segunda-feira, 2 de março de 2026

Esporte é plataforma de comunicação

Ídolos em alta, calendário internacional robusto e mercado mais profissional ampliam o potencial do esporte como plataforma estratégica de marca no Brasil.

Eduardo Musa é especialista em marketing e gestão esportiva. 

Com mais de 14 anos de experiência no mercado, já trabalhou em três Olimpíadas e uma Copa do Mundo.

O patrocínio esportivo vive um daqueles raros momentos em que vários fatores positivos se alinham ao mesmo tempo. 

E quando isso acontece, a pergunta deixa de ser “vale a pena patrocinar?” e passa a ser “qual é o custo de ficar de fora?”. 

Para quem está no nível de decisão dentro das marcas, este é um cenário que merece atenção, porque o esporte no Brasil está oferecendo algo cada vez mais difícil de comprar em outras plataformas: relevância cultural com frequência, emoção e credibilidade.

E vale deixar claro um ponto desde o início: o futebol segue sendo o maior ativo esportivo do Brasil. 

Concentra massa, rotina, conversa diária, audiência e uma capacidade de mobilização que nenhuma outra modalidade entrega na mesma escala. 

Só que, ao mesmo tempo, o país está vivendo um momento em que o esporte como indústria se expandiu e diversificou. 

Hoje existem outros palcos, outras narrativas e outras oportunidades de conexão que podem ser tão estratégicas quanto o futebol, dependendo do objetivo da marca.

O primeiro ponto é óbvio, mas não pode ser subestimado: o Brasil voltou a ter ídolos fortes, e desta vez em várias modalidades, não só no futebol. 

Hugo Calderano, Rayssa Leal, Rebeca Andrade, Caio Bonfim, Lucas Braathen são alguns dos exemplos de atletas que carregam performance, carisma e narrativa, e isso vale muito.

Ídolo é uma combinação rara de resultado com identificação, e quando essa combinação aparece, ela cria um ativo poderoso para marcas que buscam associação com valores como disciplina, superação, consistência, coragem, competitividade e, principalmente, inspiração.

O segundo ponto é estrutural: o Brasil está se consolidando como um país capaz de receber grandes eventos com excelência. 

E não estamos falando apenas do “calendário” como uma lista de datas, mas do salto de produção e entrega. 

Tênis, Skate, Basquete, Futebol Americano, Surf, corridas de rua, entre outros formatos, mostram um ecossistema mais maduro, com público presente, transmissão bem estruturada, experiência melhor para o fã e, consequentemente, mais valor para patrocinadores. 

Evento bem feito não é só espetáculo, é produto. E produto bem embalado tem mais audiência, mais engajamento e mais capacidade de ativação.

E, além do que já está acontecendo, o que vem pela frente reforça ainda mais a janela de oportunidade. Teremos Copa do Mundo masculina em 2026, Olimpíadas em 2028 e, principalmente, Copa do Mundo feminina em 2027 no Brasil, uma modalidade que começa a receber a devida atenção de mídia, público e governo. 

Isso muda o jogo para as marcas, porque cria calendário, frequência, narrativas novas e um território de posicionamento com muito espaço para protagonismo.

O terceiro ponto é o amadurecimento do próprio mercado. 

Quando um setor cresce, ele demanda gente boa. 

Antes, a formação de profissionais para esporte dependia muito de migração de outras áreas. 

Hoje, as próprias entidades esportivas já formam quadros excelentes, e o mercado também passou a oferecer cursos mais sólidos, com repertório prático, metodologia e especialização. 

Isso faz diferença porque patrocínio não vive de intenção, vive de execução. 

E a qualidade da execução é o que separa um patrocínio que “aparece” de um patrocínio que gera resultado.

Somando tudo isso, entra a mudança mais importante: as marcas estão entendendo, cada vez mais, o poder do esporte como plataforma de comunicação e associação. 

O patrocínio esportivo deixou de ser só um logo no uniforme. 

Quando bem pensado, ele vira conteúdo, vira experiência, vira relacionamento, vira comunidade, vira narrativa contínua. 

O esporte entrega contexto emocional e frequência, e permite que a marca se associe a valores que são difíceis de construir do zero em mídia tradicional. 

Mídia “alugada” compra visibilidade para o seu discurso, o que é importante. 

O esporte, por outro lado, permite que a marca seja parte de uma história que já tem significado para as pessoas.

E hoje existe um acelerador que amplifica tudo isso: as redes sociais. 

O esporte virou um dos principais motores de audiência, conversa e consumo de conteúdo nas plataformas. 

Os melhores exemplos não são apenas os grandes jogos, mas a rotina. 

Clipes, bastidores, cortes, reações, análise, entretenimento, atletas criando mídia própria, canais e criadores especializados.

O esporte não “passa” mais. 

Circula o tempo todo. 

E isso aumenta a capacidade de construir frequência e relevância, inclusive para quem não está no pacote tradicional de mídia.

É por isso que eu acredito que estamos vivendo uma janela especialmente favorável. 

Ídolos fortes, eventos bem produzidos, mercado mais profissional e marcas mais preparadas para ativar. 

Para quem decide investimento, esse é o tipo de momento em que o retorno não vem só em alcance. 

Vem em percepção, em afinidade, em reputação e em construção de marca, com uma vantagem competitiva clara: o esporte ainda consegue gerar atenção real num mundo que está cada vez mais distraído.

O recado é simples. Patrocínio esportivo bem feito é investimento em marca, em narrativa, conversão e em relevância. 

E, no cenário atual, investir agora pode ser a diferença entre ocupar um espaço cultural ou disputar migalhas de atenção depois.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

 

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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