segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Jogo das viradas

Em duelo de viradas, expulsões e acusação de racismo, Flamengo supera o Bahia.

Gabigol é expulso no início, visitantes saem de 2 a 0 para 3 a 2 em 15 minutos, mas Pedro entra em ação e faz a diferença para o time de Ceni, que agora é vice-líder. 

Baianos ficam na beira do Z-4.

Um duelo eletrizante, com viradas, expulsões, variantes táticas interessantes e até caso de polícia. Flamengo e Bahia protagonizaram um jogaço no Maracanã na noite deste domingo (20), pela vigésima sexta rodada do Brasileirão. 

O 4 a 3 com gol de Vitinho já aos 45 minutos do segundo tempo foi construído após grande atuação de Bruno Henrique, cartão vermelho para Gabigol, Gilberto novamente como carrasco pelo Tricolor baiano e Pedro decisivo com apenas 20 minutos em campo. 

Fora do futebol, um episódio lamentável: Gérson acusou o colombiano Ramírez de racismo com a frase "cala a boca, negro".

Com a vitória, o Flamengo chegou aos 48 pontos e pulou para segunda colocação na competição. 

De quebra, segue dependendo apenas de si para buscar o título. 

A equipe de Rogério Ceni tem um jogo a menos que o São Paulo, líder com 53, e um confronto direto pela última rodada, no Morumbi. 

O último compromisso de 2020 está marcado para sábado (26), às 19 horas (horário de Brasília), no Castelão, contra o Fortaleza.

Já o Bahia segue em crise. 

Agora, são cinco derrotas consecutivas para o time de Mano Menezes, que está em décimo sexto lugar com 28 pontos. 

Os baianos estão fora da zona de rebaixamento por levarem vantagem sobre o Vasco no número de vitórias: 8 a 7. 

Domingo (27), a equipe recebe o Internacional, às 16 horas (horário de Brasília), na Fonte Nova, pela vigésima sétima rodada.

O domingo (20) no Maracanã foi eletrizante desde o apito inicial. 

O Flamengo não precisou de muito tempo para abrir o placar, com Bruno Henrique, em belo chute de fora da área e dava mostras de que teria facilidade para chegar ao triunfo. 

Gabigol ainda desperdiçou boa chance antes dos dez minutos, mas acabou sendo protagonista por um cartão vermelho. 

O árbitro Flávio Rodrigues identificou xingamento e expulsou o atacante, que se revoltou. 

A vantagem numérica fez o Bahia se mandar para o ataque, pressionar e dar espaços bem utilizados pelos donos da casa. 

Assim, Bruno Henrique recebeu de Gérson para ficar livre dentro da área e servir Isla: 2 a 0. 

O camisa 27 ainda teve tempo para desperdiçar chance clara antes do intervalo após passe de Arrascaeta.

O Bahia voltou para o segundo tempo a mil por hora, e o Flamengo não conseguiu manter a organização defensiva. 

O resultado? 

Três gols em oito minutos, dos 5 minutos do segundo tempo aos 13 minutos do segundo tempo, e virada no placar. 

O colombiano Índio Ramírez, que depois foi acusado de racismo por Gérson, fez o primeiro, e Gilberto novamente ocupou o papel de carrasco com um lindo chute de fora da área e um gol de cabeça em escanteio. 

Virada dos visitantes.

Neste momento, as duas equipes já estavam com os nervos à flor da pele, com faltas duras e discussões. 

O Bahia conseguia administrar o resultado, forçava Diego Alves a fazer grandes defesas, até que Rogério Ceni colocou Pedro no jogo. 

O centroavante foi decisivo para a virada com um gol de peito em cruzamento de Filipe Luís e passe genial de letra para Vitinho tocar na saída de Douglas. 

Vira-vira, vitória e o São Paulo mais perto na tabela.

Um dos melhores em campo, Gérson chamou a atenção na partida do Maracanã não somente pelo que fez com a bola no pé. 

Desde o primeiro tempo, o volante foi líder da equipe em campo com orientações e foi figura central de crime de racismo no Maracanã. 

No início do segundo tempo, o jogador discutiu com o colombiano Ramírez e com o treinador Mano Menezes. 

Já nos minutos finais, após o 4 a 3, fez sinal com a mão de "fala muito" para Mano, que seguia discutindo. 

Ao apito final, revelou ao Premiere que foi vítima de racismo.

"Quero falar uma coisa: tenho muitos jogos como profissional e nunca vim falar nada porque nunca sofri esse preconceito. Quando tomamos um gol, o Bruno Henrique ia chutar uma bola, o Ramirez reclamou e fui falar com ele, que disse: "Cala a boca, negro". E o Mano precisa aprender a respeitar as pessoas".

Gabigol ficou em campo por somente 9 minutos. 

Tempo suficiente para ser um dos personagens centrais da partida de domingo (20) no Maracanã. 

O atacante teve boa chance aos cinco minutos e recebeu o cartão vermelho aos 9 minutos do primeiro tempo. 

O árbitro Flávio Rodrigues o expulsou direto após disputa com Ernando na entrada da área em que o atacante do Flamengo o teria xingado. 

Gabigol se revoltou e demorou cinco minutos para sair de campo, questionando a decisão do paulista. No fim, Daniel, do Bahia, também foi expulso por reclamação.

O momento definitivamente não é dos melhores na carreira de Mano Menezes. 

O Bahia chegou a quinta derrota consecutiva, foi eliminado recentemente pelo Defensa y Justicia na Copa Sul-Americana e está na porta da zona de rebaixamento. 

A situação ficou delicada no comando do clube baiano. 

Como se não bastasse, foi criticado por Gérson na entrevista pós jogo na qual relatou o episódio de racismo.

E foi demitido após a partida pela diretoria do Bahia.

Reportagem: Globoesporte.globo.com

Adaptação: Eduardo Oliveira

Revisão de Texto: Ana Cristina Ribeiro

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