alcançados pela entidade e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar o desenvolvimento do setor.

Durante a audiência, foi informado que o CBCP reunia mais de 200 instituições filiadas. 

O número demonstra a presença de uma rede de organizações comprometidas com o esporte para pessoas com deficiência, mas também evidencia a necessidade de ampliar o suporte oferecido aos clubes.

A qualificação administrativa aparece como uma das medidas consideradas essenciais para garantir que essas instituições consigam acessar recursos, desenvolver projetos e oferecer melhores condições aos seus atletas.

“Nosso objetivo com esse evento é apresentar ferramentas, mecanismos e casos de sucesso capazes de melhoras a gestão dos clubes formadores”, destacou João Batista Carvalho e Silva.

O dirigente também ressaltou a importância de preparar instituições de diferentes portes para cumprir sua principal finalidade, que é contribuir para o desenvolvimento de atletas.

“A intenção é de que essas instituições, desde as grandes até aquela muito pequenas estejam qualificadas e aptas para sua principal finalidade, que é preparar os grandes ídolos do futuro em nosso país”, completa.

A proposta do encontro é justamente aproximar os clubes de conhecimentos, experiências e instrumentos que possam melhorar sua organização e ampliar sua capacidade de atendimento.

Gestão profissional, governança e sustentabilidade financeira: O primeiro eixo do Summit será dedicado aos gestores e dirigentes das organizações esportivas. 

A programação prevê debates sobre governança, integridade institucional, políticas públicas, sustentabilidade financeira e profissionalização da administração dos clubes.

A abertura contará com a palestra magna “Além dos limites: quando o esporte transforma desafios em conquistas”, ministrada por Verônica Almeida, campeã mundial e medalhista paralímpica.

A apresentação deverá abordar temas como determinação, preparação, resiliência e liderança, utilizando a trajetória esportiva como referência para discutir a superação de obstáculos e a construção de oportunidades.

Além de destacar o papel dos atletas na transformação social, a palestra também pretende chamar a atenção para a responsabilidade dos clubes na formação de novos talentos e na criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento esportivo.

No dia 4 de novembro, a agenda avançará para questões relacionadas às políticas públicas destinadas ao paradesporto e à integração entre esporte, saúde e direitos das pessoas com deficiência.

A captação de recursos também estará entre os assuntos centrais. 

Os participantes terão contato com discussões sobre a Lei de Incentivo ao Esporte, diversificação das fontes de financiamento e estratégias para garantir maior estabilidade financeira às entidades.

A sustentabilidade dos clubes é considerada um fator decisivo para a continuidade dos projetos. 

Sem planejamento e recursos adequados, muitas instituições encontram dificuldades para manter equipes técnicas, adquirir equipamentos, oferecer transporte e assegurar a participação dos atletas em competições.

Outro tema previsto é a aplicação da tecnologia blockchain na gestão esportiva. 

A ferramenta será discutida como uma possibilidade para ampliar a transparência, a segurança e a confiabilidade dos processos administrativos.

A programação também reservará espaço para o debate sobre saúde no paradesporto, com atenção especial ao cuidado, à autonomia e ao manejo da bexiga neurogênica.

O tema reforça a necessidade de compreender o atleta de maneira integral, considerando não apenas o desempenho nas competições, mas também suas necessidades de saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Inclusão, combate ao assédio e participação feminina: A construção de ambientes esportivos seguros e inclusivos será outro ponto importante da programação.

Os participantes discutirão a presença feminina nos espaços de liderança, os desafios enfrentados pelas mulheres no esporte e as medidas necessárias para ampliar sua participação nas decisões administrativas e institucionais.

A pauta também envolverá o combate à discriminação e ao assédio, questões que exigem atenção permanente das organizações esportivas.

A proposta é estimular práticas de gestão que garantam respeito, segurança e igualdade de oportunidades, independentemente de gênero ou condição de deficiência.

A inteligência artificial também estará presente nos debates. 

Sua aplicação na administração dos clubes será discutida como uma possibilidade para aprimorar processos, organizar informações e apoiar decisões estratégicas.

Outro assunto será a execução dos projetos apoiados pelo CBCP. 

Os participantes receberão orientações sobre as diferentes etapas de desenvolvimento das iniciativas, desde a participação em editais até os procedimentos de prestação de contas.

A acessibilidade dos espaços esportivos e as boas práticas administrativas também integram a agenda.

O objetivo é mostrar que a inclusão depende de um conjunto de medidas que envolvem infraestrutura, planejamento, capacitação e compromisso institucional.

Entre as propostas que serão apresentadas está a aproximação entre clubes paralímpicos e comunidades paroquiais. 

O assunto será discutido em painel com representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e convidados internacionais.

A iniciativa pretende explorar o potencial das comunidades religiosas como espaços de convivência, participação e inclusão, ampliando as possibilidades de acesso ao esporte para pessoas com deficiência.

Ciência e qualificação profissional para melhorar o desempenho dos atletas: Enquanto o plenário de gestores discutirá questões administrativas e institucionais, o plenário técnico concentrará atividades voltadas aos profissionais que atuam diretamente na preparação e no acompanhamento dos atletas.

Treinadores, profissionais de Educação Física, pesquisadores, representantes de confederações e especialistas participarão de debates sobre ciência aplicada ao esporte, avaliação funcional, treinamento e desenvolvimento esportivo.

Um dos pontos de partida será a importância da atividade física para pessoas com deficiência, desde os processos de reabilitação até a participação continuada em modalidades esportivas.

A proposta é discutir como o esporte pode contribuir para a autonomia, a saúde, a socialização e a qualidade de vida, além de representar um caminho para o desenvolvimento de atletas de alto rendimento.

A biomecânica e a análise do movimento também estarão entre os temas abordados.

Essas áreas científicas oferecem ferramentas importantes para compreender as características individuais dos atletas, identificar necessidades específicas e desenvolver estratégias de treinamento mais eficientes.

A avaliação funcional será discutida como instrumento para orientar a preparação esportiva, respeitando as particularidades de cada pessoa e contribuindo para a prevenção de lesões.

A individualização dos treinamentos é especialmente relevante no esporte paralímpico, uma vez que diferentes tipos de deficiência podem exigir adaptações específicas de movimentos, equipamentos e metodologias.

Modalidades paralímpicas terão espaço para apresentação e expansão nos clubes: Um dos destaques da programação técnica será a série de painéis intitulada “Conhecer para ampliar”.

A proposta é apresentar diferentes modalidades paralímpicas e paradesportivas, mostrando como elas podem ser implantadas e desenvolvidas dentro dos clubes.

Entre as modalidades contempladas estão atletismo, natação, halterofilismo, tiro esportivo, parajiu-jítsu, badminton, goalball, futebol de cegos, judô, paraskate, esgrima em cadeira de rodas, paraciclismo, bocha, parataekwondo e parasurf.

A diversidade de práticas esportivas demonstra a amplitude do movimento paralímpico e as diferentes possibilidades de participação para pessoas com deficiência.

Os encontros deverão apresentar informações sobre infraestrutura, equipamentos, capacitação profissional e critérios de elegibilidade, além de discutir as oportunidades de desenvolvimento oferecidas por cada modalidade.

A intenção é fornecer subsídios para que os clubes interessados possam ampliar suas atividades e identificar novas possibilidades de atuação.

A diversificação das modalidades também pode contribuir para a descoberta de talentos que, muitas vezes, não encontram oportunidades por falta de informação ou de estruturas adequadas.

Ao apresentar diferentes práticas esportivas, o Summit pretende estimular os clubes a enxergar o potencial de novos projetos e ampliar o atendimento às pessoas com deficiência.

Saúde mental, classificação esportiva e identificação de talentos: O desenvolvimento de atletas exige uma abordagem multidisciplinar. 

Por isso, a programação técnica também contemplará assuntos relacionados à psicologia do esporte, à saúde mental e à classificação esportiva.

A preparação psicológica tem papel importante na trajetória dos atletas, especialmente diante das exigências de treinamentos, competições e processos de superação.

O acompanhamento especializado pode contribuir para o controle da ansiedade, o desenvolvimento da concentração, a motivação e o equilíbrio emocional.

A classificação esportiva também será discutida. 

O procedimento é fundamental para organizar as competições paralímpicas, considerando as características funcionais dos atletas e buscando assegurar condições mais equilibradas de disputa.

Outro ponto importante será a pesquisa aplicada ao esporte.

A aproximação entre universidades, centros de pesquisa, clubes e profissionais técnicos pode favorecer a produção de conhecimentos capazes de melhorar os métodos de treinamento e os processos de acompanhamento dos atletas.

A formação profissional e a detecção de talentos também estarão em pauta.

A identificação de novos atletas depende de iniciativas que aproximem as pessoas com deficiência das oportunidades esportivas desde as primeiras etapas de desenvolvimento.

Nesse sentido, escolas, projetos sociais, clubes e instituições especializadas podem desempenhar um papel estratégico na ampliação da participação esportiva.

O desafio é criar caminhos para que o interesse inicial pela prática esportiva possa se transformar em uma trajetória consistente, com possibilidades de evolução e participação em competições.

Gabrielzinho e Daniel Dias participam de debate sobre o legado paralímpico: A trajetória dos atletas e as oportunidades que surgem depois das competições terão destaque especial nos últimos dias do Summit CBCP 2026.

Nos dias 5 de novembro e 6 de novembro, a programação incluirá atividades práticas de modalidades como goalball, bocha, tênis de mesa, parabadminton e jiu-jítsu.

As apresentações permitirão que os participantes conheçam de perto as características das modalidades, suas adaptações e as possibilidades de aplicação nos clubes.

O contato com as práticas esportivas também deverá contribuir para ampliar o conhecimento dos profissionais e estimular novas iniciativas de inclusão.

No último dia, os debates abordarão a dupla jornada dos atletas, a transição de carreira, a responsabilidade técnica dos profissionais de Educação Física e a continuidade da formação esportiva.

A preservação da memória do movimento paralímpico brasileiro também terá espaço na programação, com um painel envolvendo pesquisadores e representantes da área.

Um dos momentos mais aguardados será o encontro “Além do pódio: a jornada do atleta paralímpico, legado e novas oportunidades”.

A atividade contará com a participação de Gabriel Geraldo dos Santos, conhecido como Gabrielzinho, multimedalhista paralímpico.

Ercileide Laurinda da Silva, atleta de bocha e presidente da ADEFU (Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba)) e Daniel Dias, também multimedalhista paralímpico.

O painel pretende promover uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelos atletas ao longo de suas trajetórias, as conquistas alcançadas e as oportunidades que podem surgir depois do encerramento da carreira competitiva.

A discussão também abordará possibilidades de formação, empreendedorismo e desenvolvimento profissional para quem construiu sua trajetória no esporte de alto rendimento.

A transição de carreira é um assunto relevante para o movimento paralímpico, especialmente diante da necessidade de criar condições para que atletas possam continuar contribuindo com o esporte mesmo após deixarem as competições.

A experiência acumulada durante anos de treinamento e participação em eventos esportivos pode ser aproveitada em diferentes áreas, como gestão, formação de novos atletas, projetos sociais e iniciativas de empreendedorismo.

Evento pretende ampliar oportunidades e fortalecer o movimento paralímpico: A cerimônia de encerramento e premiação está prevista para 6 de novembro, quando o CBCP realizará homenagens a atletas e ex-atletas.

Mais do que reunir profissionais e representantes de diferentes instituições, o Summit CBCP 2026 pretende fortalecer a articulação entre os diversos setores que participam do desenvolvimento do esporte paralímpico brasileiro.

A aproximação entre clubes, gestores, pesquisadores, atletas e representantes do poder público pode contribuir para a construção de soluções mais eficientes para os desafios do setor.

A iniciativa também coloca em evidência a importância de investir na estrutura das instituições responsáveis pela formação esportiva.

A ampliação do acesso ao esporte para pessoas com deficiência depende de clubes preparados, profissionais qualificados, políticas públicas consistentes e espaços acessíveis.

Nesse contexto, a gestão e a ciência aparecem como ferramentas complementares. 

Enquanto a primeira oferece condições para a sustentabilidade das organizações, a segunda contribui para aprimorar a preparação dos atletas e ampliar as possibilidades de desempenho.

Outro aspecto importante é o reconhecimento do protagonismo das pessoas com deficiência na construção do movimento paralímpico.

A participação dos atletas nas discussões sobre gestão, formação e futuro do esporte permite aproximar as decisões institucionais das experiências de quem vive diariamente os desafios e as conquistas das modalidades.

Ao reunir diferentes perspectivas, o Summit CBCP 2026 busca transformar conhecimento e cooperação em oportunidades concretas.

O desafio vai além de formar novos campeões. 

Envolve garantir que mais pessoas com deficiência tenham acesso ao esporte, encontrem espaços de participação e possam desenvolver suas habilidades em todas as etapas da vida.

A expectativa é que as discussões realizadas em Brasília contribuam para fortalecer os clubes, ampliar a inclusão e consolidar novas estratégias para o crescimento do esporte paralímpico brasileiro.

Serviço:

Evento: Summit CBCP 2026

Data: 3 de novembro a 6 de novembro de 2026

Local: Centro Internacional de Convenções de Brasília, Distrito Federal.

Realização: Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP).

Tema central: Gestão, formação de atletas, inclusão, ciência e inovação no esporte paralímpico brasileiro.

Reportagem: V1sports.com.br

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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