Pinda projeta Los Angeles com Isaquias Queiroz ao lado da nova geração.
Comissão técnica busca independência de ídolo multicampeão, prepara trio de promessas para a categoria principal e crava: “cronômetro não mente”.
Com o planejamento estratégico e matemático definido pelo técnico Lauro Pinda para a corrida olímpica de Los Angeles em 2028, a seleção brasileira de canoagem velocidade volta suas atenções para o fator humano.
Como gerenciar a transição de novos talentos e, principalmente, qual o papel do maior nome da história do esporte no país no meio dessa renovação?
Um dos fatores que envolvem a participação de Isaquias Queiroz é a disputa da C2 (canoa de velocidade ou slalom tripulada por 2 atletas) .
A principal prova do brasileiro é a C1 (canoa individual), porém ele disputou as duplas nas 3 Olímpiadas em que esteve, sendo medalhista de prata na primeira, no Rio.
De lá pra cá, perdeu o principal parceiro, Erlon Souza e os pódios não vieram em Tóquio e em Paris.
Após 2024, ele colocou em dúvida se voltaria a competir nessa modalidade.
“O que nós buscamos aqui dentro da seleção é não ter uma dependência do Isaquias. Porque é um atleta que já tem uma carreira vitoriosa e precisa se motivar para ir para mais uma Olimpíada”, detalha Lauro Pinda ao Olimpíada Todo Dia. Ele ressalta que o barco C2 foi moldado para ser competitivo mesmo na ausência do ídolo. “Agora, se o Isaquias entender que quer ir pra Los Angeles pra brigar por duas medalhas, ele em forma, no ápice dele, vai estar nas embarcações, sim.”
A nova geração e o “vestibular” júnior: O Brasil tem mostrado que é muito mais do que apenas um talento solitário.
O país conta com promessas que já se destacam na base, mas que vivem momentos distintos na carreira. Pinda analisou o trio formado por Gabriel Nascimento, Mateus Nunes e Lucas Santos.
“O Gabriel já é uma realidade hoje dentro do cenário mundial”, avalia o treinador.
“Ele já se posiciona individualmente nas provas de 500 metros entre os 3 melhores do mundo. Na última etapa de Copa do Mundo, ganhou nos 200 metros. Então já é uma realidade e é um atleta muito importante para a gente no barco de dupla, no C2.”
Já sobre Mateus e Lucas, o desafio atual é a transição para a categoria principal.
Sobre Mateus, Pinda destaca o alto nível no dia a dia, mas aponta o próximo degrau: “O Mateus é um grande exemplo. Ele é um leão de treino, cara, ele mata todo mundo no treino. Mas ainda falta um pouco de experiência em prova, em competição. Falta ele conseguir levar aquilo que ele faz no treinamento para a competição.”
O caçula do trio, Lucas, fará a mudança de categoria na próxima temporada cercado de expectativas.
“O Lucas tem cinco medalhas de ouro em mundiais júnior”, destaca o treinador.
“O que a gente pesquisou desde os Jogos de Sydney, em 2000, é que 100% dos medalhistas olímpicos na canoagem foram campeões mundiais júnior nas suas respectivas categorias. O primeiro passo foi dado. A gente já passou por esse ‘vestibular’. Agora a gente precisa fazer essa transição.”
Disputa interna: os cronômetros não mentem: Com nomes de peso e promessas sedentas por espaço, a definição dos barcos titulares não é feita por uma seletiva única.
O processo é de observação contínua de treinos e do controle emocional em provas oficiais.
Pinda é categórico ao afirmar que, nas águas, não existe espaço para o acaso ou achismos.
“A gente tá num esporte cíclico. A gente não tem o componente ‘sorte’. Ou você tem um tempo bom ou você não tem. Não é igual no basquete ou no futebol, que eu posso dar um chute do meio de campo e acertar o gol”, compara o treinador.
“Se você precisa fazer 3min45 numa prova de 1000 metros pra ser medalhista, se você não faz 3min50 nos treinamentos, você não vai fazer 3min45 no dia da competição.”, disse o técnico.
Dessa forma, a comissão técnica deixa claro que, na busca pelas vagas em Los Angeles, não haverá atalhos: a evolução diária e o foco absoluto no alto rendimento ditarão o ritmo da canoagem brasileira neste novo ciclo.
Reportagem: Olimpiadatododia.com.br
Adaptação: Eduardo Oliveira
Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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