Summit CBCP (Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos) 2026 reúne lideranças em Brasília para debater o futuro do esporte paralímpico brasileiro.
Programação de 3 a 6 de novembro reúne atletas como Gabrielzinho e Daniel Dias, além de especialistas, para discutir formação esportiva, inclusão e fortalecimento dos clubes.
O esporte paralímpico brasileiro estará no centro de uma importante agenda de debates entre os dias 3 e 6 de novembro de 2026, em Brasília.
O Summit CBCP 2026, promovido pelo CBCP, reunirá dirigentes esportivos, gestores, treinadores, pesquisadores, atletas, representantes de instituições públicas e especialistas para discutir o fortalecimento dos clubes, a formação de novos talentos, a inclusão de pessoas com deficiência e os caminhos para ampliar as oportunidades no paradesporto nacional.
O encontro será realizado no Centro Internacional de Convenções de Brasília e terá uma programação voltada à gestão, à ciência, à inovação e ao desenvolvimento esportivo.
A iniciativa pretende criar um ambiente de troca de experiências e construção de estratégias para enfrentar desafios históricos do esporte paralímpico no país.
Entre as prioridades estão a qualificação das entidades responsáveis pela formação dos atletas, a ampliação do acesso à prática esportiva e o desenvolvimento de estruturas capazes de garantir melhores condições de treinamento, participação e rendimento.
Com uma programação distribuída em dois grandes eixos, o evento abordará tanto os aspectos administrativos e institucionais dos clubes quanto as questões técnicas e científicas relacionadas à preparação dos atletas.
A expectativa é aproximar diferentes setores envolvidos no desenvolvimento do paradesporto e apresentar ferramentas que possam ser aplicadas na rotina das instituições.
Fortalecimento dos clubes é prioridade para o desenvolvimento do paradesporto: Um dos principais objetivos do Summit CBCP 2026 é ampliar a capacidade de atuação dos clubes paralímpicos brasileiros.
Essas instituições desempenham um papel fundamental na identificação de talentos, na iniciação esportiva e na preparação de atletas que podem alcançar o alto rendimento.
Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, muitas organizações ainda enfrentam dificuldades relacionadas à estrutura administrativa, à captação de recursos, à contratação de profissionais especializados e à manutenção de projetos esportivos.
O cenário foi discutido em audiência pública realizada em maio de 2026, na Comissão de Esporte do Senado Federal.
Na ocasião, o presidente do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos, João Batista Carvalho e Silva, apresentou os avanços alcançados pela entidade e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar o desenvolvimento do setor.
Durante a audiência, foi informado que o CBCP reunia mais de 200 instituições filiadas.
O número demonstra a presença de uma rede de organizações comprometidas com o esporte para pessoas com deficiência, mas também evidencia a necessidade de ampliar o suporte oferecido aos clubes.
A qualificação administrativa aparece como uma das medidas consideradas essenciais para garantir que essas instituições consigam acessar recursos, desenvolver projetos e oferecer melhores condições aos seus atletas.
“Nosso objetivo com esse evento é apresentar ferramentas, mecanismos e casos de sucesso capazes de melhoras a gestão dos clubes formadores”, destacou João Batista Carvalho e Silva.
O dirigente também ressaltou a importância de preparar instituições de diferentes portes para cumprir sua principal finalidade, que é contribuir para o desenvolvimento de atletas.
“A intenção é de que essas instituições, desde as grandes até aquela muito pequenas estejam qualificadas e aptas para sua principal finalidade, que é preparar os grandes ídolos do futuro em nosso país”, completa.
A proposta do encontro é justamente aproximar os clubes de conhecimentos, experiências e instrumentos que possam melhorar sua organização e ampliar sua capacidade de atendimento.
Gestão profissional, governança e sustentabilidade financeira: O primeiro eixo do Summit será dedicado aos gestores e dirigentes das organizações esportivas.
A programação prevê debates sobre governança, integridade institucional, políticas públicas, sustentabilidade financeira e profissionalização da administração dos clubes.
A abertura contará com a palestra magna “Além dos limites: quando o esporte transforma desafios em conquistas”, ministrada por Verônica Almeida, campeã mundial e medalhista paralímpica.
A apresentação deverá abordar temas como determinação, preparação, resiliência e liderança, utilizando a trajetória esportiva como referência para discutir a superação de obstáculos e a construção de oportunidades.
Além de destacar o papel dos atletas na transformação social, a palestra também pretende chamar a atenção para a responsabilidade dos clubes na formação de novos talentos e na criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento esportivo.
No dia 4 de novembro, a agenda avançará para questões relacionadas às políticas públicas destinadas ao paradesporto e à integração entre esporte, saúde e direitos das pessoas com deficiência.
A captação de recursos também estará entre os assuntos centrais.
Os participantes terão contato com discussões sobre a Lei de Incentivo ao Esporte, diversificação das fontes de financiamento e estratégias para garantir maior estabilidade financeira às entidades.
A sustentabilidade dos clubes é considerada um fator decisivo para a continuidade dos projetos.
Sem planejamento e recursos adequados, muitas instituições encontram dificuldades para manter equipes técnicas, adquirir equipamentos, oferecer transporte e assegurar a participação dos atletas em competições.
Outro tema previsto é a aplicação da tecnologia blockchain na gestão esportiva.
A ferramenta será discutida como uma possibilidade para ampliar a transparência, a segurança e a confiabilidade dos processos administrativos.
A programação também reservará espaço para o debate sobre saúde no paradesporto, com atenção especial ao cuidado, à autonomia e ao manejo da bexiga neurogênica.
O tema reforça a necessidade de compreender o atleta de maneira integral, considerando não apenas o desempenho nas competições, mas também suas necessidades de saúde, bem-estar e qualidade de vida.
Inclusão, combate ao assédio e participação feminina: A construção de ambientes esportivos seguros e inclusivos será outro ponto importante da programação.
Os participantes discutirão a presença feminina nos espaços de liderança, os desafios enfrentados pelas mulheres no esporte e as medidas necessárias para ampliar sua participação nas decisões administrativas e institucionais.
A pauta também envolverá o combate à discriminação e ao assédio, questões que exigem atenção permanente das organizações esportivas.
A proposta é estimular práticas de gestão que garantam respeito, segurança e igualdade de oportunidades, independentemente de gênero ou condição de deficiência.
A inteligência artificial também estará presente nos debates.
Sua aplicação na administração dos clubes será discutida como uma possibilidade para aprimorar processos, organizar informações e apoiar decisões estratégicas.
Outro assunto será a execução dos projetos apoiados pelo CBCP.
Os participantes receberão orientações sobre as diferentes etapas de desenvolvimento das iniciativas, desde a participação em editais até os procedimentos de prestação de contas.
A acessibilidade dos espaços esportivos e as boas práticas administrativas também integram a agenda.
O objetivo é mostrar que a inclusão depende de um conjunto de medidas que envolvem infraestrutura, planejamento, capacitação e compromisso institucional.
Entre as propostas que serão apresentadas está a aproximação entre clubes paralímpicos e comunidades paroquiais.
O assunto será discutido em painel com representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e convidados internacionais.
A iniciativa pretende explorar o potencial das comunidades religiosas como espaços de convivência, participação e inclusão, ampliando as possibilidades de acesso ao esporte para pessoas com deficiência.
Ciência e qualificação profissional para melhorar o desempenho dos atletas: Enquanto o plenário de gestores discutirá questões administrativas e institucionais, o plenário técnico concentrará atividades voltadas aos profissionais que atuam diretamente na preparação e no acompanhamento dos atletas.
Treinadores, profissionais de Educação Física, pesquisadores, representantes de confederações e especialistas participarão de debates sobre ciência aplicada ao esporte, avaliação funcional, treinamento e desenvolvimento esportivo.
Um dos pontos de partida será a importância da atividade física para pessoas com deficiência, desde os processos de reabilitação até a participação continuada em modalidades esportivas.
A proposta é discutir como o esporte pode contribuir para a autonomia, a saúde, a socialização e a qualidade de vida, além de representar um caminho para o desenvolvimento de atletas de alto rendimento.
A biomecânica e a análise do movimento também estarão entre os temas abordados.
Essas áreas científicas oferecem ferramentas importantes para compreender as características individuais dos atletas, identificar necessidades específicas e desenvolver estratégias de treinamento mais eficientes.
A avaliação funcional será discutida como instrumento para orientar a preparação esportiva, respeitando as particularidades de cada pessoa e contribuindo para a prevenção de lesões.
A individualização dos treinamentos é especialmente relevante no esporte paralímpico, uma vez que diferentes tipos de deficiência podem exigir adaptações específicas de movimentos, equipamentos e metodologias.
Modalidades paralímpicas terão espaço para apresentação e expansão nos clubes: Um dos destaques da programação técnica será a série de painéis intitulada “Conhecer para ampliar”.
A proposta é apresentar diferentes modalidades paralímpicas e paradesportivas, mostrando como elas podem ser implantadas e desenvolvidas dentro dos clubes.
Entre as modalidades contempladas estão atletismo, natação, halterofilismo, tiro esportivo, parajiu-jítsu, badminton, goalball, futebol de cegos, judô, paraskate, esgrima em cadeira de rodas, paraciclismo, bocha, parataekwondo e parasurf.
A diversidade de práticas esportivas demonstra a amplitude do movimento paralímpico e as diferentes possibilidades de participação para pessoas com deficiência.
Os encontros deverão apresentar informações sobre infraestrutura, equipamentos, capacitação profissional e critérios de elegibilidade, além de discutir as oportunidades de desenvolvimento oferecidas por cada modalidade.
A intenção é fornecer subsídios para que os clubes interessados possam ampliar suas atividades e identificar novas possibilidades de atuação.
A diversificação das modalidades também pode contribuir para a descoberta de talentos que, muitas vezes, não encontram oportunidades por falta de informação ou de estruturas adequadas.
Ao apresentar diferentes práticas esportivas, o Summit pretende estimular os clubes a enxergar o potencial de novos projetos e ampliar o atendimento às pessoas com deficiência.
Saúde mental, classificação esportiva e identificação de talentos: O desenvolvimento de atletas exige uma abordagem multidisciplinar.
Por isso, a programação técnica também contemplará assuntos relacionados à psicologia do esporte, à saúde mental e à classificação esportiva.
A preparação psicológica tem papel importante na trajetória dos atletas, especialmente diante das exigências de treinamentos, competições e processos de superação.
O acompanhamento especializado pode contribuir para o controle da ansiedade, o desenvolvimento da concentração, a motivação e o equilíbrio emocional.
A classificação esportiva também será discutida.
O procedimento é fundamental para organizar as competições paralímpicas, considerando as características funcionais dos atletas e buscando assegurar condições mais equilibradas de disputa.
Outro ponto importante será a pesquisa aplicada ao esporte.
A aproximação entre universidades, centros de pesquisa, clubes e profissionais técnicos pode favorecer a produção de conhecimentos capazes de melhorar os métodos de treinamento e os processos de acompanhamento dos atletas.
A formação profissional e a detecção de talentos também estarão em pauta.
A identificação de novos atletas depende de iniciativas que aproximem as pessoas com deficiência das oportunidades esportivas desde as primeiras etapas de desenvolvimento.
Nesse sentido, escolas, projetos sociais, clubes e instituições especializadas podem desempenhar um papel estratégico na ampliação da participação esportiva.
O desafio é criar caminhos para que o interesse inicial pela prática esportiva possa se transformar em uma trajetória consistente, com possibilidades de evolução e participação em competições.
Gabrielzinho e Daniel Dias participam de debate sobre o legado paralímpico: A trajetória dos atletas e as oportunidades que surgem depois das competições terão destaque especial nos últimos dias do Summit CBCP 2026.
Nos dias 5 de novembro e 6 de novembro, a programação incluirá atividades práticas de modalidades como goalball, bocha, tênis de mesa, parabadminton e jiu-jítsu.
As apresentações permitirão que os participantes conheçam de perto as características das modalidades, suas adaptações e as possibilidades de aplicação nos clubes.
O contato com as práticas esportivas também deverá contribuir para ampliar o conhecimento dos profissionais e estimular novas iniciativas de inclusão.
No último dia, os debates abordarão a dupla jornada dos atletas, a transição de carreira, a responsabilidade técnica dos profissionais de Educação Física e a continuidade da formação esportiva.
A preservação da memória do movimento paralímpico brasileiro também terá espaço na programação, com um painel envolvendo pesquisadores e representantes da área.
Um dos momentos mais aguardados será o encontro “Além do pódio: a jornada do atleta paralímpico, legado e novas oportunidades”.
A atividade contará com a participação de Gabriel Geraldo dos Santos, conhecido como Gabrielzinho, multimedalhista paralímpico.
Ercileide Laurinda da Silva, atleta de bocha e presidente da ADEFU (Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba)) e Daniel Dias, também multimedalhista paralímpico.
O painel pretende promover uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelos atletas ao longo de suas trajetórias, as conquistas alcançadas e as oportunidades que podem surgir depois do encerramento da carreira competitiva.
A discussão também abordará possibilidades de formação, empreendedorismo e desenvolvimento profissional para quem construiu sua trajetória no esporte de alto rendimento.
A transição de carreira é um assunto relevante para o movimento paralímpico, especialmente diante da necessidade de criar condições para que atletas possam continuar contribuindo com o esporte mesmo após deixarem as competições.
A experiência acumulada durante anos de treinamento e participação em eventos esportivos pode ser aproveitada em diferentes áreas, como gestão, formação de novos atletas, projetos sociais e iniciativas de empreendedorismo.
Evento pretende ampliar oportunidades e fortalecer o movimento paralímpico: A cerimônia de encerramento e premiação está prevista para 6 de novembro, quando o CBCP realizará homenagens a atletas e ex-atletas.
Mais do que reunir profissionais e representantes de diferentes instituições, o Summit CBCP 2026 pretende fortalecer a articulação entre os diversos setores que participam do desenvolvimento do esporte paralímpico brasileiro.
A aproximação entre clubes, gestores, pesquisadores, atletas e representantes do poder público pode contribuir para a construção de soluções mais eficientes para os desafios do setor.
A iniciativa também coloca em evidência a importância de investir na estrutura das instituições responsáveis pela formação esportiva.
A ampliação do acesso ao esporte para pessoas com deficiência depende de clubes preparados, profissionais qualificados, políticas públicas consistentes e espaços acessíveis.
Nesse contexto, a gestão e a ciência aparecem como ferramentas complementares.
Enquanto a primeira oferece condições para a sustentabilidade das organizações, a segunda contribui para aprimorar a preparação dos atletas e ampliar as possibilidades de desempenho.
Outro aspecto importante é o reconhecimento do protagonismo das pessoas com deficiência na construção do movimento paralímpico.
A participação dos atletas nas discussões sobre gestão, formação e futuro do esporte permite aproximar as decisões institucionais das experiências de quem vive diariamente os desafios e as conquistas das modalidades.
Ao reunir diferentes perspectivas, o Summit CBCP 2026 busca transformar conhecimento e cooperação em oportunidades concretas.
O desafio vai além de formar novos campeões.
Envolve garantir que mais pessoas com deficiência tenham acesso ao esporte, encontrem espaços de participação e possam desenvolver suas habilidades em todas as etapas da vida.
A expectativa é que as discussões realizadas em Brasília contribuam para fortalecer os clubes, ampliar a inclusão e consolidar novas estratégias para o crescimento do esporte paralímpico brasileiro.
Serviço:
Evento: Summit CBCP 2026
Data: 3 de novembro a 6 de novembro de 2026
Local: Centro Internacional de Convenções de Brasília, Distrito Federal.
Realização: Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP).
Tema central: Gestão, formação de atletas, inclusão, ciência e inovação no esporte paralímpico brasileiro.
Reportagem: V1sports.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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